Segundo os algozes do povo:
“(As tropas) vão ficar o tempo que for necessário para garantirmos a paz”,
(Luis Inácio sobre a presença do Exército no Complexo do Alemão, prometida para durar até a Copa do Mundo).
“Sempre se ouve aquela crítica: 'Estão (os militares) ajudando no Haiti, por que não ajudam o Rio de Janeiro e o Brasil?' Isso vai mudar depois da experiência que tivemos aqui”.
( Vice-governador do Rio de Janeiro, Pezão, sobre aplicação da experiência de repressão obtida no Haiti nas favelas do Rio de Janeiro).
“Temos uma proposta e quem atravessar na nossa frente, será atropelado”,
(José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Rio, na quinta-feira última, 25/11. O lema tão caro ao fascismo é evidente: quem não está conosco, está contra nós ou, em outros termos, se opor à violência policial é o mesmo que ser criminoso...)
"A PM é o melhor inseticida contra a dengue. Conhece aquele produto, [inseticida] SBP? Tem o SBPM. Não fica mosquito nenhum em pé. A PM é o melhor inseticida social",
(Marcus Jardim, coronel da PM, durante operação policial na Vila Cruzeiro em 16 de abril de 2008).
“Porque um tiro em Copacabana é uma coisa. Um tiro na Coréia [comunidade localizada na periferia do Rio de Janeiro] é outra. Na medida em que se discute esta questão (a política de enfrentamento do governo estadual que tem resultado em tiroteios e mortes nas favelas) isso beneficia a ação do tráfico. Mas vamos em frente".
(Declaração de Beltrame, em outubro de 2007, sobre o aumento de mortes resultantes de ações policiais).
“Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal. O Estado não dá conta”.
(Sérgio Cabral, governador do Rio, criminalizando os pobres antes mesmo do seu nascimento. Eis a fórmula encontrada para “acabar” com a pobreza, e aplicada com esmero no Complexo do Alemão: eliminar os pobres!).
Segundo os honrados trabalhadores, moradores do Complexo:
"Parabéns a vocês. Parabéns, Beltrame, parabéns, Cabral. Olha o que vocês conseguiram com isso! Matar uma menina que estava em casa! Sabe o que vocês conseguem com essas operações: matar pobres".
(Roberto Alves, pai da adolescente de 14 anos Rosângela Alves, morta com tiro no peito durante operação na Vila Cruzeiro na quarta-feira 24/11. Rosângela estava em casa, em frente ao computador, quando foi alvejada).
"O tiro que atingiu minha casa partiu de baixo para cima. Minha filha está morta, e eu sequer consigo velar o corpo dela".
(Para a mãe da jovem, Thereza Cristina Barbosa, não há dúvida que a filha foi assassinada pela polícia).
"Ele não é bandido. O corpo dele ficou lá em cima (no morro) por horas e ninguém o socorreu (...) Não perguntaram nada, só atiraram. A criança viu tudo e está em estado de choque"
(Protesto do irmão de Rafael Felipe Aurídes Gonçalves, 29 anos, morto com tiros no rosto e no peito. O rapaz trabalhava como mototaxista e levava o enteado para a escola quando foi atingido).
“Graças a Deus ninguém ficou ferido, mas a gente não tem para onde ir. Quando reclamei com o policial, ele me mandou morar na casa dos vagabundos”.
(Leia de Souza, 30 anos, depois que a proximidade do helicóptero da Polícia Militar derrubou metade da casa de sua mãe, na Rua Araruá, no Complexo do Alemão).
“Cadáveres aos porcos
No início da tarde, uma senhora baixa e negra que gritava na praça, com uma criança no colo, era o retrato do desespero. ‘Tem 24 horas que meu menino de 16 anos está sumido. Botaram o corpo dele para os porcos’, chorava a mulher, identificada apenas como Dineia. Todos os moradores sabem onde fica o local sobre o qual a senhora falava. ‘É na vacaria, tem corpo lá, sim’, confirmaram os cerca de 10 transeuntes consultados pela reportagem na subida do morro da Vila Cruzeiro. O local é coberto por mata e pedras. Em vez de vacas, criadas no local tempos atrás, havia porcos se alimentando de cadáveres. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Rio de Janeiro informou não ter conhecimento do fato”.
(Reportagem do Correio Braziliense, de 29/11, confirma execuções sumárias no alto do Morro do
Alemão).
Abaixo, vídeo de morador que denuncia ter sido roubado por policiais, além de ter sua casa destruída:
Abaixo, vídeo registrado pelo jornalista Patrick Granja sobre a operação militar no Complexo do Alemão, divulgado no blog do jornal “A Nova Democracia”.
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