Os resultados da aplicação do REUNI nas Universidades tem sido exatamente o que milhares de estudantes denunciavam à época de sua imposição em todo o país. Por um lado, as estruturas das Universidades não suportam o aumento desproporcional de vagas e suas consequências, por outro, o caráter científico da Universidade é atacado fortemente. Aliado a isso, grandes cortes de verbas na Educação.
O relatório produzido pelo Grupo de Trabalho sobre Políticas Educacionais (GTPE) do ANDES-SN, é preciso e vale para todo o território nacional, ao dispor que a situação atual da Universidade brasileira é de “(...) estudantes aprovados em vestibulares, mas que não cabem nas salas de aula disponíveis; turmas superlotadas por falta de professor das respectivas disciplinas; postergação da efetivação, mesmo que os concursos para contratação de docentes e técnicos estejam decididos ou, mesmo, já tenham sido realizados; falta de infra-estrutura, como laboratórios, bibliotecas, restaurantes universitários etc”.
E os estudantes, diante disso, não ficam parados! Greves são realizadas em Universidades estaduais, por conta de cortes de verba; ocupações levadas à frente, como a que recentemente ocorreu na UnB (para mais informações, clique aqui e leia a matéria completa).
Nesse contexto, na última quinta-feira, a UFPel (Universidade Federal de Pelotas) foi palco de uma importante luta. Mais de 300 estudantes saíram marcha do restaurante universitário. no centro da cidade. passando por diversos campi da Universidade e chegando até a reitoria, localizada no bairro Porto da cidade de Pelotas-RS.
No local exigiram que a Reitoria (1) convocasse a realização de uma Assembléia da Comunidade Universitária para debater os problemas da UFPel e (2) reconhecesse oficialmente e tomasse medidas urgentes quanto à falta de condições para o ensino (sala de aula, auditórios, laboratórios, professora/es, estrutura física de maneira geral) acarretada pelo crescimento sem planejamento da Universidade nos últimos anos, a qual, com o REUNI, aumentou de 7mil para mais de 19mil estudantes.
O REItor César Borges, após ouvir as reivindicações, manifestou que a Universidade integra um plano nacional de educação, o qual é apoiado pela União Nacional dos Estudantes, entidade esta que segundo o reitor representa os estudantes presentes. Após falar isso, o reitor simplesmente foi embora! Frente a isso, os estudantes, rechaçando essa suposta representação pela podre e falida UNE, ocuparam a reitoria no final da tarde. Permanecerão até o atendimento das 2 pautas contra a precarização da universidade pública e contra o autoritarismo da atual reitoria, que se mantém na direção da UFPel há 20 anos.
Além das 2 pautas principais, os estudantes elaboraram uma lista geral de reivindicações:
— Falta de espaço físico para alunos devido ao aumento desproporcional da relação aluno/espaço;
— Transparência no orçamento da Universidade;
— Iluminação das Unidades;
— Segurança;
— Obras da futura casa do estudante e da creche;
— Proporcionalidade na relação assistência estudantil/aumento de alunos;
— Aquisição de livros sem respeitar listas elaboradas por docentes;
— Obras do projeto Reuni em atraso;
— Aquisição de prédios sucateados para reforma;
— Pulverização dos espaços da Universidade pela cidade de Pelotas;
— Gastos de custeio UFPel;
— Proporcionalidade no aumento de alunos/professores;
— Laboratórios de práticas em condições inadequadas de segurança;
— Descarte de resíduos químicos inadequados;
— Inexistência de Hospital Universitário para áreas da saúde;
— Inexistência de laboratórios, como exemplo, o curso de jornalismo;
— Transferência da pós-graduação para local distante da graduação;
— Aquisição de prédios sucateados sem consultar as universidades envolvidas;
— Consulta à comunidade sobre alterações no Estatuto da UFPel;
— Hospital Veterinário em condições inadequadas;
— Espaços inadequados a portadores de necessidades especiais;
— Cada do Estudante em péssimas condições elétricas e hidráulicas;
— Bibliotecas desatualizadas e com pouco horários de funcionamento;
— Ginásios da ESEF em condições inadequadas;
— Ausência de linha de transporte que integra a Universidade;
— Transporte ao campus de modo insatisfatório;
— Relação de imóveis alugados pela Universidade;
— Destino dos prédios sucateados comprados e gastos com reformas;
— Deficiência orçamentária das Unidades.
Abaixo a Contra-reforma Universitária do Banco Mundial/PT!
Rebelar-se é justo!
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