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Comunicado pela imediata libertação de ativistas presos na Bolívia:

Urgente!

Reproduzimos abaixo nota conjunta das organizações IAPL, ABRAPO e CEBRASPO sobre a arbitrária e inaceitável prisão pelo governo oportunista de Evo Morales de quatro ativistas políticos vinculados ao Centro de Estudos Populares (CEP) da Bolívia.


 

Comunicado pela imediata libertação de ativistas presos na Bolívia

No dia 1º de agosto, as forças de repressão do Estado boliviano invadiram o escritório do Centro de Estudos Populares (CEP) e prenderam os ativistas peruanos Hugo Wálter Minaya Romero, Williams Antonio Minaya Romero, Blanca Riveros Alarcón e José Antonio Cantoral Benavides. 
A ação foi conduzida diretamente pela cúpula do governo de Evo Morales e executada pelo Grupo de Investigação de Casos Especiais (GICE) e pela Força Especial de Luta Contra o Crime (FELCC) da cidade de El Alto. O diretor da FELCC, Roberto Campos, afirmou que os ativistas “foram apreendidos em circunstâncias em que se encontravam fazendo panfletagem”, com dizeres contra o gasolinaço (a política de elevação do preço dos combustíveis) e as transnacionais da Bolívia, e esses panfletos eram dirigidos à comunidade acadêmica da Universidade Popular de El Alto –UPEA (El Mundo, 02/08/2011). O próprio Ministro de Governo de Morales, Sacha Llorenti, afirmou que eles “trabalhavam elaborando panfletagem contra o governo boliviano e recrutando gente para lhes dar aulas”, e que eles teriam ligações com o Sendero Luminoso, nome atribuído ao Partido Comunista do Peru (Maoísta).

Os representantes do governo afirmaram ainda que três dos ativistas seriam sumariamente expulsos da Bolívia para o Peru, e a Comissão Nacional de Refugiados (Conare) iria fazer uma reunião de emergência para tratar do caso de José Antonio Cantoral Benavides, que tem reconhecido oficialmente o status de refugiado.

O Centro de Estudos Populares (CEP) da Bolívia é uma organização que tem constantemente defendido os direitos do povo boliviano, promovido seminários e discussões acadêmicas, e denunciado a violência do governo contra camponeses pobres na Bolívia, a situação decadente do sistema de saúde, a corrupção dos dirigentes sindicais e as suas políticas que servem aos interesses dos ricos e das transnacionais, que exploram os recursos naturais da Bolívia. Em maio de 2010, o CEP divulgou nota denunciando a criminalização das lutas populares praticada pelo ministro Sacha Llorenti, ex- membro e ex-presidente da Assembléia Permanente de Direitos Humanos da Bolivia.

Em sua página na internet (estudioyrealidad.blogspot.com), o CEP se define como “uma organização sem fins lucrativos, que conta com uma equipe multidisciplinar, dedicada ao estudo e análise da realidade boliviana com um compromisso com os setores explorados que lutam permanentemente em defesa dos seus direitos democráticos”.

Fica claro e confirmado pelas próprias autoridades do governo que a prisão desses 4 ativistas é uma perseguição contra suas posições políticas. Um caso grave de prisão arbitrária e repressão à dissidência política, condenada pelo Direito Internacional e praticada por um governo que se diz socialista. O art. 19 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, de 1966, afirma que:

1.  Ninguém poderá ser molestado por suas opiniões.

2.  Toda pessoa terá direito à liberdade de expressão; esse direito
incluirá a liberdade de procurar, receber e difundir informações e
idéias de qualquer natureza, independentemente de considerações de
fronteiras, verbalmente ou por escrito, em forma impressa ou
artística, ou qualquer outro meio de sua escolha.

 

Ante o exposto, a IAPL, a ABRAPO e o CEBRASPO se opõem à prisão e expulsão, da Bolívia, de Hugo Wálter Minaya Romero, Williams Antonio Minaya Romero, Blanca Riveros Alarcón e José Antonio Cantoral Benavides. E se unem ao povo boliviano, às organizações sindicais e políticas e às organizações de direitos humanos na denúncia desta ação condenável do governo que, com métodos fascistas, tenta calar as vozes contrárias a ele. Que o governo de Evo Morales liberte imediatamente os quatro presos políticos e repare os danos a eles causados. E que cesse a repressão à dissidência política na Bolívia.

 

IAPL –Associação Internacional dos Advogados do Povo

ABRAPO –Associação Brasileira dos Advogados do Povo

CEBRASPO –Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos

 

 

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