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Três Operários são soterrados em obras no Hospital Universitário de Brasília

As péssimas condições de trabalho, os miseráveis salários e as constantes mortes em conteiros de obras são parte da realidade na construção civil de nosso país

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No dia 21/07, quinta feira, pela manhã, três operários foram soterrados em obra de construção do Instituto da Criança e do Adolescente no Hospital Universitário de Brasília(HUB) após desmoronamento de barranco. As vítimas soterradas são: Lourival Leite, pedreiro; Nelson Rodrigues da Silva, auxiliar de pedreiro e Raimundo José da Silva, também auxiliar de pedreiro.

Contando com a tragédia no HUB, já são 12 mortes oficiais em obras no Distrito Federal só em 2011. O número é o dobro do registrado no ano passado, quando seis trabalhadores da construção civil perderam a vida trabalhando. O aumento na quantidade de obras na capital do país principalmente por conta da Copa do Mundo vem somada à precariedade nas condições de trabalho, baixos salários, e pouca ou quase nenhuma fiscalização por parte do Governo Federal.

Os empresários, sangue sugas, exploram a torto e a direito, submetendo os trabalhadores a condições desumanas de trabalho. As construtoras cotidianamente descumprem as normas que regulamentam a lei de segurança e saúde do trabalho e a legislação trabalhista. Para um empresário é muito mais cômodo ver um trabalhador morto do que investir em segurança.

No caso do "acidente" – leia -se sempre crime premeditado - ocorrido no HUB, as más condições no local já haviam sido denunciadas pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília (Sticmb) em março deste ano. No oficio enviado ao Coselho Regional do Trabalho (CRT) o documento indicou 13 irregularidades praticadas na construção do Instituto da Criança e do Adolescente, realizada pela Construtora Anhanguera, entre elas, equipamentos operados por pessoas sem qualificação, descumprimento das normas de higiene e de segurança e falta de vestimenta completa.

O Instituto da Criança e do Adolescente começou a ser construído em 2006. A construtura então responsável decretou falência junto ao Ministério Público, como sempre fazem as empresas para não pagarem os direitos trabalhistas dos operários e assim garantirem um lucro máximo, e os trabalhos ficaram parados de 2008 até fevereiro deste ano. A insegurança no local e de outras sete obras em andamento na Universidade de Brasília (UnB) renderam notificações por parte dos fiscais do sindicato, o que demonstra sem sombra de dúvida que a Reitoria também é responsavel pela condição de trabalho dos operários nas obras da própria Universidade.

Gerenciamento petista tem responsabilidade nas constantes mortes de operários da construção civil.

Infelizmente os "acidentes" e mortes em canteiros de obras não é novidade no Brasil, pelo contrário é algo que tem ocorrido constantemente e em ordem crescente. Segundo dados da previdência e da segurança do trabalho em 2007 morreram ao todo 319 operários da construção civil em "acidentes" de trabalho. No ano seguinte, foram 384. Em 2009, 395 trabalhadores perderam a vida. Os casos de invalidez pularam de 755 em 2007 para 1.232 em 2009. Ou seja, o número de mortos e inválidos segue o “boom” da construção civil nos últimos anos (1). Se levar em conta o regime de repressão e coação que vigora nos canteiros o número real de "acidentes" é muito superior aos registrados pelo governo.

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Com a implementação do PAC no final do mandato do operário padrão do FMI, Luis Inácio Lula, o quadro destas estatísticas pioraram. Segundo dados recolhidos pelo o Globo (2); em 21 grandes empreendimentos, que somam R$ 105,6 bilhões de investimentos, foram registradas 40 mortes de operários em "acidentes", desde 2008. Só nas usinas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia, houve seis mortes. Desde as complexas obras até as mais simples, passando pelo programa "Minha casa minha vida" as mortes de operários são correntes. Ainda segundo o mesmo jornal, o Brasil possui uma das maiores taxas de mortalidades por trabalhadores do mundo: são 23,8 por cem mil trabalhadores enquanto nos Estados Unidos a taxa de mortalidade na construção civil é de 10 por cem mil; na Espanha, de 10,6; no Canadá, de 8,7; em Portugal, de 18. 

Trabalhadores se mobilizam contra os arrochos e as péssimas condições de trabalho

Revolta_em_Jirau_operrios_incendeiam_instalaes_da_empreiteira_Camargo_Corra Para dar resposta a esta caótica situação os trabalhadores de todo o Brasil tem dado demonstrações de muita disposição e combatividade na luta. Em março deste ano mais de 80 mil operários revoltaram contra a situação de escravidão nos canteiros de obras do PAC em Jirau e Santo Antônio em Rondônia; São domingos mato Grosso do Sul; Refinaria Abreu e Lima e complexo Portuário de SUAPE em Pernambuco; Complexo Termoelétrico de Peçem no Ceará. Também em Belo horizonte, os operários que trabalham nas obras do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, na Pampulha, curzaram os braços no dia 15/06 exigindo melhores salários. E em mais recente mobilização os operários da obra da trincheira da avenida Antônio Carlos com avenida Santa Rosa, no Bairro Aeroporto, na Pampulhadecretaram greve no dia 03 de Julho exigindo melhores salários e melhoria das condições de trabalho.

Diante de tamanha opressão e exploração: Rebelar-se é justo!

O mesmo motivo que alimentaram as revoltas dos trabalhadores da construção civil está latente em todo o país e pode explodir a qualquer momento. A rebelião e a fúria contida nas massas mais cedo ou mais tarde, passando por cima dos oportunistas, estourará e somadas às lutas camponesas e estudantis transformará nosso país em um intenso palco de lutas revolucionárias por uma nova e verdadeira democracia!

 

 


Notas

 

(1): O Ministério da Previdência Social só tem números até o ano de 2009 e, diferentemente dos Sindicatos, não contabiliza os óbitos de trabalhadores sem carteira assinada.

(2): http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/as-mortes-nas-obras-do-pac

 

 

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