O movimento estudantil teve papel preponderante e de linha de frente no combate a ditadura militar e na luta pelas liberdades democráticas. Desde o golpe militar de 64 o movimento estudantil se apresentou para combater, chegando a um auge com a passeata dos 100 mil de 1968. Quando o fascismo se aprofundou reprimindo toda e qualquer forma democrática de manifestação, desencadeou-se no país a resistência armada. Mais uma vez a maioria dos combatentes saíram das fileiras do movimento estudantil. Só este período da história de nosso país é bastante para comprovar a importância e seriedade política que os estudantes tem desempenhado quando lhes é proporcionada uma direção à altura de seu valor.
Desde o fim do regime militar, nos últimos 15 anos, ao contrário do período destacado acima, o movimento estudantil representado pela UNE e UBES, dirigido pelas correntes PCdoB, PCBrasileiro, PSTU, PT, etc. tem sido um movimento que oscila entre a paralisia e um tipo especifico de ação, que quando não é bastante despolitizada, não passa de fanfarronices eleitoreiras. A razão direta do apodrecimento desse movimento corresponde ao projeto político dessas correntes, que se esforçam para se apresentar diferentes porém se unificam no oportunismo eleitoreiro. Envelheceu e apodreceu o movimento de UNE e UBES, submetidas ao conteúdo e forma impostas pelas direções dessas correntes. Entre períodos de total paralisia pipocavam mobilizações que expressavam de forma mais nítida todo o oportunismo em que sucumbiam. Um exemplo destas modalidades e inovações aparecidas neste velho movimento estudantil foi o que emergiu como resultado das pugnas entre as frações burguesas pelo controle do poder, no início dos anos 90. A roubalheira descarada de Collor, que encabeçava o projeto de “modernidade”, punha em risco a aplicação da política chamada “neoliberal”. As diferentes frações da burguesia entraram em confronto e foi desencadeada pela mídia a campanha pelo impeachemant de Collor. Nesse período, a reboque da burguesia, surgiu o “Fora Collor”.
O chamado “Fora Collor” consagrou uma modalidade de ME que já vinha sendo gestada e tinha a legitimidade dada pela mídia, pois fora criada por ela. A partir daí se fez escola, marcando, tanto na forma como no conteúdo, o processo do movimento estudantil dos últimos anos. Nos marcos da Perestroika, do fim da guerra fria e da chamada “nova ordem” proclamada por Bush na guerra do golfo, se apresentava um movimento estudantil desfigurado, descaracterizado e ao gosto da mídia burguesa reacionária. Como um modismo, este era do tipo “esquerda” festiva, deslumbrada com a “modernidade” imperialista do fim da “guerra fria. Na verdade, expressava já a reação das ditas correntes impactadas pela ofensiva geral da contra-revolução mundial, encabeçada pelo imperialismo ianque e em convergência com o revisionismo de uma URSS social-imperialista em bancarrota, alem do revisionismo albanês e chinês. O imperialismo e toda a reação, em sua ofensiva geral, propagava aos quatro cantos suas teses do fim das ideologias, do fim da História, da falência do marxismo, do fim do comunismo e a de que o capitalismo seria o melhor dos mundos, prometendo uma era de paz, progresso e bem estar geral para o mundo. Desmoronaram as burocracia revisionistas, fato que foi passado para o mundo numa orquestrada campanha da mídia, como se fora o socialismo em ruínas varrido pela “revolução de veludo”. As correntes políticas foram abaladas e se reciclaram sob os conceitos e a batuta do imperialismo.
Não tendo mais o “perigo do comunismo internacional” o imperialismo lançou novos conceitos para seu manejo na luta ideológica contra o proletariado e o povo. Agora, não eram mais agentes de Moscou, Pequim e Havana, mas, narco-guerrilheiros, terroristas internacionais, contra os quais levanta a bandeira da “democracia”, da “legitimidade apenas de governos surgidos de eleições”, dos “direitos humanos”, do “combate ao narco-tráfico”, etc., como novos pretextos para justificar a continuidade de sua política de espoliação dos povos. Enfim, o imperialismo elaborara novos conceitos para combater os teimosos que seguiam insistindo na revolução: GBI, guerra de baixa intensidade. Embora tenha decretado o fim do comunismo e do marxismo tinham que seguir combatendo a ideologia do proletariado, afinal nem todos se renderam ou deram ouvidos à sua cantiga podre de direitos humanos. O imperialismo seguiu sendo o mesmo, um monstro ainda mais sangrento e decrépito, que mais do que nunca exige ser destruído e varrido da face da terra.
Foi assim que a mídia, agora mais que nunca, com vulto de poder e onipotência passou, com seu patrulhamento ideológico, a ditar regras e comportamentos para tudo e para o movimento, parindo coisas como os “caras pintadas” e outros folclores e caricaturas de “ campanhas da paz”. E claro, o objetivo principal, colocar o processo eleitoral farsante e corrupto como marco de civilidade, de democracia e progressismo. A frase de um dirigente da UNE na época, que é muitas vezes repetidas ainda hoje, mostra a euforia festiva e enganosa: “sem amassarmos uma lata tiramos um presidente, e assim podemos mudar o país”. Pois é “tiramos” um presidente, “sem amassar latas” e o que mudou? O caçador de marajás se foi, dando vaga para os corruptos éticos.
A bancarrota do velho movimento estudantil
Este velho movimento estudantil enfrenta hoje sua maior crise. Após 15 anos de hegemonia, assistimos sua decadente agonia. A crise que vive é prenúncio da falência de seu projeto oportunista e eleitoreiro. Todo o discurso que faz, que lhe foi soprado no ouvido pelo imperialismo, de que se pode mudar o sistema através de eleições, de que revolução e luta de classes são coisas do passado, já foi por água a baixo e o resto que sobrou desmorona agora com o World Trade Center. A realidade está aí e os fatos são teimosos, não é atoa que ninguém mais acredita que as eleições possam mudar alguma coisa; ninguém mais acredita que com suas negociações enganosas e promessas fantásticas farão alguma transformação. O oportunismo, com o controle de UNE/UBES, deteve a hegemonia por anos. A negação completa desta política e hegemonia são as condições para o desenvolvimento de um novo movimento.
Toda a corrupção, burocracia, paralisia, capitulação que tomou conta destas entidades representa apenas a agudização de sua crise inevitável; essas são práticas inseparáveis daqueles que escolhem o caminho da enganação do povo. Estas entidades, longe de nos representar, viraram verdadeiras empresas de emissão de carteirinhas. Carteirinha esta que sustenta os altos salários, as viagens de avião, os celurares de um grupinho de diretores que não se cansam de encher sua boca frouxa para se auto-proclamarem representantes dos estudantes. Diretores estes que são verdadeiros “estudantes fantasmas”, que há muito não sentam em um banco de escola ou faculdade. São jovens velhos burocratas cuja “profissão” é ser “líder estudantil”. Se utilizam das massas, fazendo o mais vil tráfico com seus interesses . Sua pauta de exigências é extremamente extensa, e para bandeira central de suas “reivindicações” escolhem o assunto que esteja dando mais Ibope, independentemente de terem ou não uma estratégia ou plano de lutas para conquistarem essas reivindicações. Isto é um total desrespeito com as massas, cujas parcelas que se atrevem a lutar, esperançosas em conquistar melhorias, seguem comparecendo às suas manifestações. A única estratégia que têm é a de juntar gente, e aí vale tudo: shows, bebidas, diversões, etc.. O desespero deles em aparecer é tão grande, que numa manifestação este ano em Brasília, a peleguinha-mirím, militante do PCdoB e presidente da UBES foi para uma manifestação totalmente nua.
O apodrecimento do oportunismo no movimento estudantil é tal, que pior do que a ausência destas entidades nas escolas e universidades é a sua presença. Quando estão presentes, além de desgastar o movimento estudantil em geral, gerando uma grande massa de estudantes “que não querem mais saber de movimento”, os oportunistas se prestam ainda aos mais reles serviços à reação. Praticam a mais descarada deduragem, no intuito de deter o surgimento de um novo movimento estudantil e em prol de manter suas mordomias. Só mesmo para tentar deter o crescimento de um movimento independente e revolucionário que os oportunistas de UNE e UBES e todos seus pelegos agregados levantam seus traseiros de suas empoeiradas cadeiras. Basta que qualquer estudante se indigne e não aceite mais os mandos dos oportunistas e se disponha a lutar, mesmo que ele seja sem qualquer filiação partidária, para que caiam em cima com toda sua velha estrutura cheirando a mofo, para impedir qualquer organização que fuja de seu controle. Para isto se utilizam de suas “democráticas”, esvaziadas e bolorentas assembléias como fórum único de decisões; cheios de atas, estatutos, questões de ordem, reuniões de diretorias, executivas, etc., que desanimam qualquer um de participar. Agora, quando um movimento organizado e revolucionário se levanta, eles o atacam com todo seu ódio peçonhento.
A perseguição a nosso movimento é um exemplo disto. Já realizamos verdadeiras revelações: contra nós se uniram as correntes de todas laias do velho movimento (e se unem é porque não são tão diferentes assim); já tiramos de suas tumbas seus pançudos dirigentes, que tiveram que vir à luz do dia só para nos combater. Já vimos, e não por poucas vezes, seus duros e trêmulos dedos apontados para os nossos nomes, já vimos eles se abraçarem com diretoras fascistas, reitores, pró-reitores, seguranças e até policiais. E isto tudo porque apenas começamos a nos organizar.
O oportunismo é um instrumento da burguesia no seio do povo
O oportunismo não é uma corrente que surge da vontade de um ou outro indivíduo, ele é produto da luta de classes. No capitalismo, o oportunismo surge como necessidade da burguesia para penetrar sua ideologia no meio das massas populares e é para as classes dominantes uma importante arma em sua contenda com o proletariado e povo. O oportunismo age por dentro da classe, no seio do povo, de forma dissimulada, por isto é tão pernicioso. Todos os grandes dirigentes do proletariado dedicaram páginas e ações para combater esta tendência no movimento comunista e popular. Lenin, em magnífico estudo sobre o imperialismo, expôs a compreensão de que o oportunismo ganha impulso no seio do movimento operário com a passagem do capitalismo de sua fase de livre concorrência para a fase monopolista ou imperialista. O fato de que com a exploração das colônias os capitalistas auferem lucros fabulosos, separaram uma parte para corromper uma camada da classe operária formada por chefes e de uma burocracia sindical. Lênin destaca ainda que “Nem Marx nem Engels viveram até à época imperialista do capitalismo mundial, que não começa antes de 1898-1900. Mas já desde meados do século XIX uma particularidade da Inglaterra era que nela existiam pelo menos dois importantíssimo traços distintivos do imperialismo: 1) colônias imensas e, 2) lucros monopolistas (devido à situação monopolista no mercado mundial). O que fez surgir uma camada aburguesada na classe operária, a que Engels chamou de “aristocracia na classe operária” e esta é a base social do oportunismo. Em carta de 4 de agosto de 1874, Marx escreve a Sorge: “No que diz respeito aos operários urbanos aqui (na Inglaterra), é de lamentar que todo o bando dos chefes não tenha entrado para o parlamento. Seria o caminho mais seguro para nos vermos livres dessa canalha.”
Lênin afirma ainda que “Sobre a base econômica apontada as instituições políticas do capitalismo moderno - a imprensa, o parlamento, as associações, os congressos, etc. - criaram para os empregados e operários respeitadores, mansos, reformistas e patrióticos os privilégios e esmolas políticos correspondentes aos privilégios e esmolas econômicos. Lugarzinhos rendosos e tranquilos num ministério ou num comitê industrial de guerra, no parlamento ou em diversas comissões, nas redações de jornais legais ‘sérios’ ou nas direções de sindicatos operários não menos sérios e ‘burguesmente obedientes’- é com isto que a burguesia imperialista atrai e recompensa os representantes e partidários dos ‘partidos operários burgueses’.” Prosseguindo, destaca: “No nosso século é impossível não haver eleições; não se pode prescindir das massas, e na época da imprensa e do parlamentarismo não se pode arrastar as massas sem um sistema amplamente ramificado, sistematicamente aplicado e solidamente equipado de lisonja, de mentira, de vigarice, de prestidigitação com palavrinhas à moda e populares, de promessas à esquerda e à direita de quaisquer reformas e de quaisquer benefícios para os operários - desde que eles renunciem à luta revolucionária pelo derrubamento da burguesia.”
Ainda analisando sobre a influencia do oportunismo sobre o movimento operário explica: “Não se pode pensar seriamente que no capitalismo é possível incluir na organização a maioria dos proletários. Em segundo lugar - e é isto o principal - a questão não está tanto no número de membros de uma organização como no significado real, objetivo, da sua política: esta política representa as massas, serve as massas, isto é, a libertação das massas do capitalismo, ou representa os interesses de uma minoria, a sua conciliação com o capitalismo?” E conclui: ‘E por isso o nosso dever, se queremos permanecer socialistas, é ir mais baixo e mais fundo, para as verdadeiras massas: nisto consiste toda a importância da luta contra o oportunismo e todo o conteúdo desta luta. Desmascarando que os oportunistas e sociais-chauvinistas traem e vendem de fato os interesses da massa, que eles defendem os privilégios temporários de uma minoria de operários, que eles propagam as idéias e a influência burguesa, que eles são de fato aliados e agentes da burguesia - ensinamos deste modo as massas a identificar os seus reais interesses políticos, a lutar pelo socialismo e pela revolução através de todas as peripécias, longas e dolorosas, das guerras imperialistas e dos armistícios imperialistas.” “Explicar às massas a inevitabilidade e a necessidade da cisão com o oportunismo, educá-las para uma luta revolucionária implacável contra ele, terem em conta a experiência da guerra para revelar todas as infâmias da política operária nacional-liberal, e não para as ocultar - tal é a única linha marxista no movimento operário do mundo.”
O oportunismo no Brasil: opção do imperialismo e da grande burguesia
Analisando o processo revolucionário em nosso país podemos ter uma dimensão do perigo que representa o oportunismo, particularmente o revisionismo. Quando passam a dirigir algum processo é capitulação e traição das massas na certa. Como causa do não triunfo da revolução em nosso país até hoje, podemos apontar fundamentalmente duas: 1º) a predominância da direção revisionista no movimento comunista e consequentemente oportunista no movimento popular e 2º) a insana repressão das classes dominantes com seu Estado genocida e seus agentes fascistas. Destas duas a primeira é a principal, pois a repressão é uma condição objetiva imposta, e há que se preparar bem para enfrentá-la. Muitos revolucionários e comunistas lutaram e deram suas vidas na luta armada contra a ditadura e na busca por encontrar o caminho certo da revolução brasileira. Mas após o fim da administração militar com a crise de sua ditadura, o movimento revolucionário havia se convertido completamente; não tivemos uma saída revolucionária para a profunda crise que o Estado vivia naquele momento. A luta armada não prosseguiu, dando lugar à capitulação, que nutria nas massas a esperança de um ilusório governo democrático, caindo no puro legalismo. Predominou assim a saída burguesa para a crise. A burguesia, com algumas medidas, conseguiu se organizar e manter o controle do aparato estatal. Uma vez mais o processo revolucionário em nosso país foi atrasado por anos. Vemos aí, concretamente, que o combate ao oportunismo não é uma questão de disputas por hegemonia no movimento e sim uma necessidade. Lênin nos alerta: “Pretender combater o imperialismo separado do combate ao oportunismo, não passa de uma fraseologia ôca”.
Hoje, assistimos a mais vergonhosa rendição dessa “esquerda” que se gaba do mais desenfreado oportunismo. O ódio com que atacam nosso movimento é devido ao temor que eles têm da força das massas guiadas por posições revolucionárias - isto pode representar para seus intocáveis interesses eleitoreiros. É por estes interesses eleitoreiros que eles se vendem às classes dominantes e traem o povo. Para se credenciarem a administrar o Estado (presidência da república), investem tudo nessa farsa chamada processo eleitoral; não se contentam em ser reformistas, mansos e domesticados, se esmeram em se mostrar bonzinhos a quem dita as regras, ou seja, a burguesia e o imperialismo. Pretendendo ganhar as próximas eleições se vendem ainda mais, para se transformar em gente de confiança do imperialismo. Afinal de contas terão de “pedir benção” ao “tio Sam” e irão gerenciar seus negócios, isto é, o Brasil. Excitados com possibilidade de ganhar as eleições de 2002, a frente “popular” eleitoreira, disputa com desenvoltura a confiança do imperialismo com PSDB, PFL e PMDB. É por isto que seu “combate” ao governo federal nada tem de verdadeira oposição à política de FHC & cia; são lançadas apenas farpas nas rusgas pelo controle do aparato estatal. É o próprio FHC quem declara, como afirmou ao Financial Times de Londres (julho passado): “As divergências entre eu e o PT não são ideológicas, mas apenas pela disputa do poder”. Não foi atoa que o ultra-reacionário Delfim Neto, comentando os pontos básicos do programa econômico do PT, afirmou: “Querem fazer mais as mesmas coisas, mudando prioridades”.
Em essência existe alguma diferença entre as políticas e ações dos governos estaduais e prefeituras desta falsa esquerda e as da direita tradicional? Certamente não! Em ambas o que existe é pura enganação das massas. Falsas promessas, repressão a movimentos populares, descaso total com professores e funcionários públicos. Muitos dirão que existem diferenças sim, que nos governos de PT e PCdoB existem políticas “populares” como “bolsa escola”, “orçamento participativo”, etc. Mas o que de fato são estas políticas? Não passam de engodo, de esmolas que não tiram as massas da miséria; pelo contrário, as mantêm, pois aumenta a dependência das massas com os corruptos esquemas eleitorais e demais órgãos burocráticos do Estado. Não é atoa que os governos da direita descarada, inclusive o de FHC, têm implementado sem nenhum desconforto estas mesmas políticas. Veja como são as coisas, a “esquerda” eleitoreira fazendo escola em enganação do povo! Mas há quem afirme que, diferentemente dos outros o PT e agregados de sua “frente popular” não roubam, são honestos e são os mais ardorosos defensores da ética na política. Devemos então nos perguntar: que diferença há entre roubar descaradamente os cofres públicos e se beneficiar de uma lei eleitoral que autoriza partidos e candidatos a receberem doações milionárias da burguesia? As campanhas eleitorais dos partidos da “frente popular” são a cada eleição as mais ricas e sofisticadas. E o que é afinal de contas tirar do povo sua possibilidade de se libertar?
O centro da propaganda eleitoral do PT, PCdoB e frente “popular” eleitoreira, é o combate à corrupção, campanha que só fica mesmo no nome, e não é novidade em nossa História. Assim fez o reacionário Carlos Lacerda da UDN, o populista Jânio Quadros, os milicos na ditadura, e mais recentemente Collor de Melo, com sua campanha de “caças aos marajás”. Não é atoa que Lula volta e meia elogia a ditadura militar. Darão ênfase nesta questão e fugirão das discussões políticas, para encobrir a dura realidade: que a sua política e a do atual governo são praticamente as mesmas. Os oportunistas há muitos anos vem adequando seu discurso com os mandos dos imperialistas e grande burguesia local. O PT e PCdoB orgulhosamente chamam este direitismo descarado de “amadurecimento”, mas o certo seria chamar de apodrecimento mesmo. Com isto, a “frente popular” eleitoreira, tem se tornado uma forte candidata à sucessão presidencial. Contentes e sorridentes aparecem todos os dias na mídia. A imprensa faz questão de anunciar o “novo” PT, grandes jornais publicam longas entrevistas com o “presidenciável” Lula; até mesmo a rede Globo elogia o PT, revistas mostram com destaque a “primeira prefeita comunista” do PCdoB, em Olinda.
O que significa toda esta bajulação? Será que os reacionários órgãos de imprensa estão do lado do povo, ou será que se renderam à “competência” administrativa dos líderes dos “movimentos populares”? Evidentemente que não. Isto mostra o quanto certas frações da grande burguesia local, ligadas à potências imperialistas que controlam estes órgãos de imprensa estão apostando em que PT, PCdoB & cia, podem vir a ser os mais convenientes gerentes do Estado frente à colossal crise que se avizinha. O PMDB, PSDB e o PFL já tiveram sua chance e cumpriram muito bem sua missão com o Plano Cruzado, Plano Real, privatizações, demissões e etc. Conseguiram adiar por pouco tempo a catástrofe econômica brasileira às custas da miséria, fome, humilhações e violência sobre nosso povo. Mas diante do agravamento de sua crise e da crescente e incontível onda de revolta popular que se espalha por todo o mundo, o imperialismo se vê obrigado a abrir vaga para gerente da crise. PT, PCdoB e “frente popular eleitoreira” ao lado da “frente patrioteira” de Itamar (com a qual PCdoB pretende uma unificação) são fortes concorrentes neste vestibular de traições, no qual o imperialismo decidirá quem irá segurar o chicote e ser o carrasco do povo por mais quatro anos.
O poder de barganha que tem os oportunistas nessa assombrosa disputa é justamente o controle e manipulação que exercem sobre determinados movimentos de massas. Este sem dúvida será nesta ou em outras eleições o critério de desempate. Quem melhor deter a fúria e revolta das massas - seja um populista patrioteiro como Itamar ou os pelegos oportunistas - receberá o cargo de presidente da república. O oportunismo sabe muito bem que é esta sua “qualidade” que poderá lhe render seu almejado sonho. Assim, fica mais claro a razão do imobilismo, paralisia e fervor na defesa de suas posições. O pagamento ao imperialismo pela chance de assumir o governo será com a traição às massas, pois, mesmo se eles ganharem, o povo continuará lutando. Para os oportunistas (estando nas direções dos movimentos será mais fácil por um tempo controlar a rebelião popular). Mas, as massas continuarão a lutar pois não deixarão de sofrer no dia-a-dia com a direita ou com a “esquerda” eleitoreira no poder. Verão que estes oportunistas são enganadores, que traficam com os interesses e sofrimentos do povo.
Nós estudantes, se quisermos servir ao povo, temos de combater implacavelmente o oportunismo como forma de liberar toda energia revolucionária represada das massas, impulsionando um novo movimento estudantil popular e revolucionário. Convencer àqueles que, ainda iludidos ou enganados militam no velho movimento a seguir no único caminho da classe explorada e oprimida, o caminho de lutar até o fim, sem dever favor a ninguém, sem estar vinculado às classes dominantes e a nenhuma de suas frações. Somente o caminho da revolução é verdadeiro, libertador e transformador; somente os pobres, explorados e oprimidos, poderão levar o mundo a um novo amanhã, a um luminoso futuro da Humanidade!
A quem diga que nosso movimento pretenda hegemonismo ou exclusivismo no movimento estudantil. Estes advogam uma surrada e batida necessidade da unidade do movimento, nos acusando de criar divisões e picuínhas. O processo revolucionário é científico; nele não cabem nossos desejos, somente a ciência. É ponto de partida para nós a compreensão de que já perdemos tempo demais em erros históricos. Tratamos é de tirar lições. O povo não pode mais esperar caprichos da vanguarda, o choro de seus filhos não espera as próximas eleições. Uma verdadeira unidade popular se constrói na luta e não nos conchavos de gabinetes. Se faz em cima de princípios e não na contemplação de interesses mesquinhos do controle de estruturas e entidades. Unidade e luta são parte do mesmo processo, a luta é para conquistar a unidade em patamar mais elevado. Assim concebemos. Não renunciamos à luta e pretendemos unidade sim, mas com aqueles que se disponham a estar de forma incondicional do lado do povo, que tenham a certeza da luta combativa e de princípios como única saída para as mazelas do capitalismo e que acreditam que o socialismo não esteja velho e sim mais novo do que nunca!
Abaixo todo o oportunismo!
| < Anterior | Próximo > |
|---|

