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Rebelião dos operários da Usina Jirau sacode o norte do país

Neste último dia 17 de março, quinta-feira, os operários da construção civil que trabalhavam nas obras da Usina Jirau se rebelaram contra miseráveis condições de trabalho e contra a exploração máxima a que eram submetidos.

O dia a dia dos operários era de maltratos, desrespeito de seus direitos trabalhistas, além de verdadeiras torturas com o excesso de jornada de trabalho, roubo das horas extras, más condições de trabalho que geram acidentes com mortes e mutilações, alojamentos precários, altíssimo custo dos medicamentos vendidos na farmácia da obra, etc.

Canteiro_de_obras_e_instalaes_da_usina_Jirau_so_destrudos

 

A situação no canteiro de obras

nibus_carros_e_mquinas_tambm_foram_incendiados Aliado a isso, os “seguranças” da empreiteira Camargo Corrêa mantinham regime de vigilância, com constante humilhações e truculência. Segundo relatos, como o de Giselmo Farias, 34 anos, natural de Imperatril, Maranhão, "quem chegava sem crachá era retirado da fila [do refeitório] a socos". E "pior era a situação do camarada que aparecia no acampamento depois de beber uma cachaça. Vi muita gente apanhar dos seguranças".

Outro maranhense, José Wilson dos Santos, 21 anos, de Igarapé do Meio, exibiu uma planilha de horas trabalhadas na Camargo Corrêa. Na semana passada, por exemplo, entrou no trabalho sempre às 7 horas, teve uma hora de almoço e saiu após as 22 horas. Ele não reclama da falta de pagamento da hora extra, mas do valor pelo que trabalha além do combinado na carteira. Relatou que, mesmo saindo tarde, não consegue um salário bruto superior a R$ 1.100.

O também maranhense Francisco de Assis Araújo, 35 anos, disse que, para tratar de uma febre comum teve que gastar nada menos que R$ 149 em remédios. Situação semelhante à de José Wilson dos Santos, 21 anos, de Igarapé do Meio-MA, que denunciou que "parte do dinheiro fica no canteiro de obras. A empresa não dá plano de saúde e nem remédio". Ainda, José Wilson citou uma série de colegas que sofreram problemas de saúde e tiveram de deixar os canteiros de obras sem assistência. Pelo contrato que firmaram com a empresa, eles só teriam direito a transporte de volta para casa após 80 dias de trabalho.

Empreiteiras do PAC usam “gatos” para enganar trabalhadores

As empreiteiras das obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), conforme tem denunciado insistentemente o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belo Horizonte (STICBH), conhecido como Marreta; usam e abusam da enganação e exploração dos trabalhadores.

Também nas obras de Jirau, trabalhadores principalmente do Nordeste são enganados com promessas de bons salários e condições de trabalho, mas quando chegam nas obras, a situação é outra: salários só são pagos após vários dias de trabalho, verbas trabalhistas não são garantidas, alimentos e medicamentos são vendidas a preços altíssimos. Além disso, a segurança para os trabalhadores é absurdamente ignorada, sem fornecimento de equipamentos e condições mínimas.

O peleguismo do sindicato

A Camargo Corrêa têm utilizado a completa paralisia e peleguismo do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero) para retirar a legitimidade e justeza da revolta. Os sindicalistas apenas chegaram horas depois dos acontecimentos e apoiaram oficialmente os argumentos da empreiteira, qual seja, o de que não havia nenhum problema trabalhista na obra.

Pelego_presidente_do_Sindicato__em_resort_em_Rondnia

Vários operários que concederam entrevistas e depoimentos à imprensa, questionados sobre a posição do sindicato, mostraram que o ódio era direcionado tanto contra a construtora quanto contra o sindicato. E isso se agravou depois da divulgação de fotos do presidente do sindicato “curtindo a vida” no mais sofisticado hotel de selva de Rondônia.

Um trabalhador que pediu para não ser identificado, ao ser questionado sobre a ação do Sindicato para levar as queixas à gerência da Camargo Corrêa, respondeu: "É tudo um bando de pelego, vendido pra construtora. Esse povo perdeu a moral aqui, e se aparecesse no local na hora da revolta, teríamos sindicalistas enforcados e grelhados na brasa".

O saldo da rebelião

Com toda essa situação, a revolta dos operários foi se represando até estourar. O resultado foi a destruição de praticamente todo o canteiro de obras. Os alojamentos, refeitórios e escritórios foram incendiados. Os carros da empresa, bem como ônibus e maquinários pesados, completamente destruídos.

Carro_incendiado Fogo_destruiu_grande_parte_das_instalaes Resultado_do_incndio_da_usina_Jirau

Os mais de 10 mil operários foram obrigados a se deslocar das obras até a cidade de Porto Velho em transportes precários. A empreiteira tem a obrigação de providenciar hospedagem digna, pagar todos os direitos trabalhistas atrasados e o transporte de volta para os locais de origem dos trabalhadores.

Rebelar-se é justo!

Essa é uma demonstração da capacidade das massas, de seu potencial revolucionário e força transformadora. Ao contrário do que imaginam s exploradores e reacionários, o povo jamais é submetido e aceita tal situação em silêncio por muito tempo. A revolta vai se acumulando, e quando estoura, nada pode detê-la.

Tremam, opressores, pois a combatividade demonstrada pelos operários da Usina Jirau vem se somar à luta dos camponeses, dos estudantes e de todo o povo brasileiro, em sua busca incansável por uma nova e verdadeira democracia.

O povo prepara sua rebelião, se abre um novo tempo para a Revolução!

Viva a luta popular!
 

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