Enquanto oportunistas de todo tipo, cães de guarda dos governos e das reitorias que são, decretavam, em 2007-2008, após a onda de manifestações e ocupações de reitorias em universidades de todo o Brasil contra o demagógico projeto do REUNI (uma das facetas principais da contra-reforma universitária encomendada pelo Banco Mundial e aplicada com esmero pelo governo oportunista de PT/Pecedobê), a vitória dos setores burocrático-reacionários das universidade e a derrota dos estudantes, nós dizíamos: alto lá, senhores!
Olhando o quadro atual das universidades, impõe-se a constatação de que os estudantes brasileiros seguem se organizando e lutando, derrotando ao mesmo tempo as burocracias universitárias e a camisa-de-força imposta pelas diferentes correntes oportunistas. Em que pese a ausência de uma direção unificada para esse processo, fator que é um importante limitador, a tendência é que as mobilizações sigam ocorrendo e, como um rastilho de pólvora, sacudam todo o país. É o que tem ocorrido e que seguirá ocorrendo.
UFMG: MEPR mela festa do Ministro Fernando Haddad
No dia 20 de abril esteve na Faculdade de Educação (FAE) da UFMG para fazer a abertura do XV ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, o ministro cara de Pau, Fernando Haddad. Logo que iniciou suas saudações foi surpreendido por militantes do MEPR, estudantes de pedagogia da UFMG, UEMG, PUC e estudantes secundaristas da União Colegial de Minas Gerais (UCMG). O Ministro mentiroso teve de ouvir a denúncia sobre o processo movido contra 8 estudantes por participarem de combativa manifestação em frente ao MEC, em 2006.
UNIR: Greve x Fascismo
Em 22 de fevereiro os estudantes da Universidade Federal de Rondônia decretaram greve no campus de Rolim de Moura. Os estudantes denunciavam as precárias condições de ensino, como a falta desde biblioteca até água potável para o consumo! Após 15 dias de combativa greve, boa parte das demandas estudantis foram atendidas.
Durante o processo de greve os setores mais reacionários da universidade não contiveram seu ódio aos manifestantes e chegaram ao ponto de ameaçar a vida da professora da Faculdade de Educação Marilsa Miranda de Souza. O fato foi amplamente denunciado pelo DCE da UNIR e o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos-CEBRASPO lançou uma carta aberta contra tais ameaças e a escalada fascista na universidade. O documento contou com adesão de numerosas entidades e setores da intelectualidade brasileira (ver Carta completa e assinaturas no sítio do MEPR).
Greves Estudantis
Unimonte - No dia 16 de abril, em assembléia, os estudantes da UNIMONTES (Montes Claros) decidiram aderir à Greve iniciada por servidores e professores em apoio a suas justas reivindicações e, principalmente, para impulsionar a luta em defesa da educação pública e gratuita, por condições básicas de ensino, pesquisa, extensão e assistência estudantil.
UnB - Após o anúncio feito pela reitoria da UnB de que cortaria da folha de pagamento de servidores e professores uma gratificação que corresponde a 26% do salário (imaginem!), esses entraram em greve no dia 9 de março. A greve unificada de estudantes, servidores e professores durou mais de dois meses enrentando toda a intrasigência do governo federal. Os estudantes tiveram importante participação na jornada de lutas, imprimindo, além das suas próprias bandeiras, a combatividade própria ao movimento estudantil.
UFT - Na semana de 11 de maio os estudantes de Serviço Social da Universidade Federal de Tocantins deflagraram combativa greve em defesa de seu estágio supervisionado. Os estudantes da cidade de Miracema reivindicam transportes que lhes permitam acesso ao referido estágio (uma vez que, muitas vezes, têm de cursá-lo em outras cidades) e aumento da quantidade e do valor pago pelas bolsas.
A USP segue com muitas lutas e greves!
Em Assembléia realizada no dia 18 de março os estudantes da USP resolveram ocupar uma das sedes administrativas da Coordenadoria de Serviço e Assistência Social da USP (COSEAS).Os estudantes, moradores do CRUSP (Conjunto Residencial da USP) e candidatos sem vaga à moradia apresentaram uma pauta de reivindicações que incluía, dentre outros ítens, mais vagas na moradia, transparência nos processos seletivos para os programas de permanência e o fim das expulsões e da vigilância sobre os estudantes que habitam a residência universitária.
No último dia 29 de abril foi a vez dos funcionários deflagrarem greve. O REItor da USP, João Grandino Rodas, não tardou em anunciar o corte de ponto dos grevistas e as ações de perseguição.
Estudantes da UFMT ocupam reitoria
Após vários dias de greve e ocupação da reitoria da UFMT pelos estudantes, esses encerraram o movimento em 23 de abril, obtendo importantes vitórias. A reitora se comprometeu a reformar o restaurante universitário e concluir a construção da Casa do Estudante, no campus de Cuiabá. Quanto à falta de professores, principal reivindicação da greve, até o momento não houve ainda uma definição.
Greves de professores em São Paulo e em Minas Gerais
No dia 8 de março professores e funcionários da rede pública de educação de São Paulo decretaram greve, exigindo melhores condições de trabalho. A rede, que conta com 220 mil professores e 5 milhões de funcionários, teve uma expressiva paralisação da ordem de 80%. No dia 26 de março o governador José Serra enviou a tropa de choque da PM para agredir professores e funcionários durante manifestação. A categoria, longe de se intimidar, respondeu lançando paus e pedras contra a gendarmaria do Estado.
No dia 8 de abril foi a vez dos professores da rede estadual de Minas Gerais iniciarem o movimento grevista por melhores condições de trabalho e salário. A resposta do Estado não tardou: o Tribunal de Justiça decretou a ilegalidade da greve enquanto que o governo estadual cortou o ponto da categoria. A resposta dos professores foi manter suas reivindicações e dar prosseguimento à luta.
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