Pedro Ventura Fellipe de Araújo Pomar, camarada Pomar, nasceu na cidade de Óbidos, no Pará, no dia 23 de setembro de 1913. Muito cedo tomou o caminho da luta revolucionária e logo (1932) ingressou no Partido Comunista do Brasil - PCB, tendo vivenciado já em suas fileiras a efervescência dos preparativos e combates do Levante Popular de 1935. Educou-se no fogo dos combates da luta de classes, nas peripécias do complicado caminho do movimento revolucionário e comunista de nosso país e na tenaz luta ideológica em meio da qual o movimento comunista internacional atravessou o século XX. Assim se forjou o maior dirigente comunista do nosso país.
Dentre as muitas lutas que marcaram a vida de Pedro Pomar destacamos algumas que demonstram sua condição de grande dirigente e servidor do povo.
Abnegado militante comunista, ainda jovem assumiu o desafio de reorganizar em todo o país o Partido Comunista destroçado pela ação repressiva fascista do Estado Novo, sendo um dos integrantes da CNOP, Comissão Nacional de Organização Provisória.
Convicto internacionalista, dentre tantas missões que soube cumprir sem vacilação, esteve presente como representante oficial do PCB, no congresso do Partido Comunista da Romênia, em 1960, oportunidade que não perdeu para publicamente rechaçar os provocadores ataques que Kruschov fizera ali contra o Partido Comunista da China e o Partido do Trabalho da Albânia, partidos que então encabeçavam a luta contra o novo revisionismo e a traição Kruchovista.
Pomar era sempre por uma posição de princípio e partidário da luta mesmo contra a corrente. Como em outros momentos, em 1960, delegado ao V Congresso do Partido, sustentou titânica luta contra as posições direitistas lideradas por Prestes. A tese central de Prestes naquele congresso, ao caracterizar a sociedade brasileira, afirmava como principal tarefa revolucionária promover o desenvolvimento do capitalismo no Brasil. Foi contra teses reformistas e antimarxistas como esta que se colocou na primeira trincheira na defesa do Marxismo-Leninismo. Porém, na aguda luta entre as duas linhas, as posições oportunistas foram vitoriosas e o PCB se degenera.
Em 1962 Pedro Pomar e outros dirigentes entenderam que não existia mais possibilidade e tampouco razões de prosseguir na mesma organização comandada pelos revisionistas e decidiram pela reconstrução do Partido. Os revisionistas haviam se apossado da sigla PCB, violando os estatutos do partido com uma nova denominação de Partido Comunista Brasileiro e retirando dele princípios fundamentais como o da ditadura do proletariado. Para distinguir a reconstrução do Partido Comunista do Brasil assumiram a sigla PCdoB.
Anti-revisionista intransigente, Pomar rapidamente identificou no pensamento Mao Tsetung a força revigorada do marxismo-leninismo e passou a se bater decididamente pela sua assimilação como guia ideológico-político por todo o Partido. Em 1968, quando ainda era tormentoso o curso da Grande Revolução Cultural Proletária desencadeada na China sob a direção do Presidente Mao, Pomar como grande marxista que era, expressou compreender que, aqueles acontecimentos elevavam a revolução proletária mundial a novo e mais alto patamar.
Expressando sua alta compreensão do marxismo, mesmo nos limites estreitos impostos no Partido pelo dogmatismo, soube fazer a defesa do significado do maoísmo para o prosseguimento da revolução proletária mundial anunciando que “A Revolução Cultural Proletária veio demonstrar a importância histórico-mundial do pensamento de Mao Tsetung, como o marxismo-leninismo de nosso tempo.”
Neste período o PCdoB assumiu o pensamento Mao Tsetung e a linha de Guerra Popular Prolongada, e ainda que não tendo sido plenamente assimilados, conduziram a definição de uma linha política revolucionária e a luta por sua aplicação com a preparação para guerra de guerrilhas, tendo como ponto principal a região do Araguaia.
Com a derrota da guerrilha em 1974, devido a debilidades e a problemas de segurança, a direção do PCdoB só conseguiu iniciar o balanço dois anos depois. Em julho de 1976 numa reunião do Comitê Central, Ângelo Arroyo, um dos membros da Comissão Militar sobrevivente da luta guerrilheira, apresentou um relatório sobre a experiência da luta no Araguaia. Pedro Pomar partindo deste relatorio fez uma brilhante intervenção com o objetivo de tirar as lições positivas e negativas daquela experiência. Insistia em seu balanço em ressaltar a decisão do Partido de levar a cabo a preparação da luta armada e o devotamento e heroísmo dos camaradas que não pouparam esforços e sacrifícios para aplicar tal decisão. Mas rigoroso na análise e crítica, afirmava que a derrota não era de caráter exclusivamente militar como apontava o relatório de Arroyo e sim completa e que a principal causa dela havia sido de concepção. Ou seja, que a concepção que se verificava na aplicação da Guerra Popular não correspondia à teoria da mesma e à estabelecida nos documentos partidários. Pomar enfatizava que se a direção realizasse um profundo balanço crítico destes erros, corrigindo sua prática, a revolução seria vitoriosa no futuro.
Em dezembro do mesmo ano, no bairro da Lapa em São Paulo, a casa onde estava reunido o Comitê Central do Partido é cercada pelas forças repressivas. Ângelo Arroyo e Pedro Pomar são assassinados sem qualquer chance de defesa e João Drumond, depois de preso é torturado até a morte numa cela do DOI-CODI. Este episódio sinistro ficou conhecido como a Chacina da Lapa.
O aniquilamento dos principais quadros revolucionários no Araguaia e em outras regiões do país, além da queda do Comitê Central na Lapa com o assassinato de três dirigentes do partido, criaram as condições para uma conversão ideológica e domínio do revisionismo no PCdoB. O processo de balanço do Araguaia, iniciado naquela reunião, jamais foi retomado. A direção de João Amazonas sabotou e enterrou de vez os debates sobre o Araguaia, e impôs passo a passo, uma nova linha revisionista que conduziu a gradual liquidação do PCdoB enquanto um partido comunista revolucionário. Renegando a linha revolucionária da Guerra Popular, esta direção revisionista-oportunista, através do retorno ao caminho eleitoreiro e legalista, preparou a transição e transformação do PcdoB na caricatura burocrática e contra-revolucionária dos dias de hoje.
Pedro Pomar foi um abnegado militante comunista, dedicou sua vida à causa do proletariado, da revolução, do socialismo e do comunismo. Foram 42 anos de militância, boa parte na clandestinidade enfrentando feroz repressão e dificuldades de todo tipo, porém nunca se abateu e jamais perdeu a perspectiva da revolução. Sempre esteve na linha de frente quando o oportunismo e revisionismo ameaçaram degenerar o Partido e revisar o Marxismo-Leninismo. Teve papel destacado na luta contra o oportunismo e o revisionismo no partido, no desmascaramento do revisionismo soviético e foi um dos principais dirigentes no processo de Reconstrução de 1962.
Odiado pelas classes reacionárias e seus lacaios, bem como pelos revisionistas e oportunistas de todas as laias, porém amado pelos trabalhadores brasileiros, Pedro Pomar tem seu honrado e glorioso nome inscrito na constelação de heróis da classe operária de todo mundo e da luta de libertação de nosso povo.
Hoje, com o desmascaramento e decaída, cada dia mais, da ofensiva da contra-revolução mundial, diante de toda situação de miséria e fome que vive nosso povo, diante da crise cada dia mais profunda do capitalismo no mundo e no país, onde a reação juntamente com oportunistas e revisionistas preparam e ensaiam uma escalada fascista diante do crescente descontentamento popular, mais que nunca é preciso trazer no primeiro plano da luta de classes atual as grandes contribuições e o papel de Pedro Pomar.
E para celebrar os 95 anos do nascimento de Pedro Pomar, o Movimento Estudantil Popular Revolucionário presta suas homenagens a esse grande dirigente e assume o compromisso de todos os verdadeiros revolucionários brasileiros, o compromisso de resgatar suas idéias corretas, sua combatividade, firmeza de princípios, seriedade, honestidade e exemplo.
Porto Velho, 13 de Dezembro de 2008
Viva o grande dirigente comunista Pedro Pomar!
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