Publicamos Carta Aberta dos estudantes de medicina da UEFS que, na luta contra o desmonte de seu curso, deflagraram uma greve. Esta é a mesma luta que todos os estudantes vêm enfrentando no país, particularmente nestes últimos anos, com a aplicação da "Reforma" Universitária do Banco Mundial pela gerência de Luiz Inácio.
Entendemos que os companheiros em greve estão no caminho certo e que, para derrotarmos esta política privatista e de destruição do ensino público no país, devemos unificar todas as lutas que ocorrem em vários estados numa combativa greve nacional, unificando também com as lutas dos trabalhadores, propondo a construção de uma Greve Geral contra as "reformas" do imperialismo que apenas cortam direitos do povo.
Viva a Greve dos Estudantes de Medicina da UEFS!
Rebelar-se é Justo!
Preparar a Greve Geral contra as "reformas" antipovo do imperialismo!
Leia a nota:
Feira de Santana
Carta aberta dos Estudantes de Medicina da UEFS
Para explicitar a estrutura pedagógica do curso, o ciclo básico anual, baseado na metodologia Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) e preconizada pelo ministério da Saúde, é constituído de um tripé: Módulos de Tutoriais, de Habilidades Clínicas e Atitudes e de PIESC (Práticas de Integração Ensino, Serviço e Comunidade). As atividades são:
· Módulo de Tutorial: Atividades tipo Tutorial, Conferências, aulas práticas e consultoria;
· Habilidades: Aulas teóricas e atividades práticas clínicas e laboratoriais; e
· PIESC: Aula teórica, práticas na comunidade/Unidades de Saúde da Família (Educação em Saúde, consultas, visitas domiciliares), ambulatório e pronto atendimento nas Policlínicas.
O internato é dividido em ciclos das 5 áreas básicas médicas (Ginecologia e obstetrícia, Pediatria, Clínica Médica, Clínica Cirúrgica e Saúde da Família) constituídas de ambulatório, enfermaria, terapia intensiva, pronto atendimento e cirurgia nos hospitais, policlínicas, CAPS e centros de referencias.
Essas atividades abrangem uma carga horária total de 9.740 horas, sendo 5.250 horas para o ciclo básico e 4.000 horas para o internato, além de 490 horas de atividades complementares. Por se tratar de curso de longa duração – 6 anos – com uma densa quantidades de atividades, sua carga horária abrange aproximadamente o dobro da carga horária total dos demais cursos de graduação (média de 4.500 horas). Outro fato é que a metodologia ABP necessita de uma relação docente/discente maior que na metodologia tradicional.
Diante do exposto o curso de medicina precisa de no mínimo 95 professores, sendo 40 para o ciclo básico e 55 para o internato.
Atualmente temos apenas 58 professores. Este fato leva ao não cumprimento do planejamento pedagógico (por exemplo, falta de aulas, excesso de estudantes para um professor num campo de práticas, módulos sem professores, falta de especialistas para áreas específicas), interrupção total das atividades por 4 meses entre o 4º e 5º ano, inatividade de algumas comissões (capacitação docente, de infra-estrutura, entre outras).
Outro agravante, é que mais de 15 dos docentes do curso são professores substitutos (contratação REDA) de caráter temporário. Outro ponto é que, segundo o parágrafo único do artigo 25 da Lei Estadual 7176/97, a proporção máxima de professores substitutos é de 20% do quadro docente do departamento, portanto, o curso de medicina encontra-se acima do máximo estipulado para o departamento. Esse fato influencia diretamente na curta permanência dos docentes REDA e no não interesse de outros profissionais em participar da Seleção (aguardam um concurso público, definitivo, para alterarem toda a estrutura de vida e disponibilizarem a carga horária para a UEFS). Isso leva a uma constante saída de professores e muita dificuldade em preencher as vagas REDA.
Um dos principais impedimentos para a contratação por concurso público é que a UEFS atingiu o quadro máximo de vagas estipulado pela Lei Estadual 8.823/2003. Então, cobramos do Governo a ampliação imediata do quadro de vagas da UEFS com aberturas de concurso público, inclusive porque existem cursos em implantação ainda sem reconhecimento pelo MEC. Este não é apenas um problema do curso de medicina, mas de toda a universidade, o que deflagra a inércia do governo na resolução definitiva da situação.
Atreladas ao problema dos docentes, as deficiências de infra-estrutura do curso são críticas. O curso funciona com apenas uma sala de aula com recursos áudiovisuais para o ciclo básico, no laboratório de informática os computadores estão quebrados e/ou as máquinas defasadas. A Unidade de Habilidades Clínicas e Morfo-função possui dimensões reduzidas, sem climatização adequada e serviço de manutenção, o que leva à deteriorização e inutilização dos aparelhos e disposição inadequada para as práticas. A alocação do curso no Centro Administrativo Universitário I foi em caráter provisório e já se estende por seis anos com estes problemas. Com base nisso, reinvidicamos do Governo a readequação total e imediata da infra-estrutura do curso.
O Hospital Geral Clériston Andrade, estadual, tem sido inadequado para as atividades acadêmicas que lá ocorrem. A Biblioteca tem espaço insuficiente, acervo com poucos exemplares e edições desatualizadas e o ambiente é inadequado para o estudo, além de não possuir um laboratório de informática. Há apenas um auditório para todas as atividades. O número de ambulatórios é insuficiente, a emergência tem estrutura inadequada para o atendimento e aprendizado. Estes fatos nos levam a propor a readequação total do HGCA para hospital de ensino.
A luta dos estudantes do curso de medicina da UEFS vai além da busca pela inquestionável qualidade de ensino e formação dos futuros profissionais de saúde. Nós entendemos que a UEFS é uma universidade pública, inserida não apenas no espaço geográfico do semi-árido, mas em toda sua complexidade sócio-cultural, tendo como meta cumprir seu papel social. Todos os seus cursos, portanto, devem exercer plenamente tal função. Diante do exposto, solicitamos o apoio de toda a sociedade baiana para essa luta pela educação pública de qualidade.
Foram realizadas várias reuniões com representantes do Governo do Estado, deputados estaduais e Secretaria de Educação do Estado, porém não tivemos resultados concretos, apesar de tantas promessas. Isso demonstra o valor que sem tem dado à educação no estado da Bahia e à formação dos futuros profissionais de saúde que atuarão na comunidade. Como se não bastassem todas as dificuldades externas, nós, estudantes de medicina, encontramos empecilhos na realização de nossas atividades acadêmicas, decorrentes da desorganização e omissão da maioria dos membros do colegiado do curso de Medicina, Departamento de Saúde e Área de Medicina. Ações paternalistas com professores que não cumprem a carga horária, falta de compromisso com o andamento das atividades do curso e ausência de articulação com outros setores da universidade são situações rotineiras, vividas desde a implantação do curso em 2003. Estamos tentando ser bons médicos, mas para isso não podemos caminhar sozinhos. Exigimos que as instâncias competentes assumam suas responsabilidades!
Já passou da hora de toda comunidade saber a situação caótica que estamos vivendo: ESTAMOS EM GREVE!
Estudantes de Medicina da UEFS
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