gototopgototop

Agronegócio: o Colonialismo da atualidade e o fortalecimento do velho latifúndio

Avaliação do Usuário: / 3
PiorMelhor 

camponeses3Estamos assistindo o governo Lula/FMI utilizar os monopólios de comunicação para fazer uma intensa propaganda sobre “crescimento e desenvolvimento econômico” do Brasil. A menina dos olhos, utilizada para alardear este suposto crescimento, é o chamado “Agronegócio”, a velha monocultura para exportação apresentada como a modernização e desenvolvimento do capitalismo no campo. A verdade, porém, é que nem existe um grande crescimento econômico em nosso país, nem a modernização do plantio da soja representa um desenvolvimento da estrutura agrária brasileira. O que há, por de trás desta propaganda do “Agronegócio”, é um fortalecimento ainda maior do latifúndio semi-feudal, que mantém os camponeses pobres na mais completa miséria e debaixo de intensa repressão.

O governo Lula-FMI argumenta que o Brasil é muito grande, e por isto existe espaço para “todo mundo”, para o “Agronegócio”, para a “agricultura familiar” e para a “Reforma Agrária”. O discurso é este, que existe espaço para todos, mas na prática a opção da gerência petista é pelos latifundiários, em 2004 o governo repassou 37 bilhões para o “agronegócio”, 7 bilhões para financiar a pequena produção e menos de 1 bilhão para a reforma agrária. Em dois anos o governo Lula/FMI assentou menos que FHC no mesmo período e para tentar enrolar os camponeses pobres em luta, afirma que “o que importa não é a quantidade de assentamentos, mas sim sua qualidade”. Porém a paciência não dura para sempre. A necessidade de terra para plantar e sobreviver empurrará cada vez mais milhares de camponeses a tomar as terras do latifúndio para produzir.

Ao contrário do que é propagandeado, o crescimento do chamado “Agronegócio” no Brasil não representa nenhum fortalecimento da economia nacional, ao contrário, trata-se de uma imposição dos monopólios internacionais que compram produtos básicos a preços insignificantes, que eles mesmos estabelecem. Isto não é novidade na história do Brasil. Secularmente a economia brasileira esteve baseada na exportação, seja de gêneros agrícolas, ou matérias primas. Foi assim com a cana de açúcar, com o ouro e diamantes, com o café, o cacau, a borracha e o minério de ferro. Em todos os exemplos que pudermos citar o que houve foi uma verdadeira sangria das riquezas produzidas no nosso país, direcionada aos países colonialistas ou imperialistas.

A história se repete com a monocultura para a exportação, no caso agora da soja principalmente. Várias medidas estão sendo feitas pelo governo Lula/FMI para garantir o superlucro dos monopólios estrangeiros. Estes “investidores” recebem recursos do próprio Estado para produzir a soja e outros produtos. A máscara é de modernização e desenvolvimento, mas a verdadeira base é a de um capitalismo burocrático, onde não existe nenhum desenvolvimento genuinamente nacional. Exportação não é, e nunca foi, a solução para o desenvolvimento nacional. Muito pelo contrário, sempre foi símbolo de dominação colonial, pois o que é produzido no país para exportação são produtos primários com pouquíssimo valor agregado. As máquinas, sementes e insumos utilizados no “agronegócio”, em sua maioria são importados ou produzidos por empresas multinacionais. As tecnologias desenvolvidas por brasileiros muitas vezes são patenteadas pelos monopólios que financiam as pesquisas, ou então são sabotadas para dar lugar ao padrão tecnológico dos imperialistas.

Exportamos toneladas de soja em grão, que serão utilizadas no exterior para a fabricação de ração animal. A produção de soja no Brasil é financiada pelo governo federal, que empresta dinheiro a fundo perdido para os latifundiários do “agronegócio” “desenvolverem o Brasil”. Estas linhas de crédito são criadas com o dinheiro que o governo toma a juros dos banqueiros internacionais, estes empréstimos são contigenciados, ou seja, são liberados para fins específicos, no caso, o financiamento da produção de soja. Então o imperialismo empresta dinheiro ao Brasil para produzirmos sojas para eles, nos pagam um preço baixíssimo por nossa produção e nós ainda temos que pagar os juros altíssimos. Assim quanto mais vendemos, mais nos endividamos e maior é o prejuízo. Não é o país quem ganha, mas os grandes grupos imperialistas que monopolizam o “agronegócio”.

lula_sojaAs empresas que controlam a produção agrícola lucram milhões, possuem crédito barato, subsídios governamentais e isenção fiscal. No Brasil os produtos para exportação não são taxados com impostos, o que significa que a soja brasileira é mais barata no exterior do que aqui dentro, e é assim com todos os produtos exportados. A produção de soja está cada vez mais nas mãos da Monsanto, empresa norte-americana que vende a soja transgênica round up e produz os agrotóxicos fortíssimos que só a sua semente suporta. Grande parte da soja produzida no Brasil já é transgênica, no Rio Grande do Sul, já representa 90% da produção. Acontece que para se produzir a soja da round up, que possui uma produtividade relativa maior, os produtores são obrigados a pagar royaltes, uma taxa para a Monsanto, de acordo com o volume de sua produção. Com tendência da soja brasileira, assim como é na Argentina e EUA ser 100% transgênica, todo o agronegócio pagará royaltes para a Monsanto, vejam a que ponto chegamos, paga-se taxas aos monopólios privados e se isento dos impostos sociais. Um outro problema já enfrentado pelo agronegócio é a superprodução de soja no mercado internacional. Isto significa que existe mais soja no mercado do que gente interessada ou que tenha meios para comprá-la, esta crise tem provocado uma diminuição aguda do preço internacional da soja. Logo sobrará soja no mercado, ou preço estará tão baixo que não compensará exportá-la. O que irá acontecer? Mais uma vês o Estado burguês-latifuindiário “para salvar da quebradeira aqueles que desenvolvem o Brasil” irá comprar a soja com os preços antigos e quem sabe irá atirá-la ao mar, como fez Gerúlio Vargas para salvar os produtores de café.

Agronegócio, latifúndio de “novo” tipo

Quando o governo Lula-FMI fala que o Brasil é tão grande que comportaria sem problemas tanto a grande propriedade latifundiária como a pequena propriedade, na verdade está defendendo a possibilidade da convivência pacífica entre duas classes sociais antagônicas, a saber, camponeses pobres e latifundiários. Os oportunistas sempre defenderam esta posição, ao apontar em seus programas somente a desapropriação do latifúndio improdutivo. Isto pressupõe que exista um latifúndio que seja produtivo, justificando assim a produção dos monopólios no campo. Como solução para a pobreza no campo, o oportunismo defende o fortalecimento da “agricultura familiar”, como se esta representasse um novo tipo de relações de produção, uma via de desenvolvimento oposta ou alternativa ao “agronegócio”. A contradição não estaria, para os oportunistas, entre grandes proprietários e pequenos camponeses, latifundiários e camponeses pobres, mas entre dois caminhos de desenvolvimento. A solução desta contradição não se daria pela supressão de uma via ou outra, mas pela combinação de ambas, onde na verdade primeira submete e espolia a segunda.

O agronegócio, ou o latifúndio tradicional, e a agricultura familiar, não são duas vias opostas de desenvolvimento, nem também podem conviver em harmonia. Ambas compõem o sistema latifundiário, onde o latifúndio e agora o agronegócio, explora a pequena produção camponesa de mil maneiras. O latifúndio e a produção capitalista burocrática no campo não existiriam sem se sustentar na exploração semi-feudal dos camponeses pobres e de sua agricultura familiar. A convivência com o latifúndio e com o agronegócio, ou o incentivo a agricultura familiar representam a perpetuação da miséria camponesa. A “agricultura familiar” é uma forma de pequena produção camponesa, dentro do capitalismo burocrático, de caráter semi-feudal, onde o camponês é obrigado a explorar sua própria família para sustentar a brutal exploração que sofre do latifúndio tradicional e do “agronegócio”. A exploração da agricultura familiar pelo agronegócio fica evidente na expansão da fronteira agrícola. Na pecuária extensiva, por exemplo, o latifundiário arrenda uma área de mata de suas terras, o camponês com sua família faz a derrubada da floresta e planta o milho, então o dono da terra usando “modernos” aviões espalha semente para o pasto, depois da empreitada o camponês terá o direito fazer a colheita do milho antes de abandonar a terra. Acontece que o trabalho de derrubada é muito maior que o de plantio do milho, e esse trabalho é literalmente roubado dos camponeses e de suas famílias. Esta mesma realidade acontece na expansão das lavouras de soja. Onde estão as relações capitalistas de produção? Alguns dirão, nos assalariados do agronegócio, porém estes não passam de 400 mil em todo o Brasil, o restante são explorados de maneira semi-feudal, tanto pelo agronegócio como pelo latifúndio tradicional.

A existência da grande propriedade latifundiária capitalista burocrática, sustentada no poder político do Estado, expressão da aliança de classes do latifúndio e da grande burguesia, tudo sobre a égide do capital financeiro internacional, tem se viabilizado economicamente ao longo dos anos se apoiando, exatamente, na grande propriedade latifundiária e na existência de uma economia camponesa (agricultura familiar). A maior parte da produção para o mercado interno é feita pela pequena produção camponesa. Devido à super exploração dos camponeses os alimentos chegam a um preço muito baixo na cidade, garantindo assim que o salário do operário seja o menor possível, já que o valor deste é somente o suficiente para repor a sua força de trabalho. É desta forma que a pequena produção camponesa é explorada pela estrutura do capitalismo burocrático existente no nosso país.

camponese1Quanto ao “agronegócio”, em particular, este nada mais é do que a produção na grande propriedade latifundiária, através de seu arrendo, própria do capitalismo burocrático, financiada pelo Estado, baseado na exploração pré-capitalista da força de trabalho, que incluem muitas vezes trabalho escravo. Grandes burgueses e instituições financeiras que pagam renda capitalista aos latifúndios de “velho tipo”, enricando esta classes retrógrada e aumentando ainda mais a concentração fundiária no Brasil. O velho latifúndio ao contrário de se enfraquecer se fortalece com o chamado agronegócio. A grande procura de terras gerada pelos incentivos governamentais ao agronegócio tem provocado um significativo aumento do preço das terras no Brasil, dando ao latifundiário a possibilidade de vender sua propriedade acima do preço de mercado ou utilizá-la como garantia para suas operações de especulação financeira.

Algumas medidas do governo vão claramente no sentido de favorecer e fortalecer estas classes. Exemplo disto é a redução de prazo para resgate do título da dívida agrária. Antes o governo comprava a terra e os latifundiários descontavam os títulos após 20 anos. Agora o governo diminuiu o prazo para cinco anos, isto faz com que os títulos tenham praticamente valor de moeda.

O que o “agronegócio” prova é que o latifúndio é a base política e reserva do imperialismo e da grande burguesia. No Estado de capitalismo burocrático, o capitalismo que se desenvolve nos países coloniais e semi-coloniais à época do imperialismo, ao não destruir as velhas estruturas existentes, mas incorporando-as se apoiando nas classes dominantes de então (latifundiários feudais e semifeudais) como base econômica para controlar o poder político e desenvolver a burguesia.

A contradição principal de nossa sociedade é de fato aquela que opõe campesinato pobre e um sistema latifundiário (a grande propriedade e seu monopólio e concentração da posse da terra) estruturado e amparado no velho Estado. O que o “agronegócio” prova é que a destruição do latifúndio como um todo está na ordem do dia, visto que o imperialismo se vê obrigado a utilizar de suas reservas para seguir dominando e explorando.

Esta destruição do latifúndio só é possível através da Revolução Agrária feita pelas mãos dos próprios camponeses do nosso país.