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Lacaio Hugo Chavez entrega jornalista ao Estado fascista colombiano

No último dia 23 de abril, o governo oportunista de Hugo Chavez lançou por terra (mais uma vez) a imagem de “antiimperialista” e “revolucionário” com que tem tentado se cacifar diante dos povos latino-americanos, através de suas exaustivas bravatas. A Polícia Nacional venezuelana simplesmente seqüestrou o jornalista colombiano Joaquim Perez Becerra, quando da chegada de seu vôo em território venezuelano e, no dia 25, sob ordens expressas de Hugo Chavez, seguindo a “melhor” tradição de regimes como o de Vargas no Brasil, extraditou o ativista político para a Colômbia. Desde então, o jornalista permanece encarcerado, em poder do genocida exército colombiano, na base militar de Catam.

Joaquim Perez Becerra militou na sua juventude no partido de esquerda legal Unión Patriótica (UP), que foi simplesmente exterminado pelos grupos paramilitares vinculados ao Estado colombiano. Estima-se que cinco mil de seus membros foram executados e, exatamente para fugir da eliminação física, o jornalista exilou-se na Suécia, tendo recebido a cidadania deste país no ano 2000. Becerra é atualmente diretor da Agência de Notícias Nova Colômbia (ANNCOL) e, por meio desta, tem denunciado as atrocidades cometidas pelo Estado fascista colombiano, responsável pelo assassinato sistemático de militantes políticos e sindicais em geral e que mantém encarcerados cerca de 7500 perseguidos políticos. Ademais, a Colômbia é um país ocupado pelo imperialismo, contando com 7 bases militares ianques instaladas em seu território.

Seqestro_de_Becerra_pela_polcia_venezuelana

 Um lacaio assumido:

Chavez agiu segundo instruções do gerente colombiano Juan Manuel Santos, o que na prática significa seguir as diretivas do imperialismo ianque e seus serviços de espionagem. Becerra é acusado, como milhares de outras pessoas, de pertencer às FARC, velho argumento que tem utilizado o Estado genocida colombiano para legitimar a prisão, tortura e desaparecimento de todo e qualquer ativista que expresse opinião contrária ao regime de terror instalado naquele país.

Além do seqüestro de Becerra, o governo venezuelano cometeu outra ilegalidade, impedindo o cônsul sueco em Caracas, Robert Redher, de comunicar-se com seu compatriota. Ademais, o canal venezuelano TeleSur reproduziu vírgula por vírgula a versão oficial do gerenciamento colombiano, escondendo a verdade dos cidadãos venezuelanos, para impedir qualquer demonstração de solidariedade. O papel da Venezuela foi tão deplorável que o próprio governo da Suécia (que nunca se disse “revolucionário”, ou “bolivariano”, etc, etc) protestou e exigiu explicações. Desesperadamente, o governo venezuelano disse que deteve Becerra porque contra este existia um alerta vermelho da INTERPOL, quando este na verdade já havia passado por aeroportos suecos e alemães.

Diante do fato, várias organizações e sindicatos venezuelanos (que, diga-se de passagem, compõem a base governista de Chavez) realizaram no dia 28 de abril uma manifestação em frente ao Ministério das Relações Exteriores. Tentando ao mesmo tempo defender Becerra e o próprio Hugo Chavez, os manifestantes queimaram imagens com os rostos dos ministros das Relações Interiores e Justiça, Tareck El Aissami, de Comunicação e Informação, Andrés Izarra, e do chanceler, Nicolás Maduro, com a clara intenção de isentar o gerente venezuelano de sua responsabilidade.

Não obstante, após a manifestação, Chavez foi para a televisão e assumiu total responsabilidade pelo ocorrido. Disse, com todas as letras: "Queimem a mim porque eu sou quem dá as ordens, eu tomo as decisões e assumo as responsabilidades", completando, “se não o prendo sou mau, se o prendo, também, eu só cumpri com a minha responsabilidade".

Chavez_e_Santos

Sim, Chavez cumpriu e cumpre religiosamente sua responsabilidade...de gerenciar o velho Estado venezuelano, mantendo intactas no fundamental as arcaicas estruturas econômicas e políticas do país e a completa subserviência frente ao imperialismo! Como todo oportunista, nada mais faz que conciliar discursos bravateiros com uma prática servil e reacionária, tendo como única característica particular seu palavrório grosseiro e sua ignorância mais completa do que signifique o socialismo. Sabe-se, aliás, que o caso da extradição de Becerra não foi nem o primeiro nem o único. Citaremos apenas alguns casos recentes[i]:

  • Nos primeiros quatro meses e meio de 2009, a Venezuela extraditou 15 supostos guerrilheiros do ELN. No princípio de maio foram extraditados Carlos Emiro Bustamante Rincón, Diego Armando Pérez Medina, Yaneth Fernández, Benjamin Terán e Gregoria Monterrosa.
  • Em novembro de 2010, extraditou Osvaldo Espinoza, suposto militante das FARC-EP, e Priscilla Ayala e Nelson Navarro, supostos guerrilheiros do ELN.
  • Em janeiro, extraditou Nilson Terán Ferreira, suposta liderança do ELN.
  • Em fins de março, Chavez deportou dois supostos membros do ELN, Carlos Tirado e Carlos Pérez.

Todos esses casos (são apenas alguns!) somente confirmam o papel de Chavez como um dócil lacaio do imperialismo, cujas bravatas variam o tom de acordo com a cotação do petróleo e as relações com a oligarquia mafiosa que dirige a Colômbia atualmente.

É necessário exigir a imediata libertação do jornalista Joaquim Perez Becerra e de todos os presos políticos colombianos, a apuração de todos os assassinatos cometidos contra ativistas políticos naquele país e repudiar a criminosa atitude de lacaios do tipo de Hugo Chavez, que não só é cúmplice direto de tais atos, como pratica também a sistemática repressão contra qualquer manifestação de descontentamento no interior de seu próprio país, seguindo a risca o velho preceito chantagista de “ou está comigo ou está contra mim”.



[i] Todos os fatos mencionados foram retirados do artigo “CHÁVEZ SE HA CONVERTIDO EN UN VILLANO Y PEÓN DE LA ESTRATEGIA IMPERIALISTA”, por José Antonio Gutiérrez D., publicado no sítio eldiariointernacional.com

 

 

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