Quarta-feira, 5 de maio: novamente a Grécia amanhece completamente paralisada por uma greve geral. Desde hospitais e escolas até mesmo, vejam só, as principais corporações de imprensa (televisão, rádio, jornais) aderiram à convocação feita pelas centrais sindicais e organizações populares. Paralisado também ficou o tráfego aéreo, marítimo e ferroviário do país ao passo que o trem metropolitano de Atenas funcionou únicamente nos horários das manifestações, para garantir o comparecimento da população às mesmas.
O motivo da Greve Geral foi o anúncio, pelo governo dito “socialista” de Carolos Papoulias, de empréstimo de 110 bilhões de euros junto ao FMI e à UE (dinheiro destinado aos magnatas da Bolsa, claro), seguido de aplicação de medidas draconianas como congelamento de salários, corte de aposentadorias e aumento de impostos! O governo anunciou também corte de 30 bilhões de euros do orçamento nos próximos três anos. Não é difícil imaginar quais setores mais sofrerão com este corte...
Essa é a quarta-greve geral realizada na Grécia somente nesse ano de 2010. A estimativa é de que até 100 mil pessoas tenham participado das massivas manifestações ocorridas na capital grega. E os confrontos dos trabalhadores não se resumem à Atenas: há registros de que outras cidades, como Salônica, Patras e Ioanina, também são palco de combativos protestos.
Em virtude da intensa repressão policial os manifestantes reagiram com as armas que têm às mãos: pedras, paus e coquetéis molotov. Carros e bancos foram incendiados. Durante o incêndio de um banco três pessoas morreram e quatro ficaram feridas. A polícia ateniense e o governo social-democrata correram a acusar os manifestantes, antes mesmo de qualquer comprovação, esquecendo-se de mencionar os crimes diários perpetrados contra o proletariado e as massas trabalhadoras gregas que já resultaram na morte de vários lutadores, como o assassinato em 2008 do jovem de 16 anos Andreas Grigoropoulos pelas forças repressivas do Estado.
Na realidade a chamada “crise grega” é conseqüência (não causa, portanto, como sustentam alguns “economistas” por aí) da crise geral do sistema imperialista a nível mundial, crise cujo epicentro está no seu próprio coração: a economia ianque. O medo que os gerentes dos países que compõem a União Européia e do USA alimentam de um suposto “contágio” da crise econômica grega em todo o mundo é na verdade tentativa de encobrir que tal crise nada mais é que o aprofundamento daquela que rebentou em fins de 2008 e que esses mesmos gerentes e os monopólios de imprensa juravam que era “coisa do passado”.
Tal quadro somente pode conduzir ao recrudescimento da luta de classes, possibilitando grandes comoções e abalos sociais na velha ordem, cujo desfecho estará condicionado pela existência ou não de uma vanguarda comunista que aponte o caminho revolucionário de destruição do Estado reacionário como único capaz de conduzir a uma autêntica independência nacional e um regime que assegure e aprofunde as conquistas das massas populares. Independente de qualquer coisa fatos como esses só se somam aos golpes demolidores desferidos pela vida real aos fantasiosos apologistas do “fim da história” e outras sandices do tipo, golpes esses que se sucedem dia-a-dia.
Tanto que o próprio gerente grego afirmou que o país atingiu a “beira do abismo” e que “o que está em jogo nos próximos dias é a manutenção da coesão e da paz social." Sabemos que a “paz social” desses senhores é a escravidão capitalista, e a manutenção desses governos que nada mais são que comitês da Bolsa. Por tudo isso, é motivo de muito ânimo para os jovens revolucionários de todo o mundo a grande onda de manifestações na Grécia e em toda a Europa, somando-se às lutas de libertação nacional e às lutas armadas revolucionárias em curso no mundo hoje e que anunciam que, no lastro mesmo da crise geral do sistema imperialista mundial, desenvolve-se uma segunda grande onda da revolução proletária.
Sim, o espectro do comunismo ronda não só a Europa, senão também todo o mundo.
Viva a luta do Povo Grego!
Viva a Juventude Rebelde do mundo inteiro!
Rebelar-se é Justo!
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