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Rebelião em Londres contra as ações do Estado assassino de pobres!

Na quinta-feira passada a polícia de Londres assassinou em um suposto tiroteio o jovem Mark Duggan de 29 anos. Este fato aconteceu na região Norte de Londres, em Tottenham. Mark estava dentro do carro quando foi alvejado com um tiro no peito. O fato ocorreu durante uma ação policial visando “combater a criminalidade” em uma comunidade negra. Assim como acontece no Brasil, para o Estado e as forças de repressão fascistas, as favelas e bairros pobres são o teatro de operações, e os pobres os inimigos. Por isso, qualquer semelhança no ocorrido e no pretexto da polícia não serão absolutamente mera coincidência.

Polcia_no_consegue_deter_as_manifestaes

Desde então a população de Tottenham e de outros bairros pobres, inconformada com a situação de carestia e de crescente opressão que tem vivido, saiu às ruas exigindo justiça, fim do preconceito racial e fim da situação de miséria. Carros de polícia, carros de luxo e lojas e bancos foram o alvo da fúria do povo, principalmente da juventude proletária que habita as localidades mais miseráveis e é a maior vítima do desemprego galopante. Ao todo, até agora, 563 pessoas foram presas e 11 policiais ficaram feridos em decorrência dos conflitos.

Tottenham é um antigo bairro operário em que metade das crianças vive situação de miséria, segundo dados do governo britânico. Este bairro já foi palco de enormes agitações entre a comunidade e a polícia na década de 80, quando em situações semelhantes, o povo rebelou-se exigindo condições dignas de sobrevivência.

Praa_de_guerra

O auge dos protestos ocorreu na madrugada de sábado para domingo, quando trezentas pessoas foram à porta da delegacia para exigir explicações sobre a morte de Mark Duggan. Diante da crescente mobilização e das respostas evasivas da polícia o protesto tomou proporções mais avançadas de combate direto à polícia.

Carros_queimados_na_periferia_de_Londres Várias viaturas policiais foram queimadas ou destruídas, indústrias, lojas, ônibus e carros foram incendiados, além Prdio_incendiado_por_manifestantes_em_Londres de outras ações. Os protestos continuaram no domingo chegando a vários outros bairros operários londrinos que sofrem com semelhante militarização e perseguição. Na noite de segunda, quando fechamos esta matéria, já havia ocorrido confrontos em Enfield (norte de Londres), Brixton (sul), Walthamstow (norte), Waltham Forest (leste), Islington (norte), Lewisham, Peckham e Hackney, além de outras cidades como Birmingham e Liverpool (ao norte da Inglaterra).

Até o momento 36 policiais foram feridos e 215 manifestantes presos.

Diferente dos monopólios de comunicação do imperialismo com sua rede de desinformações, que tem tentado enquadrar os atos do povo londrino como barbárie, violência gratuita, chamando furtivamente os manifestantes de criminosos, nós devemos dizer com todas as letras que se trata de uma justa REBELIÃO, visando combater a flagrante segregação social que existe não só na Inglaterra como na Europa de modo geral, e o ascenso das políticas fascistas e de “extrema-direita” adotadas contra os imigrantes, negros e pobres em geral, no esteio da crise econômica do capitalismo.

As manifestações das comunidades londrinas vêm se somar aos estudantes que há meses têm manifestado seu descontentamento com a situação de precarização no ensino, à revolta do povo pobre das grandes cidades, que têm seus jovens cercados e assassinados impunemente pela polícia.

Abre-se um tempo de mudanças em todo o mundo, os oprimidos não ficarão mais calados!

 

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