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Greve geral e ocupação históricas derrubam o REItor da UNIR!

“unidos en la lucha, no nos moverán
unidos en la lucha, no nos moverán
como un árbol firme junto al rio
no nos moverán”

 

O dia 23 de novembro de 2011 é histórico para todos os estudantes, professores, intelectuais honestos e brasileiros em geral comprometidos com a ciência e com uma educação verdadeiramente pública, gratuita e à serviço do povo. Após 70 dias de greve, docente e discente, e 49 dias de ocupação da REItoria, o REItor bandido da Universidade Federal de Rondônia, José Januário de Oliveira Amaral, renunciou ao cargo, em Brasília, após reunião Fernando Haddad. Haddad, que se negou sempre a ouvir a principal reivindicação do movimento grevista na UNIR, que exigia o afastamento de Januário, e se omitiu inclusive diante de prisões e ameaça de morte contra ativistas, disse, após a renúncia de Januário, com a maior cara-de-pau, que “pediria” para o REItor se afastar. Sim, como diz o ditado, rei morto, rei posto...

Prdio_da_UNIR-CENTRO_ocupado_pelos_estudantes

 

Independente e apesar disso, a derrubada de Januário representa uma grande vitória, histórica tanto pelo caráter da luta como por seus resultados. E, claro, a luta não finda, mas prossegue, agora em defesa da democratização da universidade e por mudanças estruturais (em todos os sentidos) na administração da UNIR.

Nós, militantes do Movimento Estudantil Popular Revolucionário, enviamos desde aqui saudações combativas e revolucionárias a todos os estudantes, professores, funcionários e apoiadores da UNIR, que têm protagonizado essa grande jornada de luta, e temos certeza que de Rondônia irradiam grandes exemplos –e lições –para todos os estudantes brasileiros.

“O capuz é o rosto de quem luta”

 

Desde a histórica ocupação da USP, em maio 2007, que as ocupações de reitoria voltaram a ser um método de luta sistematicamente empregado pelos estudantes, visando se contrapor, sobretudo, à estrutura arcaica e antidemocrática da Universidade brasileira, herdada do período do gerenciamento militar. A histórica reivindicação do ME brasileiro, de um terço de participação estudantil nos conselhos superiores, que foi motivo da maior greve estudantil da história do Brasil (a histórica greve do um terço, em 1962) está hoje muito distante de ser realidade: na maior parte das universidades essa participação é de um décimo, ou mesmo inferior.

O resultado: as chamadas vias “legais”, “democráticas” da Universidade, como seus conselhos superiores, são nada mais nada menos que mini-parlamentos, cópias daquele que existe em Brasília: antros de corrupção, que existem para legitimar os interesses de uma minoria, contra os interesses da imensa maioria. Por isso, porque não são democráticas, as universidades não possuem, igualmente, autonomia de fato: as burocracias acadêmicas que as administram, ligadas e controladas cada vez mais às fundações privadas e ao governo (seja estadual ou federal), servem docilmente àqueles que lhe oferecem as migalhas caídas das “tenebrosas transações” oriundas da privatização e sucateamento do ensino superior em todos os níveis.

Estudantes_resistem_e_sustentam_a_ocupao_com_ousadia_e_combatividade

Por isso, exatamente, as ocupações de reitoria estavam e estão na ordem do dia.

Entretanto, essas ocupações e a mobilização dos estudantes brasileiros, particularmente contra o crescente corte de verbas e os nefastos efeitos sentidos com a aplicação do REUNI, têm que se enfrentar com a disputa entre os dois caminhos, sempre presentes na luta do nosso povo: o caminho da luta e o caminho da conciliação. A vendida UNE, lacaia do MEC e do governo federal, que recebe o Ministro da Educação e os gerentes de plantão em seus pseudo-congressos, está claramente do lado de lá da trincheira. Entretanto, se esta segue sendo a inimiga principal das mobilizações, no interior dos movimentos de greve e ocupação também existem inimigos, que de boca criticam a UNE e o governo, mas reproduzem a mesma política e os mesmos métodos que levaram a UNE a se transformar no que é hoje.

O recente caso da USP, quando os partidos que mais se dizem “porta-vozes” das mobilizações, PSOL e PSTU, atuaram, mais uma vez, como já tinham feito em 2007, como bombeiros da luta, se opondo à ocupação e apelando para as surradas fórmulas de “acumular forças”, “ganhar a opinião pública primeiro e lutar depois”, etc, etc, mostra isso claramente. Nas ocupações em que essas organizações lograram dirigir o movimento, a ordem de reintegração de posse era considerada como um limite natural para a luta, e falar em resistência, em permanecer, em não sair, era tomado como algo “irresponsável”, fora da realidade, “ultra-radical”, até estranho...

Claro, resistir era fora de questão, mas fazer manifestações com a UNE contra a “crise econômica” e, agora, buscar o apoio da entidade governamental para reformular o PNE parece a coisa mais natural do mundo...

Na UNIR, ao contrário, RESISTÊNCIA foi a palavra-de-ordem adotada. Havia uma inscrição na entrada da REItoria dizendo “Os capuzes são as máscaras dos que lutam”. E os estudantes deram provas de que não era apenas uma frase de efeito.

 

Algumas lições práticas da luta na UNIR:

 

Veio a ordem de reintegração de posse.

Os estudantes responderam: venham nos tirar!

 

Prenderam o professor Valdir Aparecido de Souza, dentro do prédio da REItoria, e o enviaram ao presídio Urso Panda; os estudantes Fernanda Mello do curso de Medicina e Gustavo Torres do curso de Engenharia Civil foram presos pela Polícia Federal quando saíam de uma gráfica por levar panfletos convocando uma manifestação.

O que aconteceu? A greve aumentou sua força.

 

Numa atitude desesperada, durante a semana passada, capangas de Januário e do senador Valdir Raupp distribuíram bilhetinhos anônimos contendo ameaças de morte a professores e estudantes, tanto de Porto Velho como do interior, e chegaram a ir até a casa de uma estudante integrante do comando de greve dizer que a matariam.

Estudantes e professores, mais uma vez, responderam: NÃO TEMOS MEDO DE BANDIDOS! LUTAREMOS ATÉ O FIM!

Cartazes_na_ocupao Ocupao_UNIR Estudantes_da_UNIR_queimam_bonecos_de_januario_e_sua_corja

Quanto à mobilização da opinião pública, a postura dos estudantes e professores da UNIR foi exemplar. Foram organizadas várias manifestações no centro de Porto Velho, distribuição de panfletos e colagem de cartazes, inscrições em vidros de carros e lojas, foram gravados e exibidos depoimentos de pais de alunos, ou seja, sem esperar os monopólios de imprensa nem se trancafiar no interior da universidade, estudantes e professores foram diretamente fazer propaganda entre a população.

E a mais importante lição: a principal propaganda da luta é a própria luta, seu nível de organização, de disciplina, de firmeza. Se olharmos a maior parte das moções de apoio e notícias de maior impacto veiculadas pela imprensa, veremos facilmente que a maior parte vem das últimas duas a três semanas, isto é, quando já se completava mais de mês e meio de greve e semanas também de ocupação da reitoria. A própria matéria do Fantástico que, claro, piorou a situação de Januário, jamais teria existido se os estudantes e professores não tivessem persistido na luta, mesmo quando aparentemente pareciam “isolados”. Na verdade, a luta ter se mantido firme, conseqüente, apesar de todas as dificuldades, foi justamente o que garantiu o apoio e a repercussão crescentes.

Estudantes_celebram_renncia_de_Janurio

Transformar cada Universidade em uma UNIR!

 

O caminho da UNIR, isto é, o caminho da greve e da ocupação de REItoria conseqüentes é a única alternativa que têm os estudantes brasileiros para enfrentar a crise crônica da educação pública em nosso país. Diante dos ataques crescentes do imperialismo e dos gerentes de turno a seu serviço contra os direitos do nosso povo em geral, e da juventude em particular, todos os métodos de luta são válidos e devemos falar cada vez mais alto: A REBELIÃO SE JUSTIFICA!

Em todo o mundo a juventude se rebela. No Brasil não é e não será diferente. Bem vinda seja a tempestade!

VIVA A HISTÓRICA LUTA NA UNIR!

VIVA A JUVENTUDE REBELDE EM TODO O MUNDO!

GREVE GERAL CONTRA A “REFORMA” UNIVERSITÁRIA!

 

Comentários  

 
0 #3 Camponeses apoiam a luta na UNIRprofessora 01/12/2011 07:23
Primeiramente gostaria de parabenizar todos os estudantes e professores que brava e corajosamente realizaram a greve e ocupação da reitoria da UNIR. Sem luta não há vitoria! Vocês são o verdadeiro e histórico movimento estudantil brasileiro!
Li no site da LCP um matéria sobre o apoio dos camponeses à ocupação e me emocionei, acho que poderiam colocá-la neste site também!
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+1 #2 Se abre um novo tempo para a REVOLUÇÂO!Boca de Caêra 28/11/2011 14:57
Companheiros de todo o Brasil, a juventude brasieira têm nas mãos a tarefa de servir ao povo de todo o coração e ser a tropa de choque da revolução!

Saudações a todos os companheiros da UNIR!

Saudações combativas e revolucionárias aos companheiros do MEPR de todo o país e de Rondônia em paricular!

Boca de Caêra, Alagoas/2011
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+2 #1 Vitória do ME combativo!Estudante DF 24/11/2011 18:45
Os estudantes da UNIR fizeram história! Com combatividade e organização derrubaram o reitor corrupto e ganharam ainda mais força para lutar pela democracia, pela autonomia, independência e por um universidade que sirva ao povo! O Movimento Estudantil brasileiro deve, sempre, levantar a bandeira que hoje tremula nas mãos dos companheiros da UNIR!

Viva a luta dos estudantes e professores da UNIR!

Viva o Movimento Estudantil Combativo e Independete!
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