O MEPR se propõe a propagandear e apoiar a luta pela Revolução Agrária, e é assim que todos os anos o movimento organiza a ida ao campo de estudantes para conhecer de perto a luta dos camponeses pobres contra o latifúndio. Seguem relatos de estudantes que foram ao campo em Pernambuco.
“Peri - Peri é do Povo! A luta pelo direito de produzir o próprio alimento esbarra no direito ilegal e injusto adquirido historicamente pelo latifúndio, que se apossou da terra. O poder e a ganância dos fazendeiros recebe apoio incondicional de uma mídia vendida que criminaliza os que lutam pelo direito à terra. Enquanto isto, a violência contra os camponeses é observada de maneira calma e tranqüila pelos três poderes que compõem o nosso Estado de Direito. (...) Por isto quero dizer: companheiros de Peri-Peri se o latifúndio está contra vocês, se o Estado na amplitude dos três poderes é contra vocês, se a mídia é contra vocês, vale a pena estar do lado de vocês. Afinal quem tem tantos ‘bons’ inimigos só pode ser nosso Amigo...”
(Angela Freitas Maciel, Ciências sociais, UFPE)
“Nestas visitas o que vimos foram muitas plantações, casas com tijolos feitos pelos próprios camponeses, crianças brincando na Escola Popular, muita alegria e esperança de um futuro melhor. Conhecemos homens e mulheres de muita garra, trabalhadores, conscientes e firmes (...) É triste saber que tanto suor e tantas horas de dedicação e trabalho vieram abaixo em poucos minutos pelo trator do latifundiário. Mais revoltante ainda foi saber das ameaças dos pistoleiros e do assassinato de um apoiador da luta de Peri-Peri. Por isto, voltamos aqui para trazer apoio a estas famílias que além de perderem tudo que plantaram e construíram estão sofrendo ameaças e perseguições constantes”
(Escrito por estudantes da UFPE).
“Visitei algumas vezes os acampamentos da Ligas dos Camponeses para melhor conhecer o trabalho e a luta do movimento. Como integrante do Grafiola, coletivo que trabalha a comunicação a serviço das movimentações populares, tive [e ainda tenho] a oportunidade de registrar as histórias, o cotidiano, os ideais e a admirável organização da LCP. Conheci pessoas simples, humildes e trabalhadoras, com força e determinação suficientes para lutar pelos seus direitos, dar valor verdadeiro a terras que eram exploradas pela ganância dos poderosos e fazer valer a máxima: terra para quem nela trabalha!”
(Gabriel Muniz, Cinema, UFPE)
“O latifúndio é enorme. Nunca havia tido nenhum contato com o latifúndio, e o espaço, de fato, me surpreendeu. Caminhamos por volta de duas horas e não conseguimos ver todo o terreno. Falamos das lutas que ali aconteceram e estão para acontecer...”
(Laila Aline, Psicologia, UFPE)
“Estar em Lagoa dos Gatos foi antes de qualquer coisa, uma experiência de uma vida e, sobretudo, um chamado de ação para uma vida que exige de nós um posicionamento mais contundente frente às mazelas impostas por este sistema corrupto de exploração humana e aviltamento das condições de trabalho, moradia, saúde e educação às quais o povo sofrido das mais variadas regiões do Brasil...”
(Bandeira, Pedagogia, UNEB - Campus XIII)
Servir ao povo de todo coração
Esse apoio à luta camponesa é de extrema importância para a continuidade e o desenvolvimento da Revolução Agrária em nosso país. E, igualmente, em contrapartida, é também fundamental para os jovens estudantes, para a sua formação adequando o conhecimento técnico e teórico aliado à profunda ligação com as massas, ensinando e sobretudo aprendendo com elas o tempo inteiro.
Por isso é importante organizar visitas periódicas às Áreas Revolucionárias, para ali travar conhecimento e participar ativamente do trabalho e da luta coletivas. Por outro lado também é importante levar delegações camponesas para dentro das universidades, fazendo dessas autênticas caixas de ressonância da luta de nosso povo.
Somente compartilhando da vida do povo pobre do nosso país, e sobretudo da massa camponesa, a com mais longa e heróica trajetória de luta, poderemos conhecer de fato a realidade do Brasil (aquela que não aparece na televisão) e, principalmente, brigar por transforma-la!
Servir ao povo de todo coração,
Tropa de choque da Revolução!
Viva a Revolução Agrária!
Abaixo a Criminalização do Movimento Camponês!
Em abril último a máxima representante da bancada ruralista no Congresso Nacional, a reacionária desbocada Kátia Abreu (DEM-TO) enviou ao governo federal um projeto nacional que visa “combater as invasões de terra”, ou seja, institucionalizar a criminalização da luta camponesa. No mesmo mês a Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou dados apontando que em 2009 ocorreram 25 assassinatos e 71 denúncias de tortura contra camponeses em todo o país (dado que está, certamente, subestimado).
Na verdade vive-se, sobre o atual governo Luis Inácio, uma ofensiva reacionária sem precedentes contra o movimento camponês. Não bastassem esses dados da própria CPT, a recente divulgação do índice GINI que aponta o aumento da concentração fundiária, o aluguel de milhões de hectares da Amazônia para o “agronegócio” e a expulsão desta, a ferro e a fogo, das famílias camponesas, o Sr. Luis Inácio teve ainda o desplante de declarar solenemente que os usineiros eram os verdadeiros “heróis nacionais”. Imaginem!
Tanto é assim que numa ação coordenada do governo federal com o governo da canalha Ana Júlia Carepa, também do PT, no Estado do Pará, foi realizada a maior operação de guerra desde a guerrilha do Araguaia intitulada, curiosamente, “Operação Paz no Campo”. Tal operação, que contou com a cobertura sensacionalista e policial dos monopólios de imprensa, terminou com vários camponeses presos, torturados e já teve 13 lideranças camponesas da região assassinadas desde então. Recentemente o latifúndio seqüestrou, torturou e assassinou os coordenadores da Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental Élcio Machado e Gilson Gonçalves.
Nós do MEPR exigimos punição a todos os criminosos que têm erguido sua mão contra o heróico movimento camponês no Brasil e não descansaremos enquanto justiça não for feita, o que só ocorrerá cabalmente quando esse velho Estado burguês-latifundiário (cujo principal fundamento é o monopólio da terra) estiver destruído.
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