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POLICIAIS AMEAÇAM ESTUDANTES NA UNEB – DEDC XIII

Publicamos abaixo um manifesto de estudantes da Universidade do Estado da Bahia, que retrata de forma emblemática a crescente tentativa das classes dominantes do nosso país de criminalizar o movimento estudantil.

Nós do MEPR, como movimento democrático-revolucionário que somos, manteremos nossas páginas sempre abertas para repercutir fatos como esses que, afinal de contas, demonstram que esse dito “Estado democrático de direito” não é nada mais que o velho aparelho de repressão semifeudal e semicolonial que secularmente reprime e combate a justa luta de nosso povo.


POLICIAIS AMEAÇAM ESTUDANTES NA UNEB – DEDC XIII

“Quem tem uma metralhadora nas mãos imagina que porventura poderá usá-la...”

 

É com grande preocupação que vimos expor a todos, sobre os acontecimentos ocorridos na UNEB - CAMPUS XIII (Itaberaba), envolvendo policiais militares ( alguns deles estudantes da instituição) e estudantes do movimento estudantil.

Entre os meses de agosto e outubro, verificou-se a presença de PMs, fardados e portando armas de fogo nas dependências da Universidade, fato tratado como algo natural pelos seguranças, funcionários, e parte da comunidade acadêmica. Aos estudantes, o fato provocou a insatisfação. Questionávamos num dado momento o fato dos PMs estarem usando o carro policial, gastando a gasolina paga com o dinheiro da sociedade, para fins pessoais. Não estavam realizando NENHUMA ATIVIDADE Policial, nem sequer foram solicitados para estarem no âmbito universitário. Outra motivação perpassa uma conotação ideológica que perfaz a seguinte reflexão: O símbolo da policia, da arma de fogo numa unidade de ensino opõe-se ideologicamente a emancipação. Pressupomos que a repressão não garante a educação. A universidade dispõe de seguranças próprios, qual a necessidade da policia? Ao que querem reprimir?

Ao percebemos a naturalidade que a farda e arma encontravam neste espaço acadêmico, e movidos pelos inquietantes questionamentos, sugerimos a reflexão aos próprios policiais, sobretudo aos que embora alunos da universidade, estavam fardados e armados, em serviço, roubando da sociedade a presteza dos seus serviços quando estavam em outro espaço senão aquele para que foram contratados. Sugerimos a reflexão que é epigrafe deste texto: “Quem tem uma metralhadora nas mãos imagina que porventura poderá usá-la...” Só então, depois da reflexão, e do conflito existente com a força policial que não esta acostumada com o diálogo, o diretor do departamento Ariosvaldo Novaes, convocou os estudantes para uma sindicância na tentativa implícita de criminalizar o movimento estudantil. Escolheu dois dos estudantes, mas a tentativa foi de fazer ecoar aos nossos pares que as nossas inquietações não são válidas, tentando calar o movimento estudantil. Cabe pontuar que depois da tentativa de diálogo com os policiais, a presença dos pm´s acentuou-se perversamente dentro da universidade, mesmo tendo o conselho departamental garantido deliberações para sanar o desconforto gerado aos estudantes em dividir espaço com fardas e armas. Os policias, viram a tentativa de diálogo com uma afronta ao poder que desfrutam “fardados e armados”, e fizeram disso mote para presença constante no departamento, chegando ao ponto de ameaçar o coordenador do diretório de pedagogia, quando numa dessas visitas o mesmo questionou novamente, e foi respondido pela sugestão de um dos policias em chamar a viatura, caso insistisse em questionar sua presença no campus, emergindo a possibilidade, através do seu discurso, de prisão por desacato a “autoridade”.

O abuso da policia militar em Itaberaba contra estudantes não é um fato novo, testemunhamo-os em muitos momentos, seja no fato ocorrido em 2008 envolvendo um jovem e um estudante da UNEB numa abordagem violenta que tomou a proporção de espancamento, seja nos fóruns em que o movimento estudantil se articula para discutir e propor idéias ao estado, sendo recepcionados com armas, gás , balas de borracha, seja nas festas em que sem serem chamados aparecem para “averiguar”, seja no dia-a-dia intimidando com cara “amarrada”, farda e arma toda a tentativa de diálogo que buscamos estabelecer, deixando claro a repressão prometendo reagir contra as reclamações dos estudantes. Na ultima sexta feira (09/10/2009), fomos surpreendido com a informação, por um dos militantes do movimento estudantil, de que os policiais virão na próxima quinta-feira (15/10), no intuito de testar se os estudantes vão questionar a presença deles para “partir pra cima”. Deste modo, em virtude das afrontas estabelecidas, reafirmamos que o movimento estudantil desde sempre buscou o diálogo como forma de intervir nas situações que envolvem a dicotomia posta PM X ESTUDANTES. Assim, convocamos a tod@S companheir@s para combater essa ação canalha, arbitrária, autoritária, repulsiva, desta estrutura falida de Estado burguês. Precisamos garantir um espaço que homens e mulheres sintam-se livres para pensar, agir, sonhar e promover o ideário da emancipação humana.

 

Por uma Universidade sem repressão! A Policia não é a solução.

 

Karinne Nascimento – (Letras)

Priscila Natividade – (História)

Vinicius Oliveira – (DA pedagogia)

 

 

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