Joaquim Perez Becerra militou na sua juventude no partido de esquerda legal Unión Patriótica (UP), que foi simplesmente exterminado pelos grupos paramilitares vinculados ao Estado colombiano. Estima-se que cinco mil de seus membros foram executados e, exatamente para fugir da eliminação física, o jornalista exilou-se na Suécia, tendo recebido a cidadania deste país no ano 2000. Becerra é atualmente diretor da Agência de Notícias Nova Colômbia (ANNCOL) e, por meio desta, tem denunciado as atrocidades cometidas pelo Estado fascista colombiano, responsável pelo assassinato sistemático de militantes políticos e sindicais em geral e que mantém encarcerados cerca de 7500 perseguidos políticos. Ademais, a Colômbia é um país ocupado pelo imperialismo, contando com 7 bases militares ianques instaladas em seu território.
Um lacaio assumido:
Chavez agiu segundo instruções do gerente colombiano Juan Manuel Santos, o que na prática significa seguir as diretivas do imperialismo ianque e seus serviços de espionagem. Becerra é acusado, como milhares de outras pessoas, de pertencer às FARC, velho argumento que tem utilizado o Estado genocida colombiano para legitimar a prisão, tortura e desaparecimento de todo e qualquer ativista que expresse opinião contrária ao regime de terror instalado naquele país.
Além do seqüestro de Becerra, o governo venezuelano cometeu outra ilegalidade, impedindo o cônsul sueco em Caracas, Robert Redher, de comunicar-se com seu compatriota. Ademais, o canal venezuelano TeleSur reproduziu vírgula por vírgula a versão oficial do gerenciamento colombiano, escondendo a verdade dos cidadãos venezuelanos, para impedir qualquer demonstração de solidariedade. O papel da Venezuela foi tão deplorável que o próprio governo da Suécia (que nunca se disse “revolucionário”, ou “bolivariano”, etc, etc) protestou e exigiu explicações. Desesperadamente, o governo venezuelano disse que deteve Becerra porque contra este existia um alerta vermelho da INTERPOL, quando este na verdade já havia passado por aeroportos suecos e alemães.
Diante do fato, várias organizações e sindicatos venezuelanos (que, diga-se de passagem, compõem a base governista de Chavez) realizaram no dia 28 de abril uma manifestação em frente ao Ministério das Relações Exteriores. Tentando ao mesmo tempo defender Becerra e o próprio Hugo Chavez, os manifestantes queimaram imagens com os rostos dos ministros das Relações Interiores e Justiça, Tareck El Aissami, de Comunicação e Informação, Andrés Izarra, e do chanceler, Nicolás Maduro, com a clara intenção de isentar o gerente venezuelano de sua responsabilidade.
Não obstante, após a manifestação, Chavez foi para a televisão e assumiu total responsabilidade pelo ocorrido. Disse, com todas as letras: "Queimem a mim porque eu sou quem dá as ordens, eu tomo as decisões e assumo as responsabilidades", completando, “se não o prendo sou mau, se o prendo, também, eu só cumpri com a minha responsabilidade".
Sim, Chavez cumpriu e cumpre religiosamente sua responsabilidade...de gerenciar o velho Estado venezuelano, mantendo intactas no fundamental as arcaicas estruturas econômicas e políticas do país e a completa subserviência frente ao imperialismo! Como todo oportunista, nada mais faz que conciliar discursos bravateiros com uma prática servil e reacionária, tendo como única característica particular seu palavrório grosseiro e sua ignorância mais completa do que signifique o socialismo. Sabe-se, aliás, que o caso da extradição de Becerra não foi nem o primeiro nem o único. Citaremos apenas alguns casos recentes[i]:
- Nos primeiros quatro meses e meio de 2009, a Venezuela extraditou 15 supostos guerrilheiros do ELN. No princípio de maio foram extraditados Carlos Emiro Bustamante Rincón, Diego Armando Pérez Medina, Yaneth Fernández, Benjamin Terán e Gregoria Monterrosa.
- Em novembro de 2010, extraditou Osvaldo Espinoza, suposto militante das FARC-EP, e Priscilla Ayala e Nelson Navarro, supostos guerrilheiros do ELN.
- Em janeiro, extraditou Nilson Terán Ferreira, suposta liderança do ELN.
- Em fins de março, Chavez deportou dois supostos membros do ELN, Carlos Tirado e Carlos Pérez.
Todos esses casos (são apenas alguns!) somente confirmam o papel de Chavez como um dócil lacaio do imperialismo, cujas bravatas variam o tom de acordo com a cotação do petróleo e as relações com a oligarquia mafiosa que dirige a Colômbia atualmente.
É necessário exigir a imediata libertação do jornalista Joaquim Perez Becerra e de todos os presos políticos colombianos, a apuração de todos os assassinatos cometidos contra ativistas políticos naquele país e repudiar a criminosa atitude de lacaios do tipo de Hugo Chavez, que não só é cúmplice direto de tais atos, como pratica também a sistemática repressão contra qualquer manifestação de descontentamento no interior de seu próprio país, seguindo a risca o velho preceito chantagista de “ou está comigo ou está contra mim”.
[i] Todos os fatos mencionados foram retirados do artigo “CHÁVEZ SE HA CONVERTIDO EN UN VILLANO Y PEÓN DE LA ESTRATEGIA IMPERIALISTA”, por José Antonio Gutiérrez D., publicado no sítio eldiariointernacional.com
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