A campanha presidencial de 2002 reescreve o poema “Quadrilha” de Carlos Drumond de Andrade, “João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria...” com novos personagen: Ditadura militar que amava ACM, que amava FHC, que amava o Jáder, que não amava ninguém (a não ser roubar os cofres públicos); FHC que amava José Jorge, que amava Zé Estevão, que amava o juiz Nicolau, que não amava ninguém; Itamar que amava Collor e FHC, que amava o Ciro que amava Serra, que amava Tasso Jereissati; Lula que amava José Alencar, que ama os lucros e exploração sobre os operários; Mercadante que amava Lula, que amava José Dirceu, que amava Armínio Fraga, que amava Jorge Soros e o FMI; Itamar que odiava Newton Cardoso, que amava o Serra, que amava FHC, que amava o PMDB, que amava o Quércia, que não amava ninguém; Ciro, Lula, Serra, Garotinho que amavam FHC, que ama os ianques que amam toda a quadrilha!
Abaixo a farsa das eleições! Não votar!
O circo eleitoral está montado novamente. Abre-se a temporada de caça aos votos. Em outubro acontecerão votações para “decidir” quais serão os novos governadores, senadores, deputados e o novo presidente do Brasil. A mídia esforça-se por passar um clima de momento decisivo para o país, mas o que tem prevalecido é o clima do “vale tudo”, onde as classes dominantes se engalfinham: troca de partido, divulgação de pesquisas de intenção de voto manipuladas, formação de coligações e alianças de última hora, tudo como de praxe, como nas outras temporadas. As lutas campais travadas recentemente, as CPIs, são esquecidas e inimigos viram “amigos desde criancinha”, interessando unicamente neste momento qual aliança renderá mais votos. Não existem princípios, ou melhor, esse é o princípio deles.
Que diferença existe entre os candidatos e suas promessas? Absolutamente nenhuma! Mas há quem afirme que, diferentemente dos outros, o PT e agregados de sua “frente popular” eleitoreira não roubam, são honestos e são os mais ardorosos defensores da “ética na política” e que por isso mereceriam uma chance. Devemos então nos perguntar: que diferença há entre roubar descaradamente os cofres públicos e apoiar e se beneficiar da lei eleitoral que autoriza partidos e candidatos a receberem doações milionárias da burguesia e do latifúndio? Que diferença existe entre utilizar a máquina do governo como o PSDB em sua convenção de meio milhão de reais, e a “contribuição” que os oportunistas querem que seja legalizada para custear suas campanhas? Que ética é essa que diferencia a corrupção que rende milhões da que rende milhares, considerando válida a segunda, como declarou Lula “40 mil reais é troco”, sobre a cobrança do PT de Santo André – SP a empresários, para o esquema eleitoral do Sr. José Dirceu (presidente do partido) honestíssimo? São todos farinha do mesmo saco!
Na disputa desesperada por flashes e holofotes, fazem seus truques e malabarismos para se saírem bem. Os programas eleitorais gratuitos são produzidos no padrão das novelas globais, com todas as palavras, sorrisos, apertos de mão, beijos em crianças nas favelas, e aparições na mídia, meticulosamente calculados pelas equipes de marqueteiros. E é em meio a muita maquiagem, músicas ambientais, belas paisagens e slogans comerciais, que apresentam as suas propostas de salvação para o Brasil, um show de hipocrisia com frases de efeito que mal escondem o verdadeiro conteúdo: enganar hoje para seguir explorando e oprimindo quando ganharem o jogo.
Cada candidato está mais preocupado que o outro com sua imagem, promovendo um concurso de currículos esdrúxulos: Lula esnobando em ternos de grife chega ao ridículo, senão cômico de reconhecer “eu sou a bola da vez”; Serra, o da dengue, posando de “Zé Gotinha” e convocando a “Xuxa do Parlamento” (Rita Camata) para vice; Ciro Gomes usando a fama e a doença de sua mulher para emocionar eleitores; Garotinho, como sempre explorando a fé dos evangélicos. Nesse baile a fantasia a Frente Popular eleitoreira de PT/PCdoB & Cia não economiza recursos e rapidamente contratou a peso de ouro o mesmo marqueteiro de Paulo Maluf e Carlos Menem da Argentina, um verdadeiro especialista em maquiar candidatos.
A falta de princípios, marca das eleições antidemocráticas e farsantes, nunca foi tão explícita.
O candidato José Serra, apoiado pela máfia da polícia federal arma arapuca para Roseana Sarney, que é acusada de corrupção através de investigação feita por escuta telefônica. Nada contra a corrupção, o objetivo era exclusivamente tirar a concorrente que ocupava, na época do escândalo, o segundo lugar na corrida presidencial. Agora, da mesma forma, investe contra Lula divulgando escândalos de corrupção nas prefeituras do PT.
Por sua vez os oportunistas da frente popular eleitoreira, mostram com suas alianças, que dançam direitinho segundo a música da burguesia. Para eles nada pode ser impedimento na sua desesperada corrida em direção ao Planalto. As alianças feitas pelo PT/PCdoB apresentam programas de governo que servem para qualquer um dos outros candidatos. A escolha do vice-presidente de Lula deixou bem claro isso. O senador José Alencar é o maior magnata da indústria têxtil do Brasil que, recentemente transferiu parte de suas fábricas do sudeste para o nordeste para explorar a mão de obra ainda mais barata. O slogan de José Alencar “Esse é o patrão que o Brasil precisa” será completado nessa dobradinha por “Lula, o empregado em quem os patrões confiam”. Com a escolha desse vice os oportunistas passaram, sem constrangimento, dos acordos secretos com a burguesia para a aliança escancarada.
A lista de acordos é extensa, o PT/PCdoB recebem o apoio de Orestes Quércia, em troca de se abafar na Assembléia Legislativa de São Paulo a investigação sobre o rombo do Banespa e de Paulo Maluf campeão honorário da corrupção e direitismo; aliam-se também com o demagogo Itamar Franco em Minas Gerais, arquiinimigo de FHC agora de beijos e abraços com o mesmo e, no sul, recebem o apoio de Roberto Requião. Até o senhor feudal das capitanias hereditárias do Nordeste, Antônio Carlos Magalhães declarou que, numa possível disputa de segundo turno entre Serra e Lula, ficaria com Lula. Lula anda bem cotado nas classes dominantes, o próprio FHC declarou também seu voto em Lula no 2.º turno, caso este dispute com Ciro. Na relação com o sistema financeiro e o imperialismo ianque, o presidente do PT, José Dirceu e o economista chefe petista, Aloísio Mercadante, estão completamente à vontade: Mercadante almoçou com Armínio Fraga no último dia 18 de julho, e afirmou à imprensa que “Fraga poderia dar sugestões importantes para o aprimoramento do Banco Central”. José Dirceu almoçou e jantou com diversos executivos dos bancos americanos e terminou sua viagem afirmando que “Dependerá do presidente dos Estados Unidos e do Brasil o sucesso ou o fracasso do livre comércio [ALCA] na região”.
São fatos que antes eram encobertos e que o PT não precisa mais esconder, são hoje questões chaves de sua estratégia.
Eleições “livres”: uma política do imperialismo de manutenção da exploração e opressão
O que o povo ganha com essas eleições? Nada! E novamente ganharemos absolutamente nada com mais uma renovação eleitoral. Essa é uma verdade histórica no Brasil, país onde o parlamento foi utilizado apenas como uma tática burguesa, um recurso do imperialismo para garantir a opressão sobre as massas.
É claro que há alguma coisa da democracia burguesa das quais os povos devem se valer, as chamadas “liberdades democráticas” – direito de ir e vir; liberdade de expressão; leis contra o racismo; direitos jurídicos como o Hábeas Corpus; direito de acesso à educação e saúde; direitos trabalhistas, como a jornada de trabalho de 8 horas, férias, 13.ºetc. – entendendo que isto representa uma conquista de sua luta e não uma dádiva da burguesia. Muito diferente, entretanto, é como isso se operou nos países dominados, entre eles o Brasil, onde essas liberdades são letras mortas no papel.
A questão de fundo é que a democracia parlamentar burguesa é a maneira mais eficaz para a burguesia exercer sua dominação, pois é a ditadura mais dissimulada e aparenta se assentar na vontade das massas. Como afirma Karl Marx, a essência da democracia burguesa é a autorização dada aos oprimidos de decidir uma vez de tantos em tantos anos qual precisamente dos representantes da classe opressora os representará e reprimirá no parlamento. As eleições são uma tática da burguesia que pode oscilar entre períodos de regimes abertamente militares e fascistas (no caso em nosso país: Estado Novo de Getúlio 1937-1945 e regime militar 1964-1985) e os regimes de ditadura encoberta pela farsa eleitoral.
Nas duas últimas décadas, as eleições assumiram um papel estratégico dentro da política contra-revolucionária do imperialismo. Nesse período o imperialismo decidiu que seria mais conveniente para sua dominação ter governos legitimados por processos eleitorais do que regimes militares, pois estes últimos escancaram todas as relações de dominação existentes. Esta mudança da política externa dos EUA é perceptível, eles que foram os financiadores abertos dos golpes de Estado e dos regimes fascistas da década de 60 e 70, passaram na década de 80 a ser os mais ardorosos defensores de eleições “livres” e diretas. Os imperialistas não se tornaram democratas e nem arriscam sua sorte nas eleições; o que acontece é que eles controlam totalmente o corrupto processo eleitoral, são eles que definem, a partir de seu poderio econômico, quem vencerá quem. E se algo sai fora do script eles não vacilam em dar novamente golpes militares para enquadrar os “engraçadinhos” que saiam de baixo de sua asa, como aconteceu no recente golpe de Estado arquitetado pela CIA na Venezuela, que serviu para enquadrar Hugo Chavez na política ianque (não é à toa que a última reunião de articulação da Alca ocorreu em Caracas) Em sua própria casa, os ianques não hesitam em garantir a eleição “livre” do candidato que mais atende os interesses dos monopólios, como demonstrou a última eleição presidencial, onde o candidato Bush Filho perdeu mas levou através de manipulação descarada na recontagem de votos.
Quanto mais eleições realizam mais fome e miséria se espalha mundo afora. Quanto mais eleições mais descrédito do povo. Senão vejamos. Na Argentina, onde vivem uma crise sem precedentes, as massas deram um não à farsa eleitoral com 52% dos eleitores abstendo-se de votar ou votando nulo. Na Colômbia, o novo presidente da república foi eleito com 5.803.968 votos contra 13.314.483 de abstenção e votos nulos e brancos num total de 24.208.150 de eleitores. Na França a abstenção bateu recorde nas eleições presidenciais e parlamentares atingindo 37% e 45% respectivamente. Os resultados da última eleição presidencial no Brasil expressam a real disposição de nosso povo, uma massa gigantesca que já percebe que por esse caminho eleitoreiro não há solução. 38 milhões de eleitores disseram não à farsa eleitoral (número absoluto dos não votantes e dos que votaram nulo ou em branco), 2 milhões de votos a mais que os obtidos por FHC. Esse resultado ocorreu mesmo com a chantagem da obrigatoriedade de voto para os maiores de 18 anos através da ameaça de perda de emprego, impedimento de participar de concurso público, retenção de salários, impedimento de fazer matrícula em universidade federal, além da falida campanha de voto aos 16 anos promovida pelas eleitoreiras UNE/UBES, showmícios cheios de estrelas, etc., etc. Dado importante que reforça nossa análise: segundo pesquisa do IBGE, a taxa de inscrição de jovens de 16 anos para retirada do título eleitoral, diminuiu este ano 30% em relação à eleição passada.
O povo por todo o mundo tem boicotado espontaneamente esses processos eleitorais farsantes, corruptos e podres.
O papel do oportunismo de "esquerda"
O que é chamado de esquerda hoje, no mundo inteiro como no Brasil, é uma vergonhosa caricatura da direita, da conciliação e traição à luta revolucionária.
A solução para os gravíssimos problemas que afligem as massas em todo o mundo, não pode ser outra que não a destruição do Estado burguês responsável por essa situação calamitosa. Enquanto persistir esse caminho, só teremos remendos e troca de governantes de plantão. Os que hoje se colocam no posto de “oposição”, têm de fazer mil juras de que não tocarão nos pilares e dogmas do Estado burguês-latifundiário para serem aceitos, como faz Lula ao afirmar que não deixará de pagar a dívida externa que manterá a estabilidade da moeda e que honrará os compromissos assumidos por FHC. Seja qual for a intenção de qualquer candidato da “oposição” o que fazem com sua participação nessas eleições é legitimar esse processo como se fosse de uma verdadeira democracia.
O Movimento Estudantil Popular Revolucionário, soma-se às organizações populares classistas que rechaçam essa farsa, chamando especialmente os estudantes e a juventude, a NÃO VOTAR! BOICOTAR AS ELEIÇÕES! Denunciamos esse processo podre e corrupto levantando a consigna de que a rebelião se justifica, e que as massas organizadas podem tudo! Muitos companheiros nos perguntam sobre o significado do boicote às eleições já que algum presidente terá que assumir de qualquer maneira. O que acontecerá se a maioria do povo ficar sem votar? É claro que alguém será escalado pela burguesia e o latifúndio para assumir. A importância do boicote é política, pois o novo governante entrará refém do repúdio popular. Não votar demonstra a perda de ilusão neste Estado podre e corrupto, demonstra que não somos cúmplices desta farsa. O boicote por si só não resolve o problema de nosso país, devemos boicotar as eleições e nos preparar para a luta.
Resistir, lutar, construir o Poder Popular
Cada vez mais, nosso povo tem dado mostras de sua disposição de luta. O movimento camponês revolucionário cresce. As massas se levantam no campo, tomam e repartem a terra e lutam pela produção em Grupos de Ajuda Mútua; organizam-se em Ligas de Camponeses Pobres levantando o Programa Agrário e de Defesa dos Direitos do Povo conclamando as massas a RESISTIR, LUTAR, CONSTRUIR PODER POPULAR! Nas cidades, organizam-se nas vilas e favelas construindo núcleos de luta combativa e garantem com sua própria força e organização seu direito à moradia. Operários constróem a luta classista e combativa, desenvolvendo um sindicalismo vermelho e, no combate ao sindicalismo amarelo do oportunismo, apontam para as massas o caminho da luta revolucionária, aglutinando-se, somando forças com as massas trabalhadoras, professores, camelôs, pequenos e médios comerciantes. Mulheres proletárias e camponesas organizam o Movimento Feminino Popular. Essas organizações populares unem-se sob a consigna revolucionária COMBATER E RESISTIR, formando a Frente de Defesa dos Direitos do Povo.
O Movimento Estudantil Popular Revolucionário faz parte desta frente de luta, engrossamos as fileiras dos lutadores de nosso povo, organizando a luta dos estudantes no campo e na cidade por escolas e universidades que sirvam ao povo, para que as massas organizadas lutem também pelo controle das escolas e universidades e as transformem em trincheiras de luta popular.
Somar as forças populares para a derrubada completa da velha ordem existente, e para construir um novo poder, uma nova democracia. Esse é o caminho que decidimos trilhar, oposto ao da farsa das eleições, o caminho revolucionário das massas exploradas e oprimidas de nosso país.
Muitos dirão que o caminho revolucionário é muito longo e difícil. Sim, de fato o caminho revolucionário não é fácil e exigirá muito esforço e persistência de nosso povo para a libertação de nosso país. Mas que grande mudança na história da humanidade ocorreu sem que houvesse antes grandes tormentas? Difícil mesmo é querer qualquer transformação num processo eleitoral controlado totalmente pela grande burguesia, o latifúndio e o imperialismo. Isto não é difícil, é impossível. É uma ilusão achar que o caminho revolucionário é demorado. Lento é o caminho das eleições que nunca conduzirá o povo à sua libertação e sim à perpetuação da opressão e miséria. Há quantos anos votamos e nada muda? É necessário começarmos já com estas mudanças, pois por quanto mais tempo votarmos, retardaremos mais a luta revolucionária no Brasil, prolongaremos mais o sofrimento e a miséria de nosso povo. Se queremos ver nosso país livre e soberano temos que começar a construí-lo imediatamente com nossa luta, sem acreditar nas ilusões vendidas pelas classes dominantes e oferecidas pelos partidos da “esquerda” eleitoreira e seus projetos de chegar ao poder deste Estado apodrecido. É pura ilusão a possibilidade da chegada do povo ao poder de um só golpe. A História tem ensinado que o povo toma o poder parte por parte, com um pequeno poder enfrenta o poder velho e podre e pouco a pouco conquistará todo o Poder.
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