A luta camponesa de Trombas e Formoso, ocorrida nos anos 50 no norte de Goiás foi a primeira grande luta camponesa dirigida pelo Partido Comunista do Brasil - P.C.B. e foi liderada pelo histórico dirigente comunista José Porfírio. A guerrilha de Porfírio, como ficou conhecida, ocorreu nos anos 50 e teve grande adesão dos camponeses, que chegaram mesmo a organizar embriões de um governo popular. Mas devido ao oportunismo da direção do Partido que resultou numa política de alianças com Juscelino, a luta foi interrompida. Mesmo assim a massa ficou organizada e só foi desarmada em 1964, depois do golpe dos militares.
Esse episódio tão importante para a história de nosso povo, em particular para o movimento camponês, por ser uma amostra do que podem conquistar as massas organizadas por uma direção proletária conseqüente, foi investigado e estudado por estudantes do curso de jornalismo da Universidade Federal de Goiás e o resultado, como não poderia ser diferente sempre que o tema é a luta popular, foi um brilhante trabalho que dá voz às massas do campo e nos mostra qual o caminho da Revolução Brasileira.
Essa iniciativa nos dá dois aspectos para analisar: um, principal, que é o conteúdo do trabalho, o triunfo dos camponeses; e o outro, secundário (mas muito importante), que é um exemplo de como os estudantes democráticos, progressistas e revolucionários devem lutar para colocar as escolas e universidades a serviço do povo. Essas instituições, onde prevalece um caráter anti-democrático, tentam o tempo todo impedir que se discuta qualquer tema referente aos sacrifícios e vitórias das massas, mas é também uma tarefa dos estudantes se esforçar utilizar o conteúdo dos diversos cursos e a infra-estrutura da Universidade para retratar e defender a verdadeira história do povo brasileiro.
Idealizado por Ana Lúcia Nunes, o "Memorial da Revolta de Trombas e Formoso" tem a forma de arquivo virtual e foi criado no fim de 2009, após longos meses de pesquisa e entrevistas com os principais personagens da revolta, ainda vivos. O Memorial é composto por um documentário de aproximadamente 25 minutos, bastante rico por trazer vibrantes entrevistas com camponeses, que contam a história da luta, mostra o nível de politização das massas e a disposição para defender suas as terras, inclusive com armas.
Se destaca a entrevista com Valter Waladares, que na época do movimento era um jovem militante do P.C.B. e se mudou para a área, além de ter sido um destacado líder secundarista em Goiânia; e com Dirce Machado, que desenvolveu um trabalho especial juntos às mulheres e formou o que ela chamou de Quartel General Feminino, que ajudava cuidando dos filhos de quem estava na frente, levando notícias, comida, etc. e se preparava militarmente para o conflito, o que mostra a imprescindibilidade da mulher em todos os aspectos da luta.
O arquivo virtual ainda abriga um vasto arquivo de documentos, como artigos publicados pela imprensa reacionária na época, objetivando pintar um José Porfírio “ditador” e “bandoleiro” para o povo da cidade em um momento em que crescia o apoio dos trabalhadores e estudantes ao movimento em Trombas e Formoso; sentenças e decisões judiciais sobre a questão; imagens da área e um perfil dos principais camponeses que lutaram por terra e trabalho.
O "Memorial da Revolta de Trombas e Formoso" passa longe de apenas retratar um simples episódio histórico, que supostamente teve seu fim e já está ultrapassado. Ao contrário, mostra que a vitória dos camponeses de Trombas e Formoso foi uma importante passagem da história de lutas do povo brasileiro e deve servir como exemplo para o movimento camponês que luta para conquistar a terra e destruir o latifúndio atualmente em nosso país, mostra o ânimo revolucionário do camponês e destaca a necessidade da autodefesa organizada das massas para rechaçar os latifundiários que historicamente roubam a terra de quem nela trabalha.
O arquivo virtual "Memorial da Revolta de Trombas e Formoso" pode ser acessado em http://www.trombaseformoso.com.
Vale a pena também ler as seguintes matérias, publicadas no jornal A Nova Democracia:
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