Manifestação de 11 de março no consulado ianque:
Pacifismo vergonhoso e oportunismo radical da direção do PSTU e demais partidos eleitoreiros
Defender o justo direito de rebelar-se contra o imperialismo!
No dia 11 de março último, uma passeata com cerca de 200 manifestantes dirigiu-se, pelas ruas do Centro do Rio, em direção ao consulado ianque para protestar contra a presença do inimigo nº1 dos povos de todo o mundo em nosso país, Barack Obama. Além de faixas de protesto, panfletos e muitas bandeiras e palavras de ordem, foram lançados coquetéis molotov contra o consulado dos Estados Unidos, ação seguida por furiosa ação da polícia que protegendo o consulado, atacou manifestantes com bombas, tiros e cassetetes, ferindo muitos e prendendo 13 deles, a maior parte militantes do PSTU. Desde então uma grande campanha de repúdio à prisão dos manifestantes e sua manutenção em presídios, bem como do tratamento dado aos detidos (como o de terem a cabeça raspada), repercutiu repudiando a ação do velho estado brasileiro e se solidarizando com os ativistas presos.

Mas não foi só isso. Muito nos chama a atenção o fato de que desde os purulentos gabinetes de direção da esquerda eleitoreira, começaram a ecoar gritos de histeria contra o lançamento de molotovs contra consulado imperialista (artefato largamente utilizado pelos povos de todo mundo), afirmando serem contra qualquer tipo de violência e classificando rapidamente como ação de provável infiltração policial, ou um ato enlouquecido, irresponsáveis, ultra esquerdistas e dizendo mesmo (pasmem!) “que não contribuem nada para a luta anti-imperialista”. Tudo isto, é claro, é o que publicam oficialmente, enquanto nos corredores praticam como sempre, a mais suja fofoca delatora.
A questão da autoria de tal ação, (de que todos anti-imperialistas sérios gostariam de assumir) só pode interessar mesmo à polícia política e ao imperialismo, e logo, qualquer insinuação a este respeito seria tomada por todos revolucionários consequentes como uma atitude policial. O que está em questão não é autoria de tal ato, mas sim sua justeza, e mais do que isso, o que está em jogo é o justo direito de rebelião através da violência revolucionária, e de que papel tem jogado o oportunismo eleitoreiro no movimento popular.
Em editorial, o PSTU publicou artigo sobre a prisão de seus militantes em que repudia a ação da polícia e classifica o
lançamento dos molotovs como uma ação enlouquecida e no mínimo ultra esquerdista para em seguida exaltar toda a repercussão dada à manifestação, o despertar da solidariedade de muitos setores, e de ter sido uma resposta contundente a visita de Obama.
Esta mesma esquerda oportunista que sempre afirmou que tais ações resultam em isolamento, classificando a esmo de vanguardismo (como se isso fosse a única coisa realizada), é também unânime em demarcar como tendo sido de “grande repercussão”, “resposta contundente” e que “despertou todo um setor democrático”.
Vejam, parece que o despropósito desta ação lhes coube muito bem! Mas o que se esconde por detrás desta aparente incoerência?
Em primeiro lugar para o PSTU (e demais partidos eleitoreiros), partido legal que disputa as eleições religiosamente de dois e em dois anos seguindo todos os regulamentos estabelecidos por este Estado burguês-latifundiário, é dever remarcar e deixar claro para as classes dominantes que é um partido inofensivo, que apesar de sua retórica socialisteira, sua prática não sai dos marcos da mais estrita legalidade burguesa.
A fim de conter sua militância de base, particularmente a juventude, mantêm um discurso “radical” sobre a revolução socialista enquanto praticam o mais vil reformismo e colaboração de classes. Até em seu site na Internet mantêm um autodenominado “blog molotov” (certamente não deve se referir a V.M. Molotov, camarada de armas de Stalin -), molotov este que tem sentido meramente figurativo (já que em parte alguma, em momento nenhum nunca utilizaram) mas que serve para iludir e manter o verniz para sua militância e diante de parte da massa.
O que procuram esconder com este jogo de palavras é que, não fosse a combatividade do legítimo ataque ao consulado ianque, a passeata não teria tido nenhuma repercussão e, logo, a visita de um estadista genocida, o mesmo que desde nossas terras ordenou mais uma agressão imperialista, desta vez ao povo Líbio (não com molotvs, mas com mísseis Tomahawk), teria passado em brancas nuvens. Este sim, seria um desserviço a luta anti-imperialista. A covardia, a passividade perante o inimigo, ainda mais quando o mundo se encontra em chamas, não é mais do que a rendição da bandeira anti-imperialista, por puro oportunismo, eleitoralismo e conciliação de classes.
Na verdade, o isolamento a que se referem, e que tanto temem, é o isolamento da burguesia, do Estado, da legalidade burguesa e de todos espaços e oficialidade que lhes é reservada e assegurada no quartinho dos fundos do Estado brasileiro.
Falam ainda que atos como estes não servem para dialogar com a população. Mais uma desculpa esfarrapada, afinal de contas debater com as massas é tarefa diária e permanente de qualquer revolucionário. As passeatas e atos são instrumentos para expressar de forma clara e contundente a indignação e ódio de classe. E esta é uma forma contundente e eficaz de falar às massas, como dizia Engels, remarcar com fatos materiais na cabeça dos homens, este é um princípio materialista.
Também revelador de sua prática é ver como agem e jogam com sua militância, manipulando seus interesses eleitoreiros. Em uma atitude no mínimo irresponsável (para não dizer “enlouquecida”) reagruparam sua militância em local próximo ao consulado, isto quando a polícia estava a cata de fazer prisões de qualquer manifestante a fim de prestar contas aos patrões ianques, o que terminou por ocorrer.
Em meio ao aprofundamento da militarização de toda a sociedade, da guerra imperialista no mundo e da guerra contra o povo em nosso país (em especial no Rio de Janeiro) e a criminalização do movimento popular em particular, estes senhores, ao mesmo tempo em que pregam a Revolução, atuam como se existisse uma suposta democracia e legalidade.
Nossos oportunistas eleitoreiros são mestres em “apoiar” e divulgar a luta e levantamento de outros povos do mundo, como na Grécia, Tunísia e Egito, a fim de catalisar as expectativas de rebeldia da juventude, mas quando se trata das massas de seu próprio país, praticam e difundem a mais covarde paz social (paz com os exploradores e opressores), arrogando-se com radicalidade serem contra qualquer tipo de violência.
Se tratando de partidos Trotskistas, revisionistas pela própria natureza, isto só pode surpreender os desavisados. Como renegados do marxismo-leninismo, acumulam em seu currículo uma longa ficha de colaboração com a contra revolução e a direção de absolutamente nenhum processo revolucionário exitoso no passado e nos dias de hoje.
O que cabe aos verdadeiros revolucionários de todo o país é defender o direito inalienável das massas de se rebelar contra o imperialismo, a grande burguesia e o latifúndio, afirmando aos quatro cantos, uma e mil vezes, que “Rebelar-se é justo!”.
Morte ao imperialismo! Viva a resistência dos povos de todo o mundo!
Rebelar-se é justo!
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