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Na crise do imperialismo levanta-se uma nova onda da revolução proletária

A atual crise de superprodução em que está mergulhada a economia mundial se dá em meio a uma crise muito maior e mais abrangente de todo o sistema imperialista - uma crise que conjuga o agravamento de todas as contradições do capital. Na sua fase final o capital monopolista, sob a hegemonia do capital financeiro, domina todo o mundo. Tendo quantidades astronômicas de capitais e cada vez menos onde aplicá-los de forma a lhe dar, com a maior  velocidade possível,  o lucro máximo de que necessita para seguir reproduzindo-se, o capital monopolista tem gerado no seu interior uma soma incalculável de capital especulativo, fictício, artificial, que parasita o mundo e o ameaça a uma catástrofe indescritível.

A época do imperialismo conduziu a produção à socialização em níveis gigantescos, espalhando-se desordenadamente por todo o globo terrestre (toda a produção hoje só é possível com a participação de centenas de milhões de pessoas), enquanto a riqueza produzida é apropriada por pouquíssimas mãos. A cada crise, o capital - em meio à sua insuperável contradição interna - se concentra em menos mãos ainda. Hoje, segundo estudos da ONU, praticamente a totalidade da riqueza no mundo está em mãos de apenas 150 famílias. A veloz competição entre os monopólios obriga-os a uma corrida incessante na redução de  gastos, o que significa principalmente aumentar a exploração sobre cada operário e ao mesmo tempo cortar força de trabalho substituindo-a por novos processos tecnológicos.  Assim produz-se um enorme exército de desempregados com pouco ou nenhum poder de compra de mercadorias. Daí crise de superprodução que, com o aumento do desemprego e da produção, as mercadorias produzidas cada vez mais têm menos chances de serem consumidas.

A dominação de alguns países sobre o resto das nações do mundo, característica principal da época do imperialismo, tem levado a níveis impressionantes a exploração dos povos e opressão das nações. Ao mesmo tempo o desenvolvimento desigual do capitalismo conduziu à contradição entre potências imperialistas - contradição que só resolve temporariamente através de guerras, como foram a Primeira e Segunda Grandes Guerras Mundiais, guerras pela partilha e repartilha do mundo - desenvolvendo-se em contradição entre superpotências e potências imperialistas que conduz hoje a novas disputas por nova repartição do mundo. No fundo de todas estas contradições está a contradição que opõe o proletariado e a burguesia numa luta incessante e irreconciliável.

Hoje, todas estas contradições foram agudizadas e o mundo se acha conflagrado em todas as partes. As crises das bolsas de valores, que têm frequentemente sacudido todo o sistema financeiro mundial (crise Asiática, Rússia, Brasil, e hoje Argentina) é somente a ponta do ice berg de toda esta crise geral do capital em sua fase agonizante. Estas crises abalam todo o mundo e aceleram, a nível mundial, uma luta entre superpotências e potências para decidir qual dominará e quais serão submetidas e a nível de cada país que fração da burguesia se manterá no poder. Além destas contradições internas o imperialismo tem que enfrentar a crescente luta das massas populares.

Exatamente para fazer frente a esta colossal crise de todo o sistema que o imperialismo, através de seus círculos dirigentes - principalmente do Estado norte-americano - que na condição de hegemônico estabeleceu uma nova política visando aumentar ainda mais a exploração dos trabalhadores em todo mundo e particularmente sobre as nações e povos oprimidos. A chamada política “neoliberal” em curso impõe aos países dominados os “ajustes” e “reformas” em nome de uma suposta “estabilização”, retirando direitos dos trabalhadores, dissolvendo os últimos vestígios de soberania nacional, abrindo total e completamente os países para as importações, destruindo todos os serviços públicos de educação, saúde e de aposentadorias. Para seus países, que se acham boiando sobre a crise, adotam medidas para aumentar a exploração do trabalho combinadas com intervenções do Estado na economia para tentar regular seus desequilíbrios.

Os planos de “estabilidade econômica”(paridade cambial, plano real) estão mais uma vez indo por água abaixo; exemplo disto tem sido a Argentina, onde foi e tem sido aplicada a risca todas as determinações do imperialismo ianque pelo vende pátria Menem e seus seguidores, Cavalo e De la Rua. A Argentina era tida como o exemplo de uma economia estável na América Latina e hoje tem a sua economia quebrada;  eleva a exploração dos operários, trabalhadores em geral, funcionários públicos e aposentados, fazendo com que o povo argentino se levante em uma luta tenaz pela defesa de seus direitos em greves, e piquetes em estradas. Toda esta situação de profunda crise na Argentina obriga a chamada “democracia” capitalista mostrar a sua verdadeira face de ditadura da burguesia sob o povo pobre, assassinando trabalhadores desempregados em manifestação e prendendo e mantendo em cárcere os que não aceitam esta situação de aprofundamento da exploração, como o Raul Castells - presidente da Federação dos Aposentados da Argentina.

A crise do capitalismo segue agudizando e hoje há milhões de desempregados nos países desenvolvidos e dezenas e dezenas de milhões nos países dominados (só a última crise na Ásia resultou em 35 milhões de desempregados), resultantes da crise geral que vai se aprofundando, do parasitismo que domina cada vez mais a economia, da aplicação acelerada e geral de meios tecnológicos e novos métodos de gestão e administração da produção. O mundo de hoje está afundando em guerras civis, guerras étnicas, guerras de países que estão sendo partilhados pelas superpotências e potências. Em meio a tantos progressos das forças produtivas e das ciências, o mundo está afundando em meio à mais brutal miséria de dezenas de milhões de seres, da fome continuada para milhões e milhões, de doenças facilmente curáveis que como epidemias se alastram em ondas pelos países pobres, além de uma descomunal destruição do meio ambiente. Mais do que nunca o imperialismo é o capitalismo monopolista, parasitário, em decomposição e agonizante.

"O Imperialismo e todos reacionários são tigres de papel"

Os imperialistas estão gestando uma nova e terceira guerra mundial. Mais uma vez as potências em suas desembestadas disputas pelo controle das riquezas, das fontes de matérias primas e dos mercados, além das atividades contra-revolucionárias, promovem guerras em diferentes regiões do globo. Guerras “localizadas”, guerras de “baixa intensidade”. Guerra do Golfo, Guerra da Tchetchênia, Guerra da Bósnia, guerras na África, Guerra do Kosovo e agora no Afeganistão.

Os mais covardes bombardeios contra as populações civis indefesas do Iraque e mais recentemente na Iugoslávia mostram a decomposição do imperialismo. O imperialismo ianque comanda os massacres e é a principal força agressora e genocida do mundo. Inglaterra, Alemanha, França, Itália e Japão foram cúmplices dos massacres no Iraque e logo se dividiram. Agora se unem novamente no arremate da partilha do Leste Europeu, onde expande o controle da Alemanha,  juntamente com a Rússia, enquanto os EUA tenta manter sua influência na região através da guerra e de instalação de bases militares.

Os imperialistas promovem guerras contra-insurgentes e guerras entre si, guerras interimperialistas por nova partilha do mundo. Guerras que logo se transformam em guerras de rapina e de extermínio das massas. Não há outro caminho para o imperialismo senão a guerra mundial. Devemos compreender este processo como analisou o Presidente Mao Tsetung: “Ou a revolução conjura a guerra mundial ou a guerra mundial atiça a revolução”; e mais ainda: “os revolucionários devem centrar sua atenção não na guerra mundial imperialista e sim na guerra popular mundial,” como única maneira de conduzir a humanidade a verdadeira paz através da destruição deste sistema de opressão e exploração.

“Atuando despoticamente por toda a parte, o imperialismo norte-americano colocou-se numa posição de hostilidade frente aos povos do mundo inteiro e isola-se cada vez mais. Aqueles que não aceitam ser escravos jamais se deixarão amedrontar pelas bombas atômicas e de hidrogênio que possuem os imperialistas norte-americanos. A corrente de cólera dos povos do mundo inteiro contra os agressores norte-americanos é irresistível. A sua luta contra o imperialismo norte-americano e seus lacaios conquistará seguramente maiores vitórias.” (Presidente Mao Tsetung).

As massas populares se levantam em luta por todas as partes do mundo:

São nestas condições que os trabalhadores lutam contra o pioramento sistemático de suas condições de vida, opondo uma crescente e combativa resistência ao capital e seus Estados repressivos mascarados nas democracias parlamentares. Lutam os trabalhadores nos Estados Unidos, no Japão, Alemanha, França, Inglaterra, Itália, como foi demonstrado recentemente nas ultimas reuniões do G8, na qual os trabalhadores, mesmo sob a direção de facções da burguesia, impuseram manifestações massivas e combativas. Lutam os povos no Oriente Médio, na Palestina, no Iraque, no Líbano, no Paquistão e no Afeganistão contra a agressão e opressão imperialista. Lutam os povos no continente africano - transformado em terra arrasada pelo imperialismo. Lutam os povos na Ásia, como os operários e estudantes na Coréia do Sul; ao passo que a guerra popular avança nas Filipinas, Nepal e Turquia,  se iniciando na Índia.

Na América Latina as massas oprimidas vão se levantando por todos os países; as lutas operárias na Argentina e no Chile explodem em greves massivas; a luta pela terra no Brasil e no Paraguai, onde recentemente foram feitas mobilizações com mais de cinqüenta mil camponeses; no México e Colômbia cresce a luta armada de camponeses e operários, ao mesmo tempo em que segue incontível a heróica guerra popular das massas pobres do Peru.

Para tentar deter a revolta crescente das massas exploradas em todo o mundo o imperialismo ataca de forma planejada. Na América Latina  os ianques têm intensificado o plano de estabelecer uma política mais agressiva em torno da ALCA e do Plano Colômbia, plano de dominação militar que sob pretexto de combater as drogas visa o estabelecimento de tropas norte-americanas na Amazônia, uma das regiões mundiais mais cheia de  riquezas naturais e ainda praticamente inexplorada. Isto tudo como forma de garantir a sua dominação sob as nações da região, intensificando-a tanto no militar como no econômico, mantendo a América Latina como seu mercado cativo e como uma extensão de seu território, não abrindo mais espaço para que outras potências interfiram na região e que monopólios principalmente europeus não cresçam na América Latina e não prejudiquem os monopólios norte-americanos. Segue no militar implementando sua concepção contra insurgente de GBI- guerra de baixa intensidade, aprimora, reforça e amplia enormemente os aparelhos e máquinas de repressão, lastreadas pelo estabelecimento de normas e legislações coercitivas das liberdades mais elementares. Tudo para justificar a intensificação da exploração e do assalto geral que precisa promover para enfrentar sua crise e impedir que o inevitável e crescente descontentamento das massas tome um caminho revolucionário.

A colossal crise que se agrava cada vez mais e percorre o mundo inteiro é a base sobre a qual já se levanta uma nova e gigantesca onda de revoltas das massas exploradas e oprimidas da terra. É o advento de uma nova era de combates heróicos que os povos darão por todos os recantos do mundo, povos dos quais somos parte. Neste novo período revolucionário que se abre a nível mundial, cabe a todos revolucionários prepararem-se para participar e contribuir para por fim à exploração e opressão que a humanidade tem penado, libertar o homem da escravidão assalariada e edificar o mundo novo, luminoso e fraterno.

Aprofunda-se a crise do Estado brasileiro, se desenvolve uma situação revolucionária

E diante desta situação de profunda crise geral e de decomposição do sistema capitalista, o imperialismo é obrigado a intensificar a exploração sob os países dominados como o nosso. Como instrumento de implementação, controle e manutenção de sua dominação o imperialismo norte-americano utiliza seus gerentes, os governos fantoches como FHC ou qualquer outro que o substitua com a tarefa de dar continuidade a este sistema. A aplicação da política imperialista de dominação e de roubo do suor do povo brasileiro intensifica a revolta e a rebelião das massas populares.

O Estado brasileiro, após aplicar a política de forçado aplastamento da inflação e de paridade cambial com o dólar e de intensa propaganda de prosperidade econômica, se  desmascarou com o fracasso do plano real e com a desvalorização da moeda em mais de 100% nos últimos tempos, seguidos de um aumento constante na inflação, das dívidas interna e externa e num maior e crescente numero de desempregados, atingindo a cifra de 20 milhões de pessoas.

No turbilhão da crise o governo reduz cada vez mais os investimentos nos setores básicos da economia. Essa redução gerou a chamada crise energética que, como de costume, foi jogada a sobre o povo, ameaçando-o a afundá-lo ainda mais na miséria, estabelecendo metas de economia de energia com a previsão de serem punidos os que não conseguirem cumprir com o pagamento de altíssimas multas e também com o corte do fornecimento de energia.

No setor social é aplicada a política de sucateamento da educação e saúde; vemos professores e funcionários públicos sendo obrigados a se lançarem em greve devido ao arrocho salarial a que estão submetidos; o povo morrendo a mingua em filas imensas nas portas de hospitais e postos de saúde, retorno de epidemias de doenças a muito tempo facilmente curáveis ou preveníveis. Tudo combinado com uma crescente miséria que se abate sobre o povo pobre - são mais de 60 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha da miséria.

Toda esta situação econômica, impulsiona o agravamento da crise do Estado brasileiro e acelera seu  apodrecimento, se expressando em  crise política. Ou seja, as classes dominantes que estão no poder hoje não conseguem governar mais com tranqüilidade devido a situação em que alcançou a crise em nosso país;  a pugna entre as frações das classes dominantes na disputa pelo controle do aparelho estatal, como ficou demonstrado na rusga e rompimento da aliança de FHC e seu principal aliado ACM. Demagogicamente este saiu denunciando os esquemas e absurdos aplicados por FHC, pretendendo escamotear o fato de que ele está no poder desde a época da ditadura militar fascista.

Dentro da disputa encarniçada pelo controle do aparelho de estado, já é rotineiro escândalos de corrupção em todas as esferas. Estas brigas não passam disputas de máfias pelo poder político, uma com a intenção de desgastar e queimar a outra, posando para a imprensa como caçadores de corrupção, revelando toda sua hipocrisia.

Na dura realidade em que vive o nosso povo, cresce a criminalidade nas grandes cidades, e a resposta do atual gerente do imperialismo em nosso país (FHC) não é outra senão a velha regra da violência policial. Desta vez, assustado com o quadro de crise social, o Estado vai redobrando seu orçamento e novas providências para incremento do aparelho repressivo.

É nesse contexto de profunda crise do Estado que se apresentam os oportunistas de todo tipo, como essa falsa esquerda eleitoreira, se oferecendo como a solução para a salvação do país e deste sistema podre, com base nas eleições de 2002

O imperialismo norte-americano muito se preocupa com a crise brasileira. O Brasil é uma das suas principais bases econômicas no mundo e o desenrolar das próximas eleições os interessam e faram com que eles  interfiram diretamente; mas, as outras potências imperialistas não ficaram de fora destas eleições; União Européia, Rússia todos estarão buscando colocar a serviço de seus interesses um candidato, e seja quais forem os candidatos (Lula, Itamar, Ciro Gomes, Garotinho ou Serra), todos terão um país imperialista por trás financiando as suas campanhas eleitorais milionárias  com  intuito de coloca-los como seus meros gerentes em nosso país afim de que apliquem a política segundo os seus interesses.

Revolução democrática initerrupta ao socialismo

A principal ilusão que as massas têm que lançar por terra é a de que seja possível mudar as condições de exploração a que estamos submetidos sem tomar e exercer o poder político. Só com o poder político nas mãos é possível qualquer classe fazer valer seus interesses. Só com o poder político e com todo ele  nas suas mãos poderão as massas populares realizar plenamente suas aspirações de liberdade, justiça e verdadeira democracia.

As tarefas da revolução democrática são as de confiscar o grande capital nacional, todo o latifúndio e esmagar o imperialismo; isto corresponde a aplicar o Programa Agrário de Defesa dos Direitos do Povo. Só confiscando estas classes é possível realizar e garantir os interesses e aspirações das massas trabalhadoras. Só arrancando das mãos dessas classes exploradoras e reacionárias os meios de produção é possível organizarmos uma nova economia, entregando a terra a quem nela trabalha, emprego com salários dignos a todos, assistência à saúde de todos e erradicação das doenças endêmicas, erradicação do analfabetismo e implementação do sistema educacional voltado a atender as massas populares da cidade e do campo, bem como da promoção da cultura popular e nacional.

Para desenvolver o caminho da revolução democrática é preciso compreender que a questão mais importante hoje e que demanda solução urgente é a questão da terra. Esta é a tarefa democrática mais importante, é a tarefa pendente que nunca foi resolvida. A concentração da propriedade da terra nas mãos de um punhado de latifundiários, a existência e manutenção do sistema latifundiário tem sido a base secular e podre sobre a qual tem se desenvolvido este capitalismo atrasado, condição que submete nosso país ao domínio do imperialismo, norte-americano principalmente, impedindo a realização do país enquanto nação. A bandeira da luta pela terra é a que mais setores pode unir em nossa sociedade e mais forças organizar na luta revolucionária, exatamente por ser uma causa democrática. A luta pela terra é, na atual fase, a que pode mais golpear o poder burguês latifundiário serviçal do imperialismo.

Nas condições de dominação a que chegou o imperialismo e em que pese seu apodrecimento, ele e seus regimes e governos lacaios, como os que têm existido em nosso país, não cairão sozinhos; terão de ser derrubados pelas massas organizadas. Para incorporar as amplas massas populares na revolução é necessário um longo tempo. Pretender derrubá-lo de um só golpe e da noite para o dia é iludir ao povo e a si próprio. É o mesmo que pretender transformar a realidade pela via eleitoral. Só poderemos derrotar as classes exploradoras e reacionárias derrubando-as parte por parte, o que da mesma forma exigirá uma luta prolongada.

Por isto mesmo é que os estudantes ao levarem a luta em defesa de seus direitos devem levantar bem alto a defesa da reforma agrária radical e apoiar decididamente os camponeses pobres em luta. Os estudantes têm que levantar bem alto as bandeiras de “Terra a quem nela trabalha”, “Conquistar a terra!”, “Destruir o latifúndio!”, “Viva a Aliança Operário e Camponesa” e “Por um governo de operários e camponeses!”. Devemos entender que a classe operária é a classe dirigente da revolução, e que esta deve ganhar a confiança dos camponeses pobres e contar com eles não só como seu principal e fiel aliado, mas como a força principal para debilitar o poder reacionário e permitir o levantamento geral e revolucionário da classe nas cidades para a conquista do poder, para a realização da revolução democrática ininterrupta ao socialismo.