Sindicato dos Trabalhadores da USP desafia reitoria e José Serra:
No último dia 29 de abril, em assembléia, os trabalhadores da Universidade de São Paulo deflagraram greve. Além de 16% de reajuste salarial, os funcionários da USP reivindicam melhores condições de trabalho. No ano passado os trabalhadores deflagraram uma greve histórica que teve a adesão de professores e funcionários, durando 57 dias. Naquela ocasião a resposta do governo José Serra foi a ocupação militar da Universidade, gerando confronto entre as forças da repressão e os grevistas. Na oportunidade, o então presidente do SINTUSP, Claudionor Brandão, foi demitido em razão de sua postura combativa, denotando clara e inaceitável perseguição política.
A paralisação do SINTUSP atinge não só o campus do Butantã como também vários campi no interior, como Ribeirão Preto, São Carlos e Piracicaba. Serviços como restaurantes, bibliotecas, laboratórios e a Prefeitura do Campus, responsável pela administração em São Paulo, estão paralisados.
A reitoria imediatamente declarou que cortaria os pontos dos grevistas e a nobre “justiça” burguesa-latifundiária não tardou em acatar liminar multando em R$1 mil os trabalhadores em caso de piquete. Em vão. A resposta dos combativos funcionários da USP às ameaças foi o bloqueio de diversos prédios, como o da Escola de Comunicações e Artes, no campus do Butantã.
Vale lembrar que o atual REItor da USP, João Grandino Rodas, foi indicado para o cargo pelo governo estadual (valendo-se do preceito da famigerada Lista Tríplice) apesar de não ter sido o candidato mais votado pela comunidade acadêmica, fato que não ocorria desde o regime militar. Esse senhor, aliás, tem um invejável currículo de serviços prestados a reação: não apenas, enquanto conselheiro universitário, foi quem mais bradou e articulou a resolução do Conselho Universitário da USP, de 2008, que recomendava com “veemência” o uso da força policial contra piquetes e ocupações como, inclusive, foi advogado de defesa dos militares na célebre denúncia movida contra eles pela estilista e ativista Zuzu Angel, em razão da tortura e assassinato de seu filho, Stuart Angel.
É, como vemos, a luta entre os dois caminhos na universidade que se acentua. Os governos e suas burocracias acadêmicas e sindicais que se preparem: a resposta dos estudantes, funcionários e professores já começou a ser dada!
Em defesa da Greve Geral Unificada da UNIMONTES:
No dia 30 de março último o reitor da UNIMONTES, Paulo César de Almeida, publicou uma nefasta nota “à comunidade acadêmica”, onde, de forma autoritária e dissimulada, por meio da ameaça de corte de pontos e demissão, tenta coagir servidores e professores a encerrarem legítima greve geral unificada.
O reitor mostra novamente quais interesses representa. Novamente porque o Sr. Paulo César há vários anos atua como cão de guarda do governo na UNIMONTES. Na antepenúltima eleição para reitoria, Paulo César, que então era vice-reitor de José Geraldo de Freitas Drummond (secretário municipal de saúde) foi empossado por meio de lista-tríplice, mesmo não tendo sido eleito pela comunidade acadêmica, o mesmo ocorrendo na penúltima “eleição” quando, desta vez como candidato a reitor, foi empossado, novamente sem ter sido eleito pela comunidade acadêmica. A posição que o reitor torna pública agora é, portanto, a mesma que tem expressado durante todos estes anos, ilegitimamente, à frente da universidade.
Os servidores que chegam a receber menos de um salário mínimo se encontram em greve desde o inicio do semestre letivo e, desde então, a reitoria deixa claro sua posição de não negociar e de cercear o direito à livre organização dos trabalhadores. O mesmo ocorrendo com relação ao atendimento das reivindicações dos professores. Até o momento, duas reuniões do Conselho Universitário - CONSU e do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão - CEPEX foram adiadas, sendo “substituídas” por reuniões convocadas pela reitoria de ultima hora, na surdina, entre chefes de departamentos, direções de centros e pró-reitorias. Em tais “reuniões” o Sr. Paulo César teve o disparate de afirmar que a greve não seria legítima, uma vez que “os professores, representados pela ADUNIMONTES, não estariam dispostos a negociar”. Sendo que, na ultima reunião, o reitor sequer compareceu (enviando pró-reitores como representantes) devido à repercussão negativa de suas nefandas declarações.
Perguntamos: o que a reitoria da UNIMONTES fez até momento senão representar e defender os interesses do governo? Em qual momento as reivindicações de servidores, professores e estudantes foram seriamente debatidas? Por que, ao invés de sentar com o governo para ajudá-lo em sua demagogia eleitoreira o reitor não busca o diálogo nas assembleias, sindicatos, centros acadêmicos e etc?
Agora, quando depois de vários anos, vivendo sob as mais precárias condições, a comunidade acadêmica decide pela greve geral unificada a reitoria se faz de desentendida. Por que, até o momento, não falaram uma vírgula sequer e não moveram uma palha para resolver os gravíssimos problemas que afligem a universidade: falta de salas e moradia estudantil, praticamente inexistência de pesquisa e extensão, laboratórios insuficientes, ultrapassados e deteriorados, falta de estrutura para portadores de necessidades especiais, etc. e etc.?
Perguntamos novamente: porque gastar uma fortuna com a construção de um novo “palacete” para o reitor enquanto os estudantes continuam sem moradia estudantil, vindo de todo o norte de Minas em viagens onerosas, cansativas e perigosas? E o Restaurante Universitário que até o momento não saiu do papel?
Sobre todas estas questões não se fala uma vírgula. Pois a verdade é que o senhor reitor Paulo César (que “exige” ser chamado de “magnífico”) só faz o que interessa ao governo e não o que interessa à comunidade acadêmica.
Toda situação caótica em que se encontra a UNIMONTES é o resultado de anos de sucateamento, privatização e, sobretudo, ingerência do governo, falta de democracia e autonomia universitárias. Por tudo isso, a greve geral unificada de servidores, professores e estudantes é um movimento justo e legítimo.
A UNIMONTES é um patrimônio do povo norte mineiro, portanto, a universidade deve servir a seus interesses e ao verdadeiro desenvolvimento da região. É necessário que vigore a democracia dentro da UNIMONTES. Somente quando a comunidade acadêmica, junto ao povo do norte de Minas, exercerem o poder na universidade é que a mesma será, de fato, autônoma, livre do domínio atualmente exercido por escusos interesses privados.
Conclamamos a toda comunidade acadêmica, servidores, professores, estudantes, trabalhadores, entidades e organizações classistas e todos aqueles que defendem a educação pública e gratuita a se somarem neste grande movimento em defesa da UNIMONTES.
Por uma UNIMONTES democrática e autônoma!
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