13 de Julho de 2009. Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar.
Publicamos de seguida excertos de uma carta pública do Comitê Central do Partido Comunista da Índia (Maoista) datada de Junho de 2009
“A 23 de Maio, o nosso Partido e a revolução indiana sofreram mais uma perda importante e irreparável. Nesse dia fatal, por volta das 10h30, o camarada Patel Sudhakar Reddy (de pseudônimos Suryam ou Vikas), que era membro do Comitê Central [CC] do nosso Partido, e um outro camarada das estruturas distritais, Venkatayya (de pseudônimo Prasanna), foram presos por criminosos do SIB [Ramo de Investigações Especiais da polícia] do Andhra Pradesh e foram brutalmente torturados e assassinados às primeiras horas do dia 24. Eles tinham sido presos na cidade de Nashik, no Maharashtra. Os corpos dos nossos dois camaradas foram atirados para a floresta perto de Lavvala, no Tadwai mandal do distrito de Warangal, e surgiu a habitual história de um encontro [tiroteio]. O Ministro Chefe [do Andhra Pradesh], que estava em Deli, repetiu essa história policial forjada sem qualquer ponta de vergonha...
“Patel Sudhakar Reddy, que também era conhecido popularmente como Suryam no campo revolucionário do Andhra Pradesh e como Vikas no CC e no Partido recém-formado após a fusão do PCI(ML)[Guerra Popular] e do MCCI em Setembro de 2004, tinha-se tornado num dos líderes estabelecidos da revolução indiana e um membro do comité central do PCI (Maoista) depois de um longo percurso como eminente revolucionário. Começou a sua vida revolucionária como líder estudantil da União de Estudantes Radicais no início dos anos 80. Respondendo ao apelo do Partido para criar uma zona de luta revolucionária agrária armada no Telangana Norte e no Dandakaranya, com o objectivo de a transformar numa zona libertada, em 1983 ele foi para a floresta de Eturnagaram-Mahadevpur, no Telengana Norte, e trabalhou como dirigente de uma brigada da guerrilha. Depois, foi transferido para o distrito de Gadchiroli, onde trabalhou até 1988, [até ser] preso em 1992 no Bangalore, após a delação de um preso. Manteve-se um líder comunista exemplar na prisão, onde passou quase sete anos. Foi libertado em 1998 e desempenhou um proeminente papel na construção do movimento no Dandakaranya, nos seus primeiros anos, e depois no estado do Andhra Pradesh [AP]. Chegou ao CC em 2005 e, como membro do CC, fez um significativo contributo para a formulação das políticas e dos planos centrais.
O camarada Venakatayya veio do Cheryala mandal, no distrito de Warangal, e esteve activamente envolvido no movimento estudantil do AP durante quase uma década e foi líder da Federação de Estudantes Revolucionários de Toda a Índia no AP. Mudou para o trabalho técnico em 2004 e tinha estado a trabalhar desde então no campo técnico.
A contribuição dos camaradas Suryam e Prasanna para a revolução indiana não será jamais esquecida pelo Partido, pelo EGPL [Exército Guerrilheiro Popular de Libertação] e pelo povo. Eles continuarão a luta pela libertação do país com um vigor e um ódio redobrado aos exploradores e traidores que governam o país. Os governantes reaccionários da Índia, com a ajuda activa dos imperialistas, esperam em vão poder reprimir a revolução indiana através da eliminação da liderança central e estatal do PCI (Maoista). Com isso, pensam que podem privar os oprimidos de uma liderança e reprimir a sua luta pela terra, por melhores condições de vida e pela libertação. Mas essa conspiração dos governantes reaccionários continuará a ser um mero devaneio. Milhares e milhares de herdeiros revolucionários merecedores calçarão os sapatos destes amados líderes, transformando em pesadelos os sonhos dos governantes reaccionários.
O CC do PCI (Maoista) presta a sua homenagem vermelha revolucionária aos nossos amados líderes – camaradas Sudhakar Reddy e Venkatayya – e promete completar os seus sonhos revolucionários de uma sociedade sem classes. Intensifiquemos e ampliemos a actual guerra popular, estabeleçamos zonas libertadas nos vastos campos do país, transformemos o EGPL num EPL [Exército Popular de Libertação] e façamos avançar a revolução indiana até à sua vitória final”.
Como não poderia ser diferente nós, do Movimento Estudantil Popular Revolucionário, saudamos o heróico povo indiano pela guerra revolucionária que, sob a direção do Partido Comunista da Índia (Maoísta), conduz até o caminho da libertação nacional e do socialismo como parte integrante da revolução proletária mundial.
Os dois revolucionários assassinados covardemente pelo genocida Estado indiano, como o comunicado do PCI(Maoísta) nos diz, iniciaram sua militância como lideranças estudantis. Fiéis à causa e ao seu povo, dedicaram sua vida à Revolução. Como outros jovens brasileiros, embora em circunstâncias diferentes, entregaram sua vida para que a luta dos povos pudesse prosseguir e triunfar, como certamente triunfará.
É dever dos estudantes brasileiros repudiar esse bárbaro crime cometido pelos agentes repressivos do Estado indiano e, ao mesmo tempo, repercutir e aprender com essa grande lição nos dada por esses dois comunistas, egressos do movimento estudantil, verdadeiros revolucionários proletários.
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