(Todas as entrevistas foram retiradas do Jornal A Nova Democracia)
Élio Cabral
(Militante das Ligas Camponesas, preso e torturado pelo regime militar fascista)
“Como presidente da Associação de Anistiados Políticos não posso deixar de mencionar essa questão: aqueles que torturaram, esses assassinos, “gorilas” do regime militar não podem ficar impunes, eles tem que pagar. Eu já lutei e enfrentei uma vez e tenho disposição para fazer tudo novamente. Não vamos ceder”.
Alípio de Freitas
(Secretário de Organização das Ligas Camponesas,quando do golpe de 64. Militou na resistência armada ao regime fascista. Preso e brutalmente torturado em 1970, foi mantido encarcerado por quase dez anos)
“É nosso dever divulgar o nome desses torturadores, colocar em um jornal o nome, os crimes, as torturas (...). Os torturadores cometeram seus crimes contra a humanidade e mantiveram-se no poder desde lá até os dias de hoje, eles estão sendo anistiados por quê? O cabo Anselmo estava para ser aposentado como ‘mar e guerra’. Isso seria um prêmio para um delator! Mas o responsável pelo seu processo era ligado à ditadura. Eu tenho feito conferências, palestras e debates por toda parte. Há centenas de pessoas que passaram por isso, exilados, presos, entre outros. Eles devem falar. Essas pessoas tem o arquivo, o testemunho vivo. Devem revelar o que viveram e passaram nas masmorras. Isso forçará a abertura dos arquivos militares. Somente a mobilização popular poderá cumprir o papel de revelar a todos o que ocorreu e quiçá alcançar o que se vê em outros países como a Argentina, onde alguns desses criminosos foram para a cadeia”.
Dirce Machado
(Militante do Partido Comunista do Brasil, foi uma das lideranças da heróica resistência armada camponesa em Trombas e Formoso. Encarcerada pelos gorilas de 64, foi torturada juntamente com seu marido e seu irmão)
“Eu os vi torturando meu marido e meu irmão a poucos metros de mim. Eu virava o rosto, mas eles puxavam meu cabelo pra eu ver o que eles estavam fazendo. Tem hora que a gente perde o raciocínio, né? Meu marido com a cara toda ensanguentada, amarraram ele pelos pés, numa árvore e começaram a puxar. Eles tinham dito que matariam meu marido enforcado. Quando eu olhei, enforcado pelos pés (?!), eu não aguentei e dei uma gargalhada. Aí eles me bateram. O plano deles era me fazer ficar de joelhos, chorando, implorando, isso eles não conseguiram nunca”.
José Maria Oliveira
(Militante do PCB quando do golpe, fundou juntamente com Mário Alves o PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) e tomou parte ativa na luta armada contra o regime militar. Preso e torturado pelo regime, permaneceu encarcerado por quase uma década. Atualmente é vice-presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos)
“Foi aí, dentro da prisão, que eu passei a ter consciência do que é a covardia: os oficiais do exército e seus comandados a torturarem as pessoas muitas vezes debaixo da maior gozação, com gargalhadas e xingamentos sem ter nenhuma condescendência com o ser humano que ali estava, impotente e sem a mínima condição de esboçar a menor reação. Já havia lido sobre as atrocidades do exército brasileiro em relação aos paraguaios, ao povo de Canudos e aos povos indígenas, mas ao sofrer na própria pele a covardia dos militares nas dependências do Doi-Codi é que eu vim, realmente, a tomar consciência do grau de perversão e covardia extremos de que eles são capazes (...) Como preso e torturado pelo regime militar e como alguém que viu desaparecer os melhores filhos do povo brasileiro sob o suplício covarde dos que se achavam no poder à época, e ainda se acham hoje, infensos a qualquer tipo de punição, não admito esta conciliação abjeta que Luiz Inácio trança com os torturadores. Várias vezes tive oportunidade de estar frente a frente com Luiz Inácio da Silva. Hoje, se tivesse essa oportunidade, eu colocaria a mão sobre o seu ombro, olharia nos seus olhos e diria: Luiz Inácio você é um fraco, um farsante. Quanto a mim, não aceito nem me conformo, seguirei com minha militância revolucionária e exijo a apuração completa e punição exemplar para todos os torturadores e criminosos de guerra do regime militar”.
Waldir Tavares
(Operário ferroviário, participou do processo de Reconstrução do Partido Comunista do Brasil em 1962)
“A Lei de anistia de 1979 não representa nada. O que foi feito em favor dos anistiados deveu-se ao empenho das comissões de companheiros que acompanhavam todos os tribunais e denunciavam na cara deles as prisões e as torturas. As famílias sofreram perseguição e sofrem até hoje(...)A anistia foi um remendo. Lutaremos até o fim para que todo o processo seja público e que os culpados sejam revelados, punidos”.
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