Companheiros e companheiras,
Mais de um ano se passou desde a realização da 1.ª Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo. Neste encontro nos reunimos para lançar a bandeira da organização do Movimento Estudantil Popular Revolucionário (MEPR) por todo o país. A Assembléia Nacional foi um marco histórico na luta pela construção de um novo movimento estudantil. Um movimento independente, desintoxicado do eleitoralismo e do pacifismo de UNE, UBES e dos partidos oportunistas que dirigem estas entidades burocráticas (PCdoB, PT, PSTU e outros).
Um movimento combativo que organize a luta dos estudantes dentro de cada escola, de cada faculdade, que lute por nosso direito de aprender, por uma escola livre e democrática. Um movimento rebelde, que esteja sempre ao lado do povo, dos professores, operários e camponeses; que sirva ao povo e à sua luta por sua libertação e do país das garras do imperialismo, do latifúndio e da grande burguesia. Foi com esse ideal que centenas de estudantes revolucionários de todo país se reuniram em Belo Horizonte, MG, no primeiro semestre de 2001 para discutir nosso programa e nossa organização. Foi um encontro vitorioso marcado pelos mais puros sentimentos da juventude, por nossa vibração, ousadia e coragem. A Assembléia Nacional foi um marco histórico porque nela foi feito o balanço da experiência do movimento estudantil e revolucionário bem como a crítica mais profunda ao velho movimento estudantil oportunista, ao mesmo tempo em que resgatamos o que de mais avançado fora desenvolvido no heróico passado de luta dos estudantes e de nosso povo.
A sistematização de todas as nossas decisões e deliberações foram feitas no jornal Estudantes do Povo nº1. Nele abordamos de forma profunda as questões mais gerais de nossa linha política, fizemos a análise da crise geral do capitalismo, dos preparativos da guerra interimperialista por nova partilha do mundo e da profunda crise do velho e podre Estado brasileiro; demonstramos a necessidade do mais amplo e profundo combate ao oportunismo no movimento popular e no movimento estudantil; e levantamos a luta por escolas e universidades democráticas que sirvam ao povo. O estudo e as discussões deste jornal impulsionaram nossas atividades e nossa organização, de maneira que nosso crescimento e expansão têm sido revigorados pela luta prática e teórica.
Boicotar as eleições podres e corruptas
As resoluções de nosso encontro foram praticadas ao longo deste período nas diversas lutas onde participamos e organizamos. Dentre elas destacam-se a luta por transformar a greve das federais em uma greve combativa e vermelha; a luta pela democracia nas escolas secundaristas; a luta contra a privatização do ensino público através da organização do boicote das famosas taxas de “contribuição” compulsória; a luta pela garantia da matrícula dos alunos inadimplentes nas escolas e faculdades particulares; a continuidade da luta pelo direito ao passe livre estudantil. Foram organizadas também várias campanhas de apoio à luta do povo, principalmente com a construção de comitês de apoio à luta pela terra. As lutas de solidariedade internacional tiveram destaque, sobretudo as lutas antiimperialistas, de apoio à resistência do povo afegão e do povo palestino e a luta pela libertação dos presos políticos e prisioneiros de guerra em todo o mundo.
O novo número do Jornal Estudantes do Povo chega num momento de agravamento da crise econômica, social e política, no mundo e particularmente em nosso país. Momento onde se confirma de diversas maneiras o aumento de todas as contradições no mundo hoje, o aumento da dominação imperialista, a crise do desemprego e a violência contra os movimentos camponeses; momento em que se evidencia o crescente levante das massas em diferentes países, confirmando uma nova e irrefreável onda revolucionária em todo o mundo.
Toda esta crise coincide com a próxima eleição presidencial no Brasil, e por isso a negação deste processo eleitoral farsante torna-se ainda mais importante. No número 2 de nosso jornal analisamos a podridão e farsa do processo eleitoral em nosso país, os reais significados da criação da Alca e a necessidade da luta revolucionária contra a acentuação da dominação imperialista. Na questão da educação discutimos a grave crise da educação brasileira, o papel do movimento estudantil na sua solução e a luta para que estudantes, professores e funcionários assumam o controle das escolas e as transformem em importantes trincheiras da luta popular. Reafirmamos nossa solidariedade e saudamos a resistência do povo palestino e sua luta pela destruição do estado fascista imperialista de Israel.
O número 2 do Estudantes do Povo surge exatamente no período da preparação da 2.ª Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo, que acontecerá nos dias 29, 30 de agosto e 1º de setembro de 2002, no campus da Universidade Federal Fluminense em Niterói. Este será um importantíssimo encontro que reunirá estudantes de todas as regiões do país representando ao todo mais de 15 estados do Brasil. Faremos nele um balanço de nossas atividades e discutiremos as novas etapas para a construção do MEPR em todo o país.
2003 será um ano onde a crise geral do imperialismo tomará dimensões ainda maiores e a situação da Argentina, que se generaliza na América Latina, chegará ao Brasil. Para tentar sair do buraco negro em que está entrando sua economia, os ianques preparam novas guerras de rapina. Agora será o Iraque, o Irã que serão atacados na tentativa deles de retomar o controle militar sobre as importantes jazidas de petróleo destes países.
Aproxima-se rapidamente um grande auge da luta das massas por seus direitos, a crise empurra todos para isso. Quanto mais agressão e opressão aos povos e países dominados, mais se levantarão as massas por sua libertação. Unamo-nos a esta torrente de massas em luta. Preparemo-nos para enfrentar, junto com elas, grandes ataques do imperialismo e dos governos reacionários que o servem. Nós estudantes temos um importante papel nesta luta.
O grande diferencial entre revolucionários e oportunistas neste momento situa-se entre os que se preparam para um futuro de lutas e os que se afundam mais ainda na farsa eleitoral. Preparar para grandes embates é boicotar esse processo eleitoral podre e corrupto que não muda nada e só serve para iludir as massas, organizando-nos firmemente na defesa dos direitos de todo o povo e na defesa da revolução.
É isso que trataremos na 2.ª Assembléia Nacional dos Estudantes do Povo e implementaremos com a construção do Movimento Estudantil Popular Revolucionário. Convocamos todos os estudantes que se revoltam e desejam lutar pela libertação do nosso povo, contra o imperialismo e o Estado brasileiro lacaio que o serve e contra o imobilismo e a demagogia do velho movimento estudantil, a participar deste grande encontro, onde certamente terão seu ardor revolucionário revigorado.
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