A Polícia Militar de São Paulo voltou a fazer jus a sua história de crimes e covardia contra o povo daquele Estado. No dia 17, quinta-feira última, a polícia reprimiu novamente os estudantes de São Paulo que lutam contra o aumento indecente da tarifa naquela capital, que ostenta o nada honroso status de passagem mais cara do Brasil. O acesso aos ônibus na capital paulista custam agora R$ 3,00 e ao metrô R$ 2,90.
Nem mesmo jornalistas e, vejam só, parlamentares, escaparam da sanha repressiva. É evidente que diante da luta travada pelos estudantes, com o apoio massivo da população, há muitos oportunistas se apresentando agora como “fiéis aliados” dos manifestantes, como o PT, por exemplo, tentando capitalizar a revolta para seus fins eleitoreiros, mas sem mencionar que em várias cidades governadas pelo PT e partidos da “base aliada” também houveram aumentos abusivos, e repressão. Belo Horizonte, por exemplo, governada anos a fio por Fernando Pimentel, continua sem passe-livre (ou mesmo meio-passe) para os estudantes.
Mas o aspecto principal é a combatividade demonstrada pelos protestos. E mais: essas mobilizações se dão quando boa parte das escolas e universidades estão ainda de férias, ou funcionam com contingente reduzido de pessoas. Isso significa que outras manifestações, ainda maiores, ocorrerão, sacudindo a capital paulista.
Um exemplo da brutalidade e covardia da polícia foi o espancamento do jovem Vinicius Figueira Boim, assistente social, 25 anos, que estava na manifestação. Segundo o “Estadão”, “Boim teve o nariz quebrado, a boca cortada, estava com dores na coluna, por causa de um golpe no pescoço que recebeu dos policiais, e ainda tinha marcas de cassetetes nas costas”. E, ainda por cima, foi levado algemado para o hospital, tal como um criminoso.
É evidente que a luta contra o aumento das passagens e pelo passe-livre está apenas no começo, e prosseguirá com maior massividade e radicalização ao longo do ano, não apenas em São Paulo mas em todo o Brasil. É importante que a juventude se lance em peso nessas manifestações, precisamos envolver toda a população trabalhadora, não deixar que o oportunismo trafique com os nossos interesses e levar a luta até o final!
Abaixo, segue nota do Movimento Passe-Livre de São Paulo sobre a repressão policial e a situação de Vinicius:
“O Movimento Passe Livre São Paulo considera desproporcional, violenta e despreparada a ação policial ocorrida na manifestação do dia 17/2 em frente a Prefeitura.
O Comando da Operação se excedeu no uso da força, agindo violentamente contra manifestantes desarmados e em protesto contra o aumento abusivo das tarifas de ônibus em São Paulo. As imagens da detenção de Vinicius Figueira, bem como a cena de policiais militares com suas armas de fogo em punhos e a repressão que se abateu também contra a mídia, somada as agressões aos vereadores que estavam presentes no local, deixam clara a desproporcionalidade e o absurdo da ação policial. Por esse motivo, manifestamos aqui nosso repúdio à essas ações conduzidas pela Polícia Militar de São Paulo.
Por fim, cabe destacar nossa preocupação com o estado de saúde atual de Vinicius. Nós, do MPL-SP, estamos sinceramente à disposição para apoiá-lo no que for preciso, desde a articulação para punir os policiais envolvidos na ação, bem como no auxílio com seus cuidados médicos. Acreditamos que a solidaredade militante se faz fundamental em momentos como esse, e é por esse motivo que estamos aqui!”
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