Na passagem dos 200 anos do nascimento do célebre cientista inglês Charles Darwin, apresentamos uma síntese dos 3 princípios de sua teoria acerca da expressão das emoções que, publicada 13 anos após o “A origem das espécies pela seleção natural”, teve grande importância para sustentar a teoria evolucionista como verdade científica.
Na passagem dos 200 anos do nascimento do célebre cientista inglês Charles Darwin, apresentamos uma síntese dos 3 princípios de sua teoria acerca da expressão das emoções que, publicada 13 anos após o “A origem das espécies pela seleção natural”, teve grande importância para sustentar a teoria evolucionista como verdade científica.
Preocupado com a aceitação que teriam suas idéias anticriacionistas, Charles Darwin, publicou nos anos seguintes outros livros para sustentar sua teoria, entre eles, “A expressão das emoções nos homens e nos animais” (1872). O livro ultrapassa seu objetivo inicial provando que também a mente humana, e não só o corpo, é um produto da evolução.
Darwin divide didaticamente as expressões em três princípios básicos que, segundo ele, explicam quase todas as expressões: o primeiro relata a força do hábito; o segundo é o princípio da antítese e o terceiro refere-se à ação direta do sistema nervoso.
O princípio dos hábitos associados úteis diz que movimentos convenientes em alguns estados de espírito (sejam eles úteis para aliviar ou gratificar sensações ou desejos ou até mesmo com uma utilidade pratica e objetiva) tornam-se habituais através da repetição. Assim são repetidos todas as vezes que aquelas, ou parecidas sensações são experimentadas novamente, mesmo que em um segundo momento elas não tenham mais utilidade. E ainda se tentamos conter certos movimentos habituais acabamos por realizar outros que também são caracterizados como expressivos.
Um exemplo presente em nosso cotidiano é o de que quando uma pessoa tenta lembrar alguma coisa, muitas vezes levanta as sobrancelhas como se pudesse vê-la. Outro exemplo fica evidente quando vamos descrever algo assustador que vimos, frequentemente fechamos os olhos ou mexemos a cabeça para “não ver ou afastar” o acontecido. Ou ainda, quando olhamos para um objeto, ou uma situação ao nosso redor, tendemos a levantar as sobrancelhas para abrir bem rápido os olhos. Através desses exemplos podemos entender como movimentos associados úteis foram adquiridos e fixados pelo hábito sendo reproduzidos mesmo em situações em que não são mais necessários.
O princípio da antítese parte da conclusão de que determinados estados de espírito estão associados a certos movimentos expressivos, tal como vimos no primeiro princípio. Entretanto, quando experimentamos emoções opostas àquelas habituais, temos uma tendência forte e involuntária de realizar movimentos de natureza contrária, mesmo que estes não tenham mais utilidade. Acredita-se que esse princípio foi originado inconscientemente por associação e hábito e assim selecionado e herdado por apresentar alguma utilidade evolutiva.
Um bom exemplo deste princípio é o comportamento de um cão ora se preparando para atacar, ora acariciando seu dono. Quando um cachorro aproxima-se de um estranho num espírito feroz ou hostil, ele caminha empinado e muito tenso; sua cabeça levemente levantada, ou não muito baixa; a cauda erguida e rígida, o pelo arrepiado, especialmente no pescoço e dorso; orelhas em pé voltadas para frente e olhar fixo. Entretanto, se o cachorro perceber que o homem não é um estranho, mas sim seu dono, sua atitude será completa e instantaneamente revertida. Em vez de caminhar empinado ele se curva ou até rasteja, dobrando-se todo; a cauda, em lugar de rígida e erguida, fica abaixada e abanando; seu pelo torna-se instantaneamente macio; suas orelhas abaixam e caem para trás; e seus lábios pendem molemente. Pelo repuxar das orelhas as pálpebras se alongam e os olhos não mais parecem redondos e fixos.
Nenhum único dos movimentos acima é da menor utilidade para o cachorro. Ele se explica unicamente por estar em plena oposição aos movimentos e atitudes que o cachorro adota quando pretende brigar.
O principio da antítese é importante para a comunicação entre os animais sociais dentro de uma comunidade - a língua dos surdos e mudos é uma demonstração disto, pois os símbolos de significados opostos são também feitos através de gestos opostos: claro/escuro, sobre/sob, bom/ruim, igual/diferente etc.
O princípio das ações devidas à constituição do sistema nervoso, totalmente independentes da vontade e, num certo grau, do hábito, define que quando uma forte emoção é experimentada, ela estimula o sistema nervoso gerando força nervosa em excesso - que deve ser gasta. Para isto ela é dirigida a certas direções, dependendo da conexão existente entre as células nervosas, promovendo assim a realização de movimentos expressivos independentes da vontade e num certo grau do hábito.
Um exemplo deste último princípio é quando um homem ou animal experimenta uma dor intensa. Esta desencadeia os mais violentos e diversificados esforços para que escape da sua causa e assim tem sido por gerações e gerações. Mesmo quando um membro ou outra parte separada do corpo é ferida, muitas vezes vemos uma tendência a sacudi-la, como para livrar-se da causa, ainda que isso seja obviamente impossível. Assim, estabeleceu-se um hábito de contrair com força todos os músculos sempre que se experimenta um sofrimento intenso. Como os músculos do tórax e dos órgãos vocais são habitualmente usados, há sempre uma tendência para que sejam acionados produzindo gritos e soluços fortes e cortantes. Mas o beneficio obtido com esses gritos provavelmente desempenha aqui um importante papel; pois a maioria dos animais jovens, quando ameaçados ou sofrendo, “gritam” por seus pais para ajudá-los, como o fazem os membros de uma comunidade para ajudar-se mutuamente.
| Comportamento de cão com intenções hostis |
Comportamento de cão em estado afetuoso
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Os três princípios descritos frequentemente se cruzam e um pode influenciar no outro. Por isso, às vezes, torna-se impossível a separação deles em cada caso particular.
Todos os princípios descritos, de maneira geral, tratam de expressões decorrentes de emoções que foram adquiridas durante a evolução e selecionadas por apresentarem uma vantagem adaptativa tal como descreve a teoria da seleção natural. Acredita-se que essas adaptações foram herdadas de nossos antepassados distantes e por isso hoje podem nem ser mais úteis, tendo em vista que já foram um dia.
Assim, Darwin sustentou sua teoria evolucionista através de um pilar interessante e inovador que são os aspectos biológicos do comportamento de homens e animais.
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