Reproduzimos abaixo Manifesto pela democratização da USP, que já conta com inúmeras assinaturas de intelectuais e ativistas da própria Universidade de São Paulo e de todo o país. É realmente um absurdo que o REItor da USP, João Grandino Rodas, juntamente com o governo do Estado de São Paulo, que acabam de ordenar a desocupação da reitoria mediante uso de força policial-militar, e movem processos administrativos e criminais contra estudantes e trabalhadores, venham fazer homenagens àqueles que tombaram contra o regime militar. Na desocupação da REItoria, há poucos dias atrás, 73 estudantes foram presos, número que é superior, como dissemos em matéria anterior, aos 60 estudantes detidos durante a invasão do Exército na UnB, em 1968, que é tida como das mais violentas perpetradas pelo regime militar fascista.

As semelhanças não param por aí, contudo. O próprio REItor fascista, Rodas, foi empossado pelo gerente estadual José Serra, após perder as eleições para a REItoria, numa inversão que não ocorria desde o governo Paulo Maluf, ainda sob a batuta dos milicos. Ainda: João Grandino Rodas integrou, por indicação de Fernando Henrique Cardoso, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), tendo sido um dos relatores da investigação sobre a morte de Zuzu Angel. No seu parecer, Rodas votou contra a culpabilidade do Estado e das Forças Armadas nesse caso, sustentando a surrada tese de que a estilista teria falecido num casual acidente de automóvel.
Outro ponto, que beira o grotesco, denunciado pelo Manifesto, é que a placa que será inaugurada na Praça do Relógio, carrega em seu título: “Monumentos aos Mortos e Cassados na Revolução de 1964”. Ou seja, exatamente como os milicos fazem, chama “revolução” ao golpe fascista e orquestrado pelo imperialismo ianque dado naquele ano.
Seria cômico se não fosse trágico!
É dever da juventude manter erguida bem alta a bandeira pela apuração e punição de todos os crimes cometidos pelo regime militar. Dever que não será cumprido sem a denúncia constante e sistemática do papel do oportunismo (particularmente PT e Pecedobê) que não recua ante nenhuma manobra e ardil visando tapear os familiares dos mortos e desaparecidos e também a opinião pública, como essa famigerada “Comissão da Verdade”, e também a lembrança que os combatentes revolucionários que tombaram na luta não derramaram seu precioso sangue para que houvesse essa falsa democracia que aí está, e sim, ao contrário, morreram lutando por uma nova sociedade, lutando contra o imperialismo e pelo socialismo. E essa luta, devemos dizer, não findou e segue existindo como necessária demanda histórica e política.
Abaixo o Manifesto:
Um monumento na USP já deveria há muito estar erguido. É justo, necessário, e precisa ser feito. Porém, não aceitamos receber esta homenagem de uma reitoria que reatualiza o caráter autoritário e antidemocrático das estruturas de poder da USP, reiterando dispositivos e práticas forjadas durante a ditadura militar, tais como perseguições políticas, intimidações pessoais e recurso ao aparato militar como mediador de conflitos sociais. Ao fazer isso, esta reitoria despreza a memória dos que foram perseguidos e punidos pelo Estado brasileiro e pela Universidade de São Paulo por defenderem a democratização radical de ambos.
Esse desprezo pela memória dos que sofreram por defender a democracia, dentro e fora da Universidade, se manifesta claramente na placa que inaugurava a construção de tal monumento. A expressão “Vítimas da Revolução de 1964” contém duas graves deturpações: nomeia de “vitimas” os que não recearam enfrentar a violência armada, e, mais problemático ainda, de “revolução de 1964” o golpe militar ilegal e ilegítimo.
Essa deturpação da linguagem não é, portanto, fortuita. Resulta da ideologia autoritária predominante na alta cúpula da USP.
Durante a ditadura, essa ideologia autoritária levou a direção central da USP a perseguir, espionar, afastar e delatar muitos dos que então resistiam à barbárie disseminada na Universidade e na sociedade brasileira como um todo. Ainda macula a imagem desta Universidade a dura lembrança (i) dos inquéritos policiais-militares, instaurados com apoio ou conivência da reitoria; (ii) das comissões secretas de vigilância e perseguição; (iii) das delações oficiais de alunos, funcionários e professores para as forças de repressão federais e estaduais; (iv) da mobilização do aparato militar na invasão do CRUSP e da Faculdade de Filosofia em 1968; (v) da colaboração quase institucional da USP, na figura do seu então reitor, Luis Antonio Gama e Silva, na redação do Ato Institucional Número 5 – AI5; (vi) e da aprovação, por Decreto, do regimento disciplinar de 1972, que veda a docentes e discentes qualquer forma de participação política e confere à reitoria poder para perseguir os que o fazem.
Nesse sentido, em memória dos que combateram as práticas da barbárie autoritária e suas manifestações, defendemos que a melhor forma de homenagear os muitos uspianos e demais brasileiros que tombaram nesta luta não é um monumento; mas, sim, a adoção dos princípios verdadeiramente democráticos em nossa Universidade, o que demanda o fim do convênio com a Polícia Militar, bem como o fim das perseguições políticas pela reitoria e pelo Governo de São Paulo a 98 estudantes e 5 dirigentes sindicais, através de processos administrativos e penais, e a imediata instauração de uma estatuinte livre, democrática e soberana, eleita e constituída exclusivamente para este fim.
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Assinatura de familiares de mortos e desaparecidos, de perseguidos pela ditadura. Uspianos e não uspianos. |
Assinatura de professores da USP e de outras universidades brasileiras |
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Comentários
Sinto muita falta de materiais sobre o movimento estudantil secundário em seu site. Eu fui ativista estudantil quando cursava o secundário e eram inúmeras as reivindicações. Me lembro da greve nacional de 1997 nas escolas técnicas... E Hoje? Quais são as reivindicações dos secundaristas? Quais são seus problemas? Qual é a sua organização? Li que Kassab (PSD) deu 1 milhão para o último congresso da UBES... é muito dinheiro para se gastar com o velório de um defunto tão magro.
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