Nota de Solidariedade à Enver José, um lutador do povo!
Nós do MEPR reproduzimos abaixo Nota de Solidariedade à Enver José, estudante da Universidade Federal da Paraíba, que está sofrendo Perseguição política por participar das manifestações contra o aumento das passagens de ônibus. Enver José está sendo processado injusta e absurdamente de “tentativa de homicídio por arremessar um artefato em um ônibus com efeitos análogos ao engenho de uma dinamite”.
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LUTAR NÃO É CRIME!
Desde o final de dezembro de 2010 ocorreram várias mobilizações populares em todo Brasil contra o aumento abusivo do preço da passagem e a má qualidade dos serviços de transporte coletivo, pressionando nas ruas, os governos e empresários por um modelo justo de mobilidade urbana que atenda às necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. A organização e mobilização popular sempre se fizeram necessárias para que qualquer transformação social pudesse ocorrer neste país. Esse é o real papel que os movimentos sociais tem cumprido: reivindicar em todos os espaços públicos, nas ruas e praças, por melhores condições de vida, de trabalho, saúde e educação da população.
O militante social do Movimento Estudantil da Universidade Federal da Paraíba (Movimento Levante e Diretório Central dos Estudantes – DCE – da UFPB), Enver José Lopes Cabral, está sendo processado por participar das manifestações, sendo injustamente acusado de “tentativa de homicídio por arremessar um artefato em um ônibus com efeitos análogos ao engenho de uma dinamite”. Este fato se caracteriza como perseguição política, que os militantes sociais sofrem por lutar em defesa dos interesses junto a população.
Criminalizar um(a) lutador(a) do povo constitui-se em um ato de extrema repressão, sendo este operado por empresários que lucram à custa do aumento arbitrário da passagem de ônibus sem prestar contas à população de João Pessoa. E o que torna ainda mais revoltante é que o Ministério Público Estadual, que era para está a serviço do povo, foi o responsável pela ação promovida a pedido dos empresários de ônibus.
Toda a população de João Pessoa acompanhou as mobilizações pacíficas que ocorreram com o aumento da tarifa do transporte coletivo. As manifestações sempre foram divulgadas nos meios de comunicação, e atraíram com criatividade a atenção dos trabalhadores e trabalhadoras e dos estudantes cansados pela inexistência de um transporte verdadeiramente público. Os panfletos distribuídos nas ruas contribuíram no diálogo com a população acerca dos fatos, evidenciando a real possibilidade da conquista do direito por um transporte mais digno. E com as palavras de ordem (“Mãos ao alto, 2,10 é um assalto!”) foi nítido a identificação da população com a causa justa dessa LUTA.
Contra a exploração das elites dominantes que criminalizam através do aparato repressor todos e todas que ousam com criatividade e organização do povo transformar a realidade em que vivemos! Os empresários do transporte são os verdadeiros criminosos, que exploram a população todos os dias cobrando uma alta tarifa, fazendo com que o povo perca muito tempo esperando por um ônibus que ainda chega superlotado. Não vamos nos calar diante dessa injustiça e declarada perseguição política aos movimentos sociais que buscam uma transformação social!
Manifestamos nosso total repúdio à criminalização dos movimentos sociais forjado pelos empresários do transporte coletivo em João Pessoa-PB.
Estudantes da UFPE são covardemente agredidos por seguranças da universidade
No dia 19 de abril, dois estudantes do curso de graduação de ciências sociais da UFPE foram agredidos arbitrariamente por seguranças da empresa privada TKS no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da Universidade por volta das 21h. Diego Bezerra e Fernando Wanderley eram da comissão organizadora do ERECS (Encontro Regional dos Estudantes de Ciências Sociais) e estavam levando os materiais do encontro para a sede do D.A. quando foram abordados por seguranças da Universidade que começaram uma discussão sobre a entrada do material do encontro. A discussão tinha se resolvido, quando seguranças da TKS chegaram para intimidar os estudantes que se encontravam já fora do prédio. Fernando levou um soco no rosto e teve que levar seis pontos na boca e Diego um chute na barriga.
Logo após os agressores foram à delegacia prestar uma queixa contra os estudantes agredidos. Prestem atenção nisso: Guardas armados e em perfeito estado de condição foram prestar queixa contra um estudante ensangüentado e outro com a marca de um coturno na camisa. E foram devidamente acompanhados pela guarda patrimonial da instituição. Alguma dúvida sobre o posicionamento da UFPE?
Esse ato covarde junto com as tantas outras arbitrariedades que vem acontecendo na Universidade os estudantes não deixaram passar. Na semana seguinte à agressão foi organizada um conjunto de ações e protestos denunciando e cobrando um posicionamento da Reitoria em relação às agressões cometidas contras os estudantes!
Segue abaixo o relato de um dos estudantes agredidos:
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EU FUI AGREDIDO NO CAMPUS DA UFPE POR SEGURANÇAS TERCEIRIZADOS ARMADOS
A segurança terceirizada contratada pela UFPE agrediu mais dois estudantes. Eu fui um dos agredidos. A causa da agressão: Discutir, discordar, duvidar e se afirmar diante de uma arbitrariedade. Qual arbitrariedade? Um Segurança terceirizado armado andando pelos corredores e querendo entrar no D.A. de ciências sociais para realizar um procedimento, a contagem de materiais que entram na universidade, que deveria ser feito na portaria. Foi esse que me agrediu? Não.
Os agressores foram dois seguranças que chegaram depois da discussão, que tinha caminhado para uma solução pacífica, para intimidar os estudantes envolvidos. Já estávamos saindo do CFCH. Eu levei um chute na barriga e outro estudante levou um murro na boca. Até quando a comunidade universitária vai se calar diante da militarização da segurança da instituição? A negligência da opinião pública ajuda a consolidar o poder autoritário. A brutalidade institucional também é fruto da indiferença. Será que é preciso dizer isso? Ou você acha correto que os novos educadores e mediadores de conflitos na UFPE sejam os socos e as armas de uma guarda terceirizada? Hoje a liberdade dos estudantes da UFPE foi atacada. Se a negligência permanecer, acreditando que nossa universidade pública é linda e maravilhosa, e se a mobilização estudantil continuar sendo vista como “falta do que fazer”, existirão outros universitários agredidos. Pode ter certeza que a minha liberdade não foi a única atingida.
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