O reacionário presidente francês Nicolas Sarkozy tenta, a todo custo, impor a reforma do sistema previdenciário francês. Como saída – obviamente, temporária – para a crise mundial que assola a França, a “proposta” do presidente é aumentar a idade mínima para a aposentadoria, fazendo com que os trabalhadores exerçam suas funções por mais tempo para que, com a mais-valia sugada nesse “período extra”, o Estado consiga manter os altíssimos lucros das grandes empresas e indústrias.
Efetivamente, isso foi o que aconteceu na última sexta-feira, 22/10. O Senado francês aprovou o plano do governo que prevê a elevação da idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos – foram 177 votos a favor, 153 contrários e nove abstenções. Além disso, foi ampliada a idade para ter direito à aposentadoria integral, que passaria de 65 para 67 anos no caso dos trabalhadores que não atingiram o tempo de contribuição exigido (40,5 anos).
No entanto, o principal não foi a aprovação da medida, mas o contexto de luta popular que tomou conta da França neste último período. As massas lançaram toda sua fúria revolucionária contra mais essa medida anti-povo. Protestos, greves e paralisações estouram por todo o país. O sistema de transportes, de energia e abastecimento e incontáveis outras atividades estão funcionando precariamente.
E esse quadro não deve mudar nos próximos dias: acontece que esse projeto foi apenas aprovada no Congresso, e demanda ainda que seja “assinado” pelo Presidente. Obviamente, não há que se ter ilusão de que o reacionário Sarkozy deixará de tomar tal atitude, mas, sem dúvida alguma, terá responsabilidade por tudo que acontecer nas mobilizações populares das próximas semanas.
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E um fato tem aumento a rebelião tanto em quantidade quanto em qualidade: a participação da juventude. Vários protestos, que a princípio foram “engrossados” com a participação de estudantes, agora já são dirigidos por eles e inclusive a participação de secundaristas tem sido incrivelmente massiva.
Dados dão conta de que mais de 1200 escolas estão em greve por todo o país e que pelo menos 20 universidades aderiram às paralisações1. Os número totais de manifestantes e protestos são quase impossíveis de serem contabilizados, mas milhões de massas estão tomando parte ativa na luta.
Nesse contexto, as forças da repressão entram em ação com o claro propósito de, se não impedir a realização dos protestos, ao menos intimidar as massas, prendendo e agredindo indiscriminadamente qualquer um que defenda as bandeiras do povo francês. No entanto, novamente a polícia de Sarkozy não contava com a disposição de combate da juventude.
O que mais tem-se visto não são cenas de prisões (dados oficiais são de aproximadamente 1.500 prisões.2), mas sim de inúmeras viaturas em chamas, de batalhões inteiros recuando diante de estudantes enfurecidos, de todo o mais sofisticado aparato repressivo caindo atingidos por pedras, paus e molotovs lançados pela tropa de choque das massas – a juventude francesa!
Grandes mobilizações como essas são expressão do que se passa não só na Europa como nos quatro cantos do mundo (o que não foge ao Brasil): as massas se revoltam contra as espúrias medidas anti-povo de suas gerências. Medidas estas apresentadas sob diversas formas, flexibilização de direitos, medidas de austeridade, medidas preventivas, etc., mas que são, no fim das contas, a crise geral do capitalismo tentando empurrar suas conseqüências sobre as costas do povo, e este respondendo com sua fúria revolucionária, mostrando mais uma vez que a rebelião se justifica!
Em diversos blogs e sites podem ser vistos imagens e vídeos das ações na França:
http://www.lahaine.org/index.php?p=48681http://fotos.estadao.com.br/protestos-na-franca-protestos-e-ameaca-de-falta-de-combustivel-voltam-a-sacudir-franca,galeria,3658,122159,,,0.htm?pPosicaoFoto=32#carousel
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