Em meados de dezembro do ano passado, uma gigantesca parafernália propagandística foi montada para a divulgação da “captura” de Saddam Hussein. Por vários dias, as emissoras de TV, telejornais e imprensa escrita, divulgaram as imagens de um Saddam abatido e submisso, enquanto lhe examinavam a dentição e a vasta cabeleira crescida nos meses de clandestinidade. Vangloriando-se do grande feito, anunciaram a captura de Saddam “como um rato escondido em uma toca”. Afirmavam que com isso estava vencida a resistência “do que ainda restava das tropas fiéis ao ex-presidente iraquiano”.
Uma grande farsa na tentativa de encobrir outra ainda maior
Devemos recordar que da primeira investida contra o Iraque, Bush afirmava que não era decisivo encontrar e capturar Saddam, que isso não representava um problema e sim as “armas de destruição em massa” que certamente estariam ocultas naquele país. Agora, tenta apresentar a captura de Saddam Hussein como o elemento chave para derrubar toda a resistência no Iraque.
Assim, Bush segue mentindo ao povo norte-americano e manipulando seus “aliados” e opinião pública mundial, posto que: nem Saddam representa um grande perigo para a humanidade, nem existem tais armas de destruição em massa no Iraque. Com a crescente resistência do povo iraquiano, o que torna frustrado o plano de dominação ianque naquele país, caem por terra todos os elementos utilizados pelo imperialismo ianque e sua política rapace.
Em dezembro de 2003, é publicado o relatório de um centro de estudos internacionais de Washington – a Fundação Carnegie, que vem contrapor as declarações feitas pelo governo norte-americano antes da guerra, acusando os dirigentes americanos de terem deformado e exagerado a ameaça das “armas de destruição em massa ocultas no Iraque” para justificar o conflito. O parecer da Fundação aponta : “Os dirigentes sistematicamente apresentaram de maneira imprecisa a ameaça representada por programas de armas de destruição em massa e de mísseis balísticos iraquianos”. De acordo com o relatório, os programas de armas de destruição em massa do Iraque haviam sido desmantelados durante a guerra do Golfo e não existiam evidências convincentes de sua reativação. A imprensa americana também divulgou manchetes sobre o assunto. Uma reportagem de capa de The Washington Post, declara: “O arsenal iraquiano só existia no papel”. Trazendo entrevistas com cientistas iraquianos, deduz – “além de suas ambições, o Iraque não dispunha dos recursos necessários para produzir um arsenal proibido”.
Bush, há vários meses parou de fazer denúncias sobre as “armas proibidas” iraquianas, preferindo apresentar outras justificativas para a guerra: a necessidade de derrubar um regime tirânico e as perspectivas de democratização do Iraque e do Oriente Médio sob a ótica americana.
“Um leão segue sendo leão, inclusive na prisão”
Essa é a declaração feita pela filha mais velha de Saddam sobre as imagens divulgadas pela CNN após sua captura. A revista alemã Der Spiegel, reproduz a entrevista concedida por Raghdad Saddam Hussein a um canal árabe, onde declara que seu pai haveria sido drogado, sendo forjada assim sua captura. Acrescentou na entrevista, que diante das tomadas de vídeo divulgadas pelo exército americano, essa seria a única forma de explicar aquelas imagens, que mostram um Saddam completamente submisso. “Crêem vocês que o teriam podido agarrar sem dopá-lo previamente? Estou segura que não”. “Onde está a imunidade de que gozam os chefes de Estado?” perguntou. E ainda: “Sinto-me orgulhosa de que este homem seja meu pai” – conclui Raghdad.
O mesmo apontamento é feito pelo jornal jordaniano Alarab Alyoum, que afirma Saddam ter sido traído por um de seus antigos colaboradores, a quem eram confiados os esconderijos utilizados por Hussein na clandestinidade. Assim, enquanto o acompanhava a um desses locais, o haveria drogado e entregado às forças norte-americanas. O traidor em questão se trata do coronel Mohamad Ibrahim al-Mislet, que trabalhou para os ianques em troco dos 25 milhões oferecidos pela captura de Saddam.
Mas aquela figura submissa de Saddam divulgada pela CNN não pôde durar muito. Segundo Muwaffak al-Rabbai, um dos quatro membros do Conselho de Governo nomeado pelos ianques a quem foi permitido ver Saddam, a comitiva foi recebida com insultos pelo prisioneiro. E quando o perguntaram porque não disparou contra os americanos durante a operação de captura, retrucou: “Já estiveram em combate alguma vez por acaso?” As imagens desse diálogo certamente não foram registradas pelas câmeras dos ianques.
Cresce a rebelião popular
É fato, que ao fazer frente ao invasor ianque, Saddam se pôs ao lado da maioria esmagadora das massas oprimidas de seu país que responderam lutando heroicamente contra as tropas invasoras. Mas isso não apaga da memória do povo iraquiano, que foi também um ditador criado e mantido pelos próprios americanos, que agora o tem prisioneiro. Quando convocou seu povo para a resistência, Saddam sabia que dariam até a última gota de seu sangue pela defesa de uma pátria livre, e assim lutam até hoje. Ainda assim, não é demais ressaltar que sua “captura” não debilita em nada a resistência iraquiana contraas forças de ocupação. É a vez do imperialismo engolir a seco a realidade que salta aos olhos: a resistência iraquiana frente a ocupação, tem como objetivo a libertação de seu povo, e não necessariamente luta em nome de Saddam.
A continuidade das contundentes ações guerrilheiras empreendidas pelo povo iraquiano, mesmo após a captura de Saddam Hussein, e o crescente número de baixas nas tropas invasoras, revelam a todo mundo, que a luta das massas vai muito além do discurso rasteiro do imperialismo. O que se trava no território iraquiano é uma heróica luta de libertação nacional. Assim, esmaece todo o discurso de pacificação do Oriente Médio e democracia ianque.
Em diversos dos nossos documentos e materiais de propaganda, costumamos reproduzir a citação do Presidente Mao Tsetung que diz: “Os imperialistas e todos os reacionários são tigres de papel”. Quiseram eles ser um dia tigres de fato e agredir o Iraque, sugar todas as suas riquezas, massacrar seu povo. Invadiram seu território, alvejaram com suas bombas assassinas muitos de seus valorosos filhos. Compuseram um governo títere com traidores do povo e agentes ao “estilo da democracia ocidental”. E então?
A cada semana noticia-se a morte de um soldado, a queda de um helicóptero. Mentiras e mais mentiras são criadas para tentar acobertar e tentar disfarçar o gosto amargo da morte que as tropas invasoras provam homem a homem. Mas agora que invadiram o território iraquiano, de nada adiantam tanques, bombas de uma tonelada, helicópteros de caça, aviões.
Sim, o imperialismo é um tigre de papel. A cada esquina as tropas invasoras são alvos fáceis para uma bala certeira. Estão todos sob a mira dos olhares injetados de ódio, olhos que presenciaram os horrores da guerra e aguardam o momento oportuno para fazer uso da dinamite, dos carros bomba, dos atentados e ações guerrilheiras surpresa para acabar com o inimigo pedaço a pedaço, não importa quanto tempo isso leve. Ergue-se no Iraque, a exemplo do Vietnã, uma luta prolongada, cruenta contra o imperialismo, que se soma a luta dos oprimidos de todos os países, e dentro em breve explodirá em todo o mundo.
Povos de todos os países, uni-vos para derrotar o imperialismo!
Viva a heróica resistência do povo iraquiano!
A imprensa internacional, após a divulgação das imagens da captura de Saddam Hussein pela CNN, se nega a divulgar qualquer dado no intento de ocultar a resistência iraquiana às tropas invasoras. Querem com isso tentar esconder do mundo, as duras baixas que o EUA vem sofrendo em suas tropas.Desde a captura de Saddam, é crescente a resistência iraquiana, e as baixas nas tropas invasoras já superam o dobro das alcançadas durante as operações de ocupação.Os dados a seguir são divulgados pelo site www.rebelion.org:
Domingo 14 e segunda 15 de dezembro
Comandantes militares do EUA consideram que a captura de Saddam Hussein não deterá as ações de resistência ;
Duas jornadas de manifestações e enfrentamentos armados entre populares e soldados americanos tem como saldo vários mortos entre iraquianos e americanos;
200 militares americanos mortos em combate desde o 1 de maio.
Quarta, 17 de dezembro
Um soldado morre em emboscada no centro de Bagdá;
Prosseguem os enfrentamentos armados em Mosul;
São soltos através de um hábeas corpus oficiais hondurenhos que se recusaram a ingressar às tropas enviadas ao Iraque
Quinta, 18 de dezembro
Novas sabotagens impedem a reabertura do oleoduto Kirkuk-Ceyhan.
Sexta, 19 de dezembro
Novas sabotagens em diversas regiões do país, exercito americano estima que mais de 1500 combatentes integram a resistência.
Segunda, 22 de dezembro
Dois soldados americanos mortos e outros dois feridos em ataque a bomba.
Terça, 23 de dezembro
Apesar da captura de Saddam, as tropas de ocupação esperam nova investida da resistência;
Atentado visando o presidente do conselho governativo deixa vários feridos.
Quarta, 24 de dezembro
Quatro militares norte-americanos são mortos em Samarra e Bagdad.
Quinta, 25 de dezembro
No natal, ataques guerrilheiros tem como alvo dois hotéis, três embaixadas, sedes bancárias e instituições governamentais;
Morrem dois sargentos americanos num ataque de morteiros a ‘Gabe’;
Emboscada contra contingente polaco em Mahawil .
Sexta, 26 de dezembro
Duas novas baixas norte-americanas em Bagdá.
Sábado, 27 de dezembro
Cinco militares búlgaros, dois tailandeses e vários policiais iraquianos mortos em ataques coordenados em Karbala;
Seis soldados americanos feridos em ataque a bomba na capital;
Nova sabotagem a um depósito de combustíveis.
Domingo, 28 de dezembro
Novas baixas militares aumentam a soma de mortos americanos para 218 desde 1 de maio.
1º a 4 de janeiro de 2004.
Quatro novas baixas mortais norte-americanas;
Entre 2 e 3 de janeiro, a derrubada de um novo helicóptero;
Três soldados feridos em uma emboscada em Ramadi na terça;
Quatro soldados americanos feridos em Tikrit e Beiji.
Segunda, 5 de janeiro
Quinta baixa dos EUA desde o inicio do ano;
Quatro soldados americanos feridos em dois ataques em Bagdá.
Terça, 6 de janeiro
Dois franceses funcionários do pentágono mortos e um terceiro ferido em ataque guerrilheiro na capital.
Quarta, 7 de janeiro
Um soldado morto e 34 feridos em um ataque a uma base norte-americana em Bagdá.
Quinta, 8 de janeiro
Ataque a um “Galaxi” com 63 tripulantes americanos preocupa comando da ocupação sobre a capacidade da resistência;
Nove mortos em um ataque a um helicóptero de assalto do EUA.
Segunda, 12 de janeiro
São 230 o número de baixas norte-americanas desde 1 de maio. O dobro do número alcançado durante as operações de invasão do Iraque.
Terça, 13 de janeiro
Derrubado o terceiro helicóptero americano nas proximidades de Faluya.
Domingo, 18 de janeiro
Primeiro atentado com carro bomba na zona de segurança máxima da Capital
Mais de 20 Pessoas foram mortas e cerca de 60 feridas na explosão de um carro bomba na primeira hora da madrugada em um dos acessoa ao complexo da Autoridade Provisória da Coalisão (a administração civil e militar da ocupação), situado na denominada “Zona Verde de segurança da capital, em um antigo palácio presidencial. Se trata do primeiro ataque com carro bomba contra instalações da admunistração da ocupação nessa zona de segurança máxima. Se estima que a ação tenha empregado uma carga de uma tonelada de explosivos.
| < Anterior | Próximo > |
|---|

