Foi realizada no último dia 11/05, uma visita de inspetores da União Européia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) à Grécia. O objetivo foi pressionar o povo grego a aceitar o que chamam de “consertar suas finanças públicas”, e que na verdade não passa de cortes orçamentários e de direitos, a fim de salvar o capital financeiro da quebradeira.
Mais especificamente, União Européia e FMI foram analisar se a Grécia possui condições de receber – e, posteriormente, pagar com juros – a quinta e última parcela do empréstimo de 110 bilhões de euros, que fez em maio do ano passado junto aos “credores internacionais”, tão conhecidos (e odiados) por nossos povos latino-americanos.
A condição imposta para finalização do empréstimo era a aceitação, por parte do governo grego, da implementação de medidas
visando “reduzir seu déficit e reformar sua economia”. E o que essa gente entende por reduzir déficit? Simples: as medidas incluem um corte de 15,6 bilhões de euros em gastos públicos e acréscimo de outros 10 bilhões de euros em novos impostos. A maior parte do corte de gastos viria da redução dos salários no setor público, de cortes nos gastos de operação em empresas estatais e na redução dos gastos com defesa e saúde.
No entanto, o cenário que os tais inspetores da União Européia e do FMI encontraram não poderia ser mais desesperador para esses representantes diretos do imperialismo europeu: greve geral e massivas manifestações de rua!
Por todo o país, escritórios de governos locais e da administração central estão fechados, hospitais e serviços de ambulância operam em serviço de emergência e escolas e universidades estão paralisadas por todo o dia. Os serviços de transporte também têm problemas, com a suspensão na operação de balsas e trens. O transporte público no entorno da Atenas opera com frota reduzida e os vôos são afetados por uma paralisação de quatro horas dos controladores tráfego aéreo. Jornalistas também estão parados, e com isso não está havendo nenhum programa noticioso no rádio e na televisão[1].
Nas ruas, a incendiária juventude grega mostra como se deve enfrentar a crise: luta e mais luta! Grandes passeatas pararam as principais cidades do país. O depoimento de uma manifestante é bem esclarecedor:
"Depois de um ano (de ajuda internacional), estamos numa situação ainda pior, o desemprego disparou, os salários estão no seu nível mais baixo e o mais preocupante é que não vemos nenhuma perspectiva de saída da crise", acrescentou. Para Héléni Boubouna, de 42 anos, militante de esquerda que trabalha no setor privado, a ajuda concedida pela UE e pelo FMI levou o país a "um colapso". "Dos 110 bilhões de euros, nada foi investido nas necessidades do povo. A nós só restou pagar os juros da dívida", acusou[2].
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