Os estudantes europeus, particularmente de Grécia, França e agora da Inglaterra, já dão demonstrações da rebelião popular que se levanta contra todos os ditos Planos de Austeridade e cortes de direitos.
Uma gigantesca manifestação parou Londres nesta quarta-feira, 10/11. Mais de 50 mil estudantes saíram as ruas exigindo condições reais de entrar e permanecer na universidade, e uma educação de qualidade.
A principal reivindicação da manifestação é o cancelamento do aumento das anuidades cobradas dos estudantes universitário. Segundo o governo inglês, haverá uma duplicação do valor anual das cobrado pelas Universidades para 7.000 euros (16.450 reais) e, em alguns casos “excecionais”, a triplicação para 10.500 euros (24.675 reais).
Convertendo isso para o padrão brasileiro de mensalidade, temos que, na Inglaterra, fazer um curso superior passaria a custar aproximadamente R$1.370,00 por mês, nos casos de duplicação; e R$2.056,25 nos casos de triplicação.
Durante a manifestação de rua, a massa revoltada passou pela sede do Partido Conservador, que está no “Governo de coalizão” britânico. Não houve dúvidas e o ódio à miséria e exploração que o sistema imperialista está submetendo os povos do mundo tomou conta de todos. Pedras e paus foram usados para quebrar as portas e janelas e estudantes entraram no prédio e queimaram diversos papéis e documentos.
A polícia, chamada pelo Estado reacionário que acaba de anunciar tais cortes, imaginando que seguraria o ímpero revolucionário da juventude, tentou cumprir seu papel de repressão, mas em verdade sentiram o quanto os estudantes estavam dispostos à luta. O saldo foi de quase 20 policiais feridos e a continuação da manifestação até o seu fim.
A situação econômica da Inglaterra e toda a Europa
E essa medida de cortes no Ensino Público veio logo depois de o Governo ter anunciado, através do Ministro das Finanças da Grã-Bretanha, George Osborne, cortes da ordem de R$216 bilhões para os próximos quatro anos do orçamento, o que representa os maiores cortes já aplicados no país desde o fim da 2ª Guerra Mundial. A estimativa é que cada departamento do Governo terá de cortar 19% de suas despesas. E isso implicará na perda de aproximadamente 500 mil empregos só no setor público.
Obviamente, os principais “ajustes” (sinônimo de corte de verba e conseqüente sucateamento) serão nos setores que prestam serviços diretos para o povo. Dentre as medidas, o Governo prevê o seguinte: antecipação do aumento da idade mínima de aposentadoria tanto para homens quanto para mulheres e cortes de R$42 bilhões em benefícios destinados a pessoas impossibilitadas de trabalhar, desempregados, auxílio-moradia, entre outros¹.).
Além disso, o endividamento do Reino Unido cresceu, no período de 1 ano - entre setembro de 2009 e setembro de 2010 - nada menos que R$366,6 bilhões. Isso fez com que a dívida líquida do setor público atingisse a marca de quase 2 trilhões de reais, equivalente a 57,2% do Produto Interno Bruto (PIB)².
A situação de vida e as péssimas expectativas para os próximos anos é o que impulsiona as massas para a luta. A fala de um jovem estudante que participou da manifestação em Londres é bem emblemática: “Meus pais são ambos funcionários públicos. Meu pai vai perder sua pensão no ano que vem e minha mãe vai perder o emprego, e isso vai levar os dois exatamente à falência. Minha irmã tem 15 anos, e duvido que ela vá para a universidade porque é muito caro”, disse Matthew Kell, de 22 anos, da Universidade de Bristol, no sul da Inglaterra.
E essa situação não é uma particularidade da Inglaterra. Como temos visto em toda a Europa, também países como França, Grécia e Itália são alvos de Medidas de “Austeridade” contra os trabalhadores. E, sem exceção, em todos os cantos do mundo, o povo se levanta.
Notas:
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