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Guerra Popular - Viva a Índia Revolucionária

pg09-pg10_Assemblia_de_Mulheres_em_Largarh A Índia é um país localizado na Ásia Meridional (faz fronteira com Paquistão, China, Nepal...) e comporta a segunda maior população mundial, com mais de 1,1 bilhão de pessoas.

Sua independência foi decretada oficialmente em 1947, mas na verdade, este período do pós-II Guerra Mundial representou apenas a passagem de sua condição de colônia inglesa à de semi-colônia.

Por isto mesmo, os problemas mais elementares do povo nunca foram resolvidos. As massas continuaram submetidas ao feudal sistema de castas, recebendo salários de fome e amargando as mais perversas mazelas sociais. Segundo dados oficiais: 27,5% da população total vive abaixo da linha da pobreza; quase 50% das crianças com menos de 5 anos são subnutridas; 34,9% da população acima de 15 anos é analfabeta; 69% da população não conta com saneamento básico; 33% das casas não têm energia elétrica.

pg09-pg10_Em_Largarh_massas_queimam_sede_do_revisionista_PCI_marxistaSalta aos olhos, do exposto acima, a similaridade entre esse imenso país Asiático com o Brasil, gigante da América Latina. Similaridade essa diametralmente oposta, naturalmente, àquela apontada pelos monopólios de imprensa que os identifica como “emergentes”, ou até mesmo “potências do século XXI”, etc. Na realidade, as semelhanças repousam na condição semifeudal e semicolonial de suas economias, no seu desenvolvimento nacional calcado em um capitalismo burocrático, ou seja, apoiado no monopólio da terra e na dominação imperialista e em todo tipo de retrógradas relações de produção (o que na Índia, com a manutenção do regime de castas, fica ainda mais evidente). É notória também a completa ausência de democracia para as massas populares, democracia essa que somente pode ser conquistada através da Revolução de Nova Democracia, ininterrupta ao socialismo, dirigida pelo proletariado, através do seu Partido Comunista.

E é precisamente a existência desse Partido, que dirige a invencível Guerra Popular há quatro décadas, o que tem permitido os avanços em todos os aspectos da vida do povo indiano, naquelas bases de apoio em que nasce um novo poder. Desde a alfabetização universal, passando pela abolição do anacrônico regime de castas, a expropriação dos latifundiários e distribuição das terras aos camponeses, a defesa dos direitos dos povos tribais, todas essas são conquistas do processo revolucionário. E sabemos que esse caminho trilhado atualmente pelo povo indiano é o único caminho possível para os povos se libertarem.

 

O Partido Comunista e o Levante de Naxalbari

pg09-pg10_Manifestao_Popular_contra_operao_Caada_Verde O proletariado indiano conformou seu partido de vanguarda em 1925, sob impacto da Revolução Russa, que triunfara 8 anos antes, e em meio às lutas de libertação nacional que sacudiam a Índia.

Ao longo dos trinta anos seguintes o PCI participou crescentemente da vida política da Índia mergulhada nos conflitos da luta de libertação do domínio colonial inglês, propugnando o caminho revolucionário que pudesse conquistar a verdadeira independência nacional. Em meados da década de 1950 todo o movimento comunista internacional começava a viver um cenário bastante complexo impactado pelos resultados do 20º Congresso do PCUS, em 1956, que desencadeara a restauração capitalista naquele país. Este acontecimento provocou a mais contundente luta de duas linhas nas fileiras do movimento comunista ao nível mundial. Esta luta contra o revisionismo moderno foi vanguardeada pelo Partido Comunista da China, dirigido firmemente pelo Presidente Mao Tsetung. A defesa da linha proletária pelo PCCh repercutiu nos partidos comunistas de todo o mundo.

Na Índia esta luta ideológica teve seu maior expoente com a formação de uma fração à esquerda liderada por Charu Mazumdar, que promoveu uma justa ruptura no Partido e levou a cabo a reconstituição do Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) – PCI (ML). Mazumdar e os demais autênticos comunistas indianos declararam que a direção do partido havia “traído a causa da revolução indiana, escolhendo o caminho do parlamentarismo e a colaboração de classes”, daí a inevitabilidade da cisão para impulsionar a revolução na Índia pela via da luta armada, sob forma de Guerra Popular Prolongada.

Ele tomou partido das posições defendidas por Mao Tsetung e, em contraposição às orientações do PCUS revisionista, formulou o caminho da Revolução Indiana como sendo Revolução de Nova Democracia ininterrupta ao Socialismo, tomando os camponeses como força principal e o proletariado como classe dirigente da revolução.

Esta nova formulação teórica e política do PCI (ML) logo encontrou eco nas massas populares indianas, resultando no levante camponês de Naxalbari (aldeia localizada no estado de Bengala Ocidental) no ano de 1967.

O levante de Naxalbari foi protagonizado pelas massas de camponeses e adivasis (denominação para os povos tribais da Índia) que, contando com a direção comunista e com o recente Grupo Guerrilheiro do Povo, organização armada do Partido, realizaram uma verdadeira democracia com suas próprias mãos: tomaram terras dos latifundiários e distribuíram entre os camponeses sem-terra; queimaram os títulos de propriedade dos latifundiários; aboliram as dívidas dos camponeses pobres e julgaram e justiçaram os inimigos do povo.

A insurreição de Naxalbari aconteceu um ano após o início da Grande Revolução Cultural Proletária na China que elevou e fez acirrar ainda mais a luta entre os verdadeiros comunistas no mundo e seus falsificadores (revisionistas). Enquanto os revisionistas da URSS, e seus seguidores na Índia, propunham a convivência pacífica com o imperialismo e a possibilidade de se fazer revoluções não-violentas, os povos tribais e os camponeses pobres da Índia se levantavam em fúria com armas nas mãos pela tomada do Poder político, fazendo confrontar, na prática, os dois caminhos para a revolução.

A repressão ao Levante de maio de 1967 foi bastante cruel e conseguiu derrotar a sublevação alguns meses depois. Mais de 10.000 pessoas foram mortas pela repressão e muitos militantes do Partido foram dados como “desaparecidos”, além de inúmeros outros torturados e assassinados - como aconteceu com o próprio líder Charu Mazumdar em 1972.

Esta bárbara repressão causou certa desarticulação no movimento revolucionário, dando origem a algumas organizações que seguiram persistindo na linha da Guerra Popular, contudo como frações separadas por divergências em diversos problemas da revolução na Índia.

Somente em 2003 duas destas organizações (Centro Comunista Maoísta e Centro Revolucionário Comunista da Índia) promovem sua unificação fundando o Centro Comunista Maoísta da Índia (CCMI).

Em setembro de 2004, o CCMI unifica-se com o Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) (Guerra Popular) dando origem ao Partido Comunista da Índia (Maoísta) – PCI(M). Esta unificação representou um gigantesco salto para o movimento comunista e a revolução no país que, desde então, vem aumentando exponencialmente suas ações e sua influência política entre as massas. Dos 28 Estados que compõem a Índia, totalizando uma população de mais de 1 bilhão de habitantes, o PCI (M) atua organizadamente em 20 (destacando-se nos estados de Chhattisgarh, Jharkhand, Uttar Pradesh, Asma, Uttaranchal, Kerala, Tamil Nadu, Bengala Occidental, Gujarat, Andhra Pradesh, Madhya Pradesh, Orissa, Maharashtra, Bihar, etc.) o que significa controle de algo em torno de 182 dos 602 distritos do país!

Daí podemos claramente entender o grande perigo que o desenvolvimento da Guerra Popular naquele país representa para as classes de grandes burgueses, latifundiários e para a dominação imperialista, principalmente para os ianques. Além do grande significado e dimensão internacional enquanto processo revolucionário na atualidade.

 

Levante Popular em Lalgarh

pg09-pg10_Mulheres_armadas_com_arco_e_flecha_em_Assemblia_em_Largarh A região de Lalgarh fica localizada no estado de Bengala Ocidental e foi sacudida em novembro de 2008, após a brutal repressão desencadeada pelo Estado contra as massas pobres. A ação sanguinolenta do Estado se deu em resposta ao ataque do Exército Guerrilheiro Popular de Libertação, dirigido pelo PCI (M), que tentou aniquilar o ministro-chefe do estado. A ação ocorreu, com explosões de minas terrestres, no momento que este voltava da inauguração de uma usina siderúrgica em terras tribais – empreendimento amplamente rejeitado pelas massas de adivasis.

Os revisionistas do PCI (Marxista), que há anos governam Bengala Ocidental, do qual faz parte o distrito Lalgarh, capitanearam uma repressão ilimitada aos camponeses da região com prisões arbitrárias, torturas, desaparecimentos  forçados e assassinatos. Contra a violência do Estado os povos tribais se levantaram em fúria numa onda de protestos e enfrentamentos com as forças do Estado que se alastrou também por outras zonas – no fim de novembro mais de 400 aldeias já participavam dos protestos. Tanto que no dia 1º de dezembro de 2008 cercaram a sede do partido revisionista incendiando-a e destruindo-a. Ação que levou os revisionistas do Pecedobê aqui a “condenar”, compartilhando os crimes e o medo das massas, comuns a todos os traidores e renegados.

Em meio a este processo foi formado o Comitê Popular Contra as Atrocidades Policiais que formulou uma Carta com 13 reivindicações, entre elas, a anulação de falsas acusações respondidas por pessoas do povo desde 1998; a indenização das vítimas da violência policial; e o pedido de desculpas do ministro-chefe pela brutalidade dos seus agentes policiais.

Em 27 de novembro de 2008 o governo teve que ceder à pressão do Comitê Popular e retirou seus 13 acampamentos policiais que ficavam instalados nas escolas e impediam os estudantes de terem aulas.

Em 7 de dezembro foi feito um acordo contemplando 10 pontos do Comitê Popular que garantiu o pagamento de despesas médicas aos camponeses feridos, a retirada das acusações contra manifestantes e a libertação de estudantes detidos durante os protestos.

Mesmo depois deste acordo os meses seguintes foram de muita mobilização e protestos populares. Vários intelectuais indianos declararam seu apoio ao movimento popular e também o movimento estudantil, secundarista e universitário, se somou nas manifestações de rua e na solidariedade aos adivasis.

 

Operação Lalgarh

pg09-pg10_Favela_Dharavi Em 19 de junho de 2009 o Estado indiano iniciou uma ofensiva contra os adivasis e o Partido Comunista da Índia (Maoísta), que exerce a liderança entre as massas e detem um vasto controle em Lalgarh e região. Um enorme contingente militar invadiu as aldeias, expulsou moradores e entrou nas casas a procura de militantes maoístas. Também neste dia helicópteros sobrevoaram as áreas distribuindo panfletos ordenando que as pessoas não protegessem os comunistas.

Para incrementar suas ações de repressão foi enviado um satélite, denominado Risat-2, que consegue enviar imagens dos terrenos onde atuam os naxalitas até  mesmo após anoitecer. O fascista Estado de Israel é quem está fornecendo o suporte para a utilização deste satélite. Foi também Israel quem forneceu os drones – aviões militares não tripulados. O exército dos USA além de enviar tecnologia militar mais recente, realizou treinamentos conjuntos com as forças armadas da Índia.

Como parte desta ofensiva a reação indiana também decretou, no dia 20 de junho, que o Partido Comunista da Índia (Maoísta) estava proibido a nível nacional, com base na fascista Lei de Prevenção de Atividades Ilegais.

A Operação Lalgarh tem somado uma série de atos ilegais das forças de repressão, tais como prisões de crianças, envenenamento de poços de água e pilhagem de aldeias. Os povos adivasis têm respondido com muita combatividade, enfrentando forças policiais e bloqueando estradas para dificultar o acesso de patrulhas, além do amplo boicote realizado pela população local às eleições.

 

Operação Caçada Verde

Para reforçar sua repressão ao crescente movimento popular e comunista e garantir o saqueio de riquezas naturais por grandes empresas mineradoras e madeireiras o governo indiano lançou no dia 3 de dezembro de 2009 a chamada Operação Caçada Verde.

A Operação está  destinada a expulsar os milhões de adivasis que moram nas regiões de florestas as quais, devido à altíssima riqueza contida em sua fauna, flora e solo, são alvo da cobiça imperialista. Essa extensa área contém enormes quantidades de ferro, carvão, bauxita, manganês, ouro, diamante e urânio. Empresas como a Vedanta, Essar Steel, Rio Tinto e Posco, há tempos exploram e roubam essas riquezas naturais.

Agora, com o desenvolvimento da Guerra Popular dirigida pelos comunistas, a extração de matérias-primas está ficando cada vez mais difícil para estas empresas que enfrentam legítimas ações de sabotagem cotidianamente.

Segundo dados oficiais o Estado indiano pretende que a Operação dure até 5 anos e utilize 70.000 agentes das forças repressivas. É um verdadeiro plano terrorista praticado pelo Estado.

Resistência à “Caçada Verde”

Por outro lado, a resistência à esta ofensiva contra-insurgente tem sido muito grande: protestos, greves gerais, fechamento de estradas e confrontos armados com as forças reacionárias indianas têm sido freqüentes. A mais estrondosa ação do EGPL ocorreu no dia 6 de abril, quando foram justiçados 76 policiais.

Para engrossar a resistência popular inúmeros intelectuais e organizações democráticas estão fomentando desde o dia 19 de fevereiro de 2010 a Campanha Internacional em Oposição à Guerra contra o Povo da Índia (ICAWPI).

O MEPR se solidariza com a luta do povo indiano e abomina a terrorista Operação Caçada Verde. Por isto, estamos compondo a campanha (ICAWPI) e fazendo denúncias das atrocidades promovidas pelo Estado indiano. E estamos convictos de que o povo indiano, sob a direção do Partido Comunista da Índia (Maoísta), sairá vitorioso, derrotando mais esta operação reacionária e desenvolvendo mais e mais a Guerra Popular fazendo avançar sua Revolução Democrática de novo tipo que marcha para o Socialismo e o Comunismo.