gototopgototop

A tragédia cômica do ENADE exige... BOICOTA-LO!

enadeApós o escândalo da anulação das provas do “Novo ENEM”, e que não apenas denunciamos nessas páginas como índice do grau de decomposição e desmoralização do velho Estado, mas também aprofundamos o debate de que esse ENEM não era coisíssima nenhuma uma “revolução no ensino superior” (segundo a UNE e o ministro playboy Fernando Haddad), trataremos agora do ENADE (Exame Nacional de Avaliação do desempenho dos etudantes)-o velho “provão” com uma nova cara.

O ENADE, realizado no domingo dia 08/11, já iniciou desmoralizado. Houve já em duas denúncias de violação de provas: uma dia 20 de outubro no interior da Bahia e outra dia 04 último, na Paraíba. No dia da prova nova confusão: No Distrito Federal a empresa Consuplan, responsável pela realização das provas, simplesmente enviou o endereço errado para quase mil alunos que realizariam o exame. O mesmo ocorreu também no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Petrolina (PE).

A avaliação da universidade, como vimos, começa por constatar o processo de privatização e afundação de toda sua estrutura, desde a contratação de empresas privadas para produzir e distribuir as provas até à compra de reitores e conselhos universitários inteiros por um preço que pode ser até uma lata de lixo de luxo (lembra-se do caso da UnB?)!

Vale lembrar que o ENADE é obrigatório, segundo o MEC, e vários estudantes se preocuparam com o fato de não terem conseguido realizar a prova. Entre preocupações e protestos o “provão” foi realizado.

Mas o que ele significa realmente?

O Banco Mundial recomenda e agradece!

O ENADE é parte de um sistema mais amplo, o SINAES (Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior), imposto por medida provisória em 2004. O governo do PT simplesmente regulamentou o antigo Provão de FHC, dando mostras de seu puro e simples continuísmo. A coordenação do SINAES fica por conta de um conselho (CONAES) de caráter governamental. Reproduz a nível geral, portanto, a mesma estrutura arcaica e anti-democrática que faz-se presente no interior de cada universidade brasileira.

Vale lembrar que caso o estudante não compareça ao Exame pode ser impedido de retirar o seu diploma universitário e o dirigente que se recuse a aplicar o exame pode ser destituído pelo MEC. Além disso, uma vez que é componente curricular obrigatório, o ENADE define, por sobre a instituição de ensino superior a natureza e o caráter dos currículos e das prioridades de formação. Aonde fica a autonomia universitária? Bom, quem acredite na existência dela que explique...

O próprio conteúdo da prova, embora não seja esse o aspecto central, é no mínimo estranho: a prova é a mesma para aqueles que mal ingressaram na universidade quanto para os que estão às vésperas de concluí-la. As realidades regionais, as especificidades de diferentes cursos, nada disso existe. Para se ter idéia no último ENADE a nota na prova de conhecimentos específicos foi maior entre os alunos ingressantes na universidade que entre os que estão prestes a se formar!

ocupacao_usp_2Mas não se trata de exigir outro ENADE. Devemos entender que, do ponto de vista de seus organizadores, ele cumpre um objetivo. Um objetivo nada nobre: igualar as universidades públicas e privadas, compara-las e ranquea-las para, segundo a lógica de “eficiência” e “produtividade” do mercado definir o que presta e o que não presta. Àquelas universidades que provam (nesse sentido) não se adequar a esse modelo único o MEC oferece uma nobre ajuda: o corte de verbas. Uma instituição pública que não se adeque ao esquemão mercadológico terá suas verbas restritas, terá conseqüentemente que buscar essas verbas em “fundações” e “institutos”, privados claro, e será dessa forma dobrada por um recurso tão antigo quanto a humanidade: a força, a coação econômica. Bela lógica, não?

Não é à toa que, como diz o ANDES-SN em nota pública, um dos maiores entusiastas do novo Provão é nada mais nada menos que o Fórum Nacional em Defesa da Livre Iniciativa da Educação, que aglutina os principais tubarões do ensino privado do Brasil.

Vale lembrar que por pressão de professores e estudantes a USP e a UNICAMP jamais participaram do ENADE desde a sua implantação em 2004. E que diversas executivas de curso seguem o mesmo caminho: o Boicote!

O papel vergonhoso da UNE:

"Precisamos identificar limitações nos cursos universitários, definir políticas de investimentos e termos de ajuste de conduta para que algumas faculdades possam se comprometer a estabelecer um padrão mínimo de qualidade"( negrito nosso).

Não, essa não é a afirmação de algum burocrata do MEC nem de algum “sócio” de uma universidade privada. Essa foi a afirmação de Augusto Chagas, o mais novo estudante-fantasma presidente da UNE. Essa entidade, defensora de todos os ataques do Banco Mundial ao ensino superior do Brasil, via a gerência Lula/PT/PCdoB, como são PROUNI, REUNI, Lei de Inovações Tecnológicas etc., não poderia se furtar a ir novamente contra os interesses autênticos dos estudantes e, esse ano, se disse abertamente contra o boicote ao ENADE. Talvez para garantir o patrocínio de 100 mil reais da PETROBRAS para o seu próprio congresso, como aconteceu neste ano...

Devemos sim boicotar o ENADE e associar essa luta com a luta de pugnar pela democratização das universidades. Temos insistido sobre esse ponto e mais uma vez devemos coloca-lo na mesa. O ENADE é mais uma medida elaborada e aplicada pelo caminho burocrático nas universidades, o caminho que nelas prevalece quase que completamente desde o regime militar. É claro que os currículos, a estrutura e o acesso às universidades nos moldes atuais, na maior parte dos casos, não correspondem de forma cabal aos interesses da maioria do povo brasileiro. Através da nossa luta dentro das universidades, e do avanço das lutas populares em todo o país, é que poderemos fortalecer o caminho democrático-revolucionário a este que aí está, como nos mostraram recentemente os estudantes que decretaram greve e ocuparam reitorias de norte a sul do país.

Isso se faz desde já, e exige que façamos ainda muito mais. Como diziam os manifestantes de Córdoba, os estudantes já não pedem, EXIGEM!

 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Jornal Estudantes do Povo

JEP 12

Heróis do M.E

Receba Nossos Informativos

Cadastre-se e receba nossos informativos em seu email