No dia 06 de dezembro de 2010 foi inaugurado na UnB, com a presença de uma série de burocratas e politiqueiros, dentre eles o gerente de turno do velho e apodrecido Estado brasileiro, Luís Inácio; o presidente do Uruguai, o renegado José Mujica; Fernando Haddad, ministro “cara de pau” da educação, Juca Ferreira, ministro da cultura e José Geraldo de Sousa Júnior, reitor da Universidade de Brasília, o “Memorial Darcy Ribeiro”, também conhecido como “Beijódromo”, uma obra faraônica que custou mais de 8,5 milhões de reais, construída em apenas 5 meses, e que representa um desrespeito e achincalhe com os estudantes, professores e servidores da universidade que há anos trabalham e convivem com uma estrutura precária. Na UnB, vários cursos não possuem prédios próprios, algumas faculdades não têm banheiros suficientes e em condições de uso, o HUB, hospital universitário, espera pela construção de um pronto-socorro, sem falar nos outros três campi da universidade que não têm restaurante universitário, moradia estudantil, bibliotecas com o mínimo de material e nem sequer instalações adequadas para as aulas e convívio.
Diante dessa mostra de descaso com a educação pública perpetrada pelo governo e pela reitoria, os estudantes organizaram uma manifestação para o dia da cerimônia de inauguração da obra com o objetivo de demonstrar seu descontentamento e revolta. Logo no início, quando da entrada dos estudantes, o Estado já se fez presente com sua estrutura fascista de repressão ao impedir a entrada de cartazes e faixas confeccionadas pelos estudantes e também de bandeiras das diversas organizações que participavam do ato (dentre elas, o MEPR). Nesse instante, os
manifestantes perceberam que a tal “democracia” de que tanto falam os representantes e gerentes desse Estado burguês-latifundiário serviçal do pelo imperialismo, não passa de uma gigantesca farsa. Posteriormente, através de sua truculência característica, os órgãos da repressão (estavam presentes a Polícia Militar e a equipe de segurança da Presidência), impediram a entrada dos manifestantes, que em sua grande maioria ainda não haviam adentrado ao local da cerimônia. Conseguiram entrar apenas os representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UnB, entidade representativa que, com a atual gestão ligada intimamente a UNE e ao PT, funciona como uma garantidora dos interesses do governo dentro da universidade, se posicionando, por consequência, contrariamente aos anseios dos estudantes e do povo.
Mesmo do lado de fora da cerimônia, os manifestantes (que provinham de diversos cursos, dentre eles: medicina, artes visuais, artes cênicas, desenho industrial, serviço social, geografia, ciências sociais), deram prosseguimento ao ato, entoando as palavras de ordem de “abaixo a repressão”,
“lula demagogo” “UnB precarizada”, que expressavam a revolta e a indignação com a construção de uma obra desnecessária, em detrimento das necessidades mais urgentes da universidade e dos estudantes. Enquanto isso, os membros do DCE aplaudiam e reverenciavam as palavras dos representantes do Estado, e em resposta, os estudantes que ficaram do lado de fora denunciavam a mentira e a demagogia presentes nessas mesmas palavras. Também nesse momento denunciavam a traição do DCE que, com sua postura servil e pelega, agia como inimigo dos estudantes e da educação pública.
Ao final da cerimônia, os estudantes decidiram prosseguir com a manifestação, fazendo uma passagem pelo ICC (Instituto Central de Ciências), o principal prédio da universidade, e finalizando o ato no prédio da Reitoria. Os manifestantes obtiveram grande receptividade entre os estudantes que estavam no prédio, e seguiram entoando suas palavras de ordem e fazendo sua agitação.
Quando passavam pela sede do DCE, o oportunismo da gestão petista se tornou ainda mais evidente para os estudantes: um membro do diretório, com uma bandeira da entidade, se posicionou a frente da manifestação, como se eles, que ficaram todo o tempo reverenciando as palavras dos representantes do Estado, principalmente do gerente de turno Luís Inácio, tivessem alguma participação no ato que se desenvolvia naquele momento. Esse fato gerou ainda mais revolta entre os estudantes que participavam da manifestação, e com palavras de ordem e denúncias combativas, os manifestantes rechaçaram essa postura que representou a prática do oportunismo e do peleguismo no Movimento Estudantil.
Depois dessa ação que resultou em revolta e indignação dos estudantes para com o oportunismo do DCE, a manifestação seguiria, como acordado, para a reitoria, onde o ato seria finalizado. Mais uma vez os representantes do velho Estado brasileiro no Movimento Estudantil vieram em defesa de seus interesses, e com uma intervenção que visou única e exclusivamente desmobilizar os estudantes, se utilizando de influências que possuíam entre alguns manifestantes, vieram com o pretexto de que o ato não poderia prosseguir enquanto as bandeiras de partidos políticos
estivessem sendo erguidas. A discussão acabou por desmantelar o ato e ele foi finalizado sem que os estudantes se dirigissem para a reitoria.
Embora todos esses acontecimentos e suas vicissitudes, no final, tivessem posto fim a manifestação e impedido que os estudantes caminhassem até a reitoria, por outro lado serviu para o desmascararamento do governismo presente na direção pelega do DCE/PT na Universidade de Brasília, assim como as práticas sujas dessa velha política oportunista. Aos poucos os estudantes perceberão que só sua ação organizada, massificada, livre das influências do oportunismo, é que poderá transformar a atual situação das universidade brasileiras, onde ainda predomina os interesses do imperialismo, com a privatização a largos passos e o descaso com as necessidades mais urgentes de nosso povo.
Morte ao oportunismo!
Viva o Novo Movimento Estudantil!
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