Não há um continente, um único país que não sinta o reflexo da gigantesca crise em que está afundado o sistema imperialista a nível mundial. Com maior ou menor nível de organização, em condições mais favoráveis ou enfrentando severa repressão, enfim, dentro de suas especificidades, em todo o mundo se levantam protestos radicalizados contra medidas de cortes de direitos tomadas pelos governos de plantão contra as massas populares. Na América Latina, claro, não é diferente, e a juventude segue honrando se papel de tropa de choque da luta por uma nova sociedade.

É como reflexo desse processo que devemos entender as massivas jornadas de luta protagonizadas pelos estudantes chilenos e que, no último dia 16, levaram mais de cem mil pessoas para as ruas, naquela que já é considerada a maior manifestação no país dos últimos vinte anos. Somente na capital Santiago 50 mil estudantes e trabalhadores foram para as ruas e entraram em confronto com as forças de repressão.
O Chile, que foi por muito tempo apontado pelo imperialismo como “exemplo de desenvolvimento para a América Latina”, conta com um avançado processo de privatização do seu sistema de ensino. A herança do carrasco Pinochet, cuidadosamente preservada pelos governos “democraticamente eleitos” que o sucederam, é uma Constituição que determina que os custos para a educação dos filhos cabem às suas famílias, e não ao Estado. Nas principais universidades chilenas o Estado aporta com 20% das receitas para sua manutenção, e em alguns centros esse percentual não ultrapassa os 5%.
No Chile, os estudantes pagam mensalidades nas universidades públicas e, se não podem pagar, carregam por décadas a dívida de um financiamento estudantil. 40% dos 3,5 milhões de estudantes frequentam colégios públicos e 50% estudam em escolas nas quais o Estado e os padres contribuem para o pagamento das mensalidades (subsidiadas). O restante, 10% deles, estudam em colégios privados. Quanto aos um milhão de universitários do país, 80% frequentam instituições privadas e o restante instituições públicas.
É esse o modelo que o imperialismo e suas instituições como o Banco Mundial apontam para ser seguido também em nosso país!
Porém, os estudantes chilenos fazem jus à sua história de luta. Diante das manifestações contra a privatização do ensino, o velho Estado chileno não recuou em enviar cavalaria e tropas de choque contra os estudantes. O vice-presidente Rodrigo Hinzpeter declarou que se tratavam de "pessoas interessadas em atentar contra a ordem pública", ao que a brava juventude respondeu que, sim, contra a velha ordem é preciso atentar! Milhares de estudantes responderam com paus, pedras, coquetéis molotov e tudo o que tinham à mão.
Desde o Brasil saudamos os estudantes chilenos e temos certeza que sua combatividade também repercutirá em nosso país, aonde se acumula uma quantidade enorme lenha seca que não tardará em incendiar!
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