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Nem um passo atrás na defesa da independência do Movimento Estudantil de Pedagogia!

Nota Pública do Movimento Estudantil Popular Revolucionário sobre o ENEPe-PB e os ataques à nossa Corrente:

Nem um passo atrás na defesa da independência do Movimento Estudantil de Pedagogia!

Ocorreu entre os dias 17 e 23 de julho deste ano na Universidade Federal da Paraíba o 31º Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia. O encontro foi marcado por grande participação dos estudantes, cerca de 600, presentes nos debates. Mas não foi apenas nos espaços de plenária que os estudantes participaram do Encontro: diante de problemas políticos e organizativos que iam surgindo, constituíram-se comissões de trabalho, abertas a quem quisesse participar, para garantir desde a limpeza do espaço até a defesa da integridade dos participantes.

As mulheres, maioria que compõem o curso de pedagogia, tiveram um destacado papel nessas comissões. Logo no primeiro dia criaram uma comissão de ética (aprovada em plenária) com o objetivo de dar fim às praticas machistas e fazer cumprir o regimento do encontro. Por que isso? Porque nos últimos anos, sucessivamente, têm-se repetido práticas inaceitáveis contra as mulheres principalmente, tais como corredor de homens em frente ao banheiro feminino, assédio de todos os tipos, desrespeito ao direito de descanso nos alojamentos e, inclusive, agressões físicas.

Curiosamente, não faltaram defensores velados do assédio sexual e da agressão contra as mulheres. Em nome de uma suposta “autogestão”, defesa da “liberdade individual”, uma meia dúzia de pessoas atacou sorrateiramente o papel da comissão de ética. Curioso, não? Essa gente fala em democracia de base, mas não aparece nas assembléias para defender suas posições, nem acata as definições adotadas por unanimidade (sim, senhores! As regras de conduta foram adotadas por unanimidade!). Essa gente fala em auto-gestão, mas quando o Encontro elege comissões de trabalho para organizar de forma autônoma seus espaços de convivência, não se dispõem sequer a pegar uma vassoura e dividir as responsabilidades de organização.

Enfim, como disse um grande cientista, a prática é o critério da verdade...

Manifestação exige respeito pela educação!

Outro fato importante de se destacar neste encontro foi a realização de um ato publico no centro de João Pessoa. Em que pese às dificuldades de preparação, o ato conseguiu reunir cerca de 450 estudantes, que fecharam as ruas da capital paraibana e foram até o principal centro político da cidade (praça dos Três Poderes) levar suas reivindicações.

Todos muito bem organizados, entoando palavras de ordem em defesa da educação, denunciaram o descaso do governo, exigindo mais respeito e claro, mostrando a toda a população que os estudantes de pedagogia estão organizados para defender uma educação publica, gratuita, de qualidade e a serviço do povo!

Não é novidade para ninguém que o Movimento Estudantil de Pedagogia é, já há vários anos, rompido com o governo e a UNE chapa-branca. É sintomático, aliás, que enquanto o ENEPe foi organizado com muito esforço pelos próprios estudantes, sobretudo os membros da Comissão Organizadora e da Executiva Nacional, o CONUNE teve um orçamento de R$4 milhões pago pelo governo, e contou com a presença de Luis Inácio e o ministro cara-de-pau que mandou processar oito estudantes de pedagogia.

Que diferença!

Por isso, não é de estranhar o desespero dos governistas de plantão, e sua tentativa de tentar por todos os meios liquidar o ENEPe como um espaço de debate e mobilização dos estudantes. A orientação dos capachos do governo é cristalina: se não dá pra ganhar na política, trata-se de destruir o Encontro enquanto instância deliberativa dos estudantes de pedagogia.

Na plenária final a UNE (PT/PCdoB) recorreu às praticas mais baixas dentro do movimento estudantil, e deixou a nu toda sua essência. A primeira votação dizia respeito à próxima sede do ENEPe. De um lado, alguns estudantes do RJ e da Bahia, propondo um Encontro na UERJ Maracanã, sem o apoio da maior parte da delegação do próprio Rio e atropelando a Executiva Fluminense legítimamente constituída. De outro lado, a Executiva Mineira dos Estudantes de Pedagogia, com apoio da esmagadora maioria dos Estados e estudantes presentes no Encontro, propondo a realização do 32º ENEPe em Belo Horizonte.

Basta às práticas mafiosas no Movimento Estudantil de Pedagogia!

Quando a proposta de BH ganhou por contraste visual, a gangue da UNE(PT/PCdoB) entrou em ação a fim de implodir a plenária.

Um grupelho, chefiado pelo covardão apelidado “Preto”, da UERJ FFP, que sequer estavam inscritos no Encontro, invadiu a plenária final a fim de intimidar os estudantes e anular a votação. Justamente após a votação, essa máfia de covardes, expert em agredir mulheres e pessoas sozinhas, entrou em cena. E ainda há quem veja nisso mera coincidência! Mas as centenas de estudantes presentes se mantiveram firmes e, aos gritos de “CAI FORA”, enxotaram pra fora da plenária os cães de fila do governo.

Durante o recesso do almoço, dezenas de estudantes, principalmente da delegação de Minas Gerais, ficaram sitiados dentro do auditório da plenária. Não tinham como sair, pois na porta do auditório a gangue estava reunida, justamente para intimidar  as companheiras/os. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro: isso somente reforçou a solidariedade e a decisão dos estudantes e, após o almoço, a posição anti-UNE ampliou sua maioria já constatada pela manhã.

Entretanto, mais uma vez, estando já derrotado, o grupelho da UNE apelou: subiram na mesa, protagonizaram cenas ridículas e burlescas. Tumultuaram a tal ponto, pois sabiam que estavam muito bem respaldados pela sua gangue particular. A plenária, visivelmente intimidada, não conseguiu prosseguir na discussão, e não pôde debater e aprovar o plano de lutas.

Por fim a sede do próximo ENEPe será decidida em reunião da Executiva Nacional dos Estudantes de Pedagogia, ainda a ser convocada, onde a Executiva Mineira dos Estudantes de Pedagogia que propôs que BH sediasse o 32º ENEPe, e o RJ deverão apresentar a documentação necessária de acordo com o estatuto para que assim a Coordenação da ExNEPe possa tomar uma decisão de qual cidade sediará o próximo encontro.

De que lado você samba?

Essa é a pergunta posta ante todos os que participaram do ENEPe e que defendem sinceramente um movimento de pedagogia combativo e independente do governo. A escolha entre os que propuseram o ENEPe no RJ e os que propuseram o ENEPe em BH é a escolha entre um Encontro organizado pela UNE, financiado pelo governo e apoiado pelo REItor da UERJ Vieira Alves (o mesmo que manteve um processo criminal contra os estudantes que ocuparam a reitoria em 2008), por um lado, e um Encontro independente, sediado por uma das delegações mais atuantes ao longo do ENEPe e, o que não é secundário, que conta na sua executiva com maioria esmagadora de mulheres, expressando portanto o caráter do movimento de pedagogia.

Um dos argumentos mais utilizados pelos defensores do Encontro no Rio, tanto em Brasília como na Paraíba, é que a “cidade maravilhosa” será palco de mega-eventos como Copa do Mundo Olimpíadas. Os mesmos mega-eventos responsáveis pelo aumento da segregação social contra os pobres do Rio, a criminalização dos camelôs e expulsão dos moradores das favelas. Por aí, já se vê qual a orientação política desses que querem se passar agora por “apolíticos”...

Cabe às instâncias deliberativas do Movimento de Pedagogia decidir. Em qualquer democracia, vale a vontade da maioria, e essa foi expressa inequívocamente na plenária final do XXXI ENEPe.

No que diz respeito à nossa Corrente, enquanto organização política independente, entendemos como pura má-fé a tentativa de resumir o que aconteceu no ENEPe como uma briga MEPR x UNE. Em primeiro lugar, o fato da plenária final do ENEPe ser invadida e implodida pela mesma gangue que vem intimidando e agredindo estudantes desde o ENEPe do Maranhão (2007), o fato de mulheres serem assediadas na porta dos banheiros femininos, o fato do direito ao descanso nos alojamentos não ser respeitado, não é um ataque ao MEPR. Esses são ataques à organização e combatividade do movimento estudantil de pedagogia no seu conjunto, e se o MEPR é identificado como oposto àquelas práticas isso só demonstra que somos coerentes com nossos princípios e que, ao invés de buscar tapar o sol com a peneira, tomamos franca posição ao lado da maioria dos estudantes.

Em segundo lugar, nós do MEPR atuamos também dentro do MEPe. Sim. Nossas companheiras e companheiros mobilizaram estudantes para o Encontro, ajudaram na sua construção e trabalharam pesado nas comissões formadas durante o mesmo. Estivemos presentes em todos os espaços de discussão levando nossa opinião e posição política aos estudantes presentes. Nossa posição política incomoda a muitos, que se utilizam de um discursos despolitizado e fascista, para tentar criminalizar e até mesmo impedir que militantes se posicionem nas discussões, ao invés de fazer um debate político franco. Intervir nas mesas, plenárias, grupos de discussão e rodas de diálogo não é aparelhar o movimento estudantil. Aparelhar é tolher o direito de fala, é tentar controlar o encontro como fez a UNE(PT/PCdoB), tentando aprovar no tapa suas propostas. Não há qualquer semelhança entre a prática do MEPR e a prática da falida UNE, como tentam dizer. Quem ficou até o encerramento da plenária final viu que a única preocupação dos nossos militantes era garantir, na medida do possível, a integridade física dos que estavam conosco, o que conseguimos, porque a arma da intimidação jamais será mais poderosa que a arma da organização política e da solidariedade entre companheiros.

Não há dúvida que o movimento estudantil de pedagogia entrou em uma nova fase. A ruptura com o governo e a UNE somente se consolidou ao longo dos anos. A ordem do dia agora é defender suas instâncias políticas e organizativas, como espaços independentes e que servem a organizar a luta dos estudantes. Quem conhece a prática da UJS-PT nas entidades de base bem sabe que a sua atuação é tentar controlar essas entidades e, se não o conseguem, tentam por todos os meios destrui-las. Claramente, no movimento estudantil de pedagogia, essa gente escolheu a segunda opção.

Essa é a questão posta na mesa. Tentar turvar as águas somente irá favorecer, sem dúvida, os que se escondem do debate político e crescem no pântano das intriguinhas e maquinações.

Abaixo a UNE governista, oficial, pelega e reformista!

Viva o Movimento Estudantil de Pedagogia!

 

A UNE implodindo a plenária final do ENEPe:

 

Quem tumultuou a plenária?

 

Votação da sede do ENEPe 2012

 

Na plenária final, quando centenas de estudantes expulsaram a gangue da UNE, que entrou na sala de debates para agredir um companheiro do MEPR.

 

 

ATO PÚBLICO EM DEFESA DA EDUCAÇÃO:

 

 


 

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