No dia 27 de setembro de 2011 os estudantes da Universidade Federal de Rondônia do campus de Ji-Paraná se reuniram em assembléia previamente convocada para tratar da pauta de adesão total dos acadêmicos à greve geral. Levando em consideração o curso de Física que já estava em regime de greve há mais de uma semana.
Os representantes dos cursos de Engenharia Ambiental, Estatística, Licenciatura em Educação Básica Intercultural, Matemática e Pedagogia apresentaram as definições pré-definidas de cada curso, e logo a assembléia tomou caráter deliberativo seguindo as assembléias gerais dos campi universitários da UNIR que se encontram em greve.
Apesar da coação que a reitoria vem fazendo com os professores, principalmente os professores em estágio probatório e refletindo nos estudantes, a mobilização se torna cada vez mais espontânea e legítima não é a toa que na assembléia estavam estudantes de todos os cursos do campus de Ji-Paraná.
Isso tudo desmente as falácias da Reitoria que tenta sustentar a afirmação que a greve é parcial. Os campi de Porto Velho, Rolim de Moura, Guajará-Mirim, Ji- Paraná estão em greve geral dos estudantes! Os campi de Vilhena, Ariquemes e Cacoal, estão em greve e paralisação parcial, mas já há indicativos de greve geral. É nítido que o Reitor Januário Amaral, não tem nenhuma condição de continuar como administrador superior desta universidade são mais de uma década trazendo decadência e desmantelamento a UNIR, expressando e fazendo funcionar todos os desmandos do MEC e do governo federal.
Transcrevemos abaixo os termos do Termo de Ajustamento de Conduta que este mesmo Reitor Januário Amaral assinou com os estudantes, concernentes ao campus de Ji-Paraná.
VIGÉSSIMA SESSÃO - DO CAMPUS DE JI-PARANÁ
CLÁUSULA I
A Reitoria irá executar um projeto e destinará recursos para construção de uma quadra de
esportes no campus de Ji-Paraná.
CLÁUSULA II
A Reitoria irá construir uma nova Biblioteca no Campus de Ji-Paraná.
CLÁUSULA III
A Reitoria destinará parte das 5.000 mil novas cadeiras, 1.000 novos quadros brancos e 1.000
mesas de professores para as salas de aula do campus de Ji-Paraná.
CLÁUSULA IV
A Reitoria se compromete a agilizar o processo de término e entrega do prédio do curso de
Engenharia Ambiental de Ji-Paraná.
De acordo com os estudantes somente a cláusula IV foi parcialmente cumprida já que mais da metade das salas do prédio do curso de Engenharia Ambiental não estão funcionando, por falta de mesas e cadeiras além de iluminação e refrigeração.
A solicitação de afastamento do reitor, não deixará de lado as reivindicações que os estudantes já possuem, por isso continuaremos exigindo melhorias imediatas para o bom funcionamento das atividades acadêmicas. Como primeira atividade da greve, em Ji-Paraná, os estudantes convocaram a sociedade civil para manifestação nesta quinta-feira às 8h com concentração no campus universitário de Ji-Paraná, percorreram ruas e avenidas do primeiro distrito de Ji-Paraná, e os professores da UNIR/Ji-Paraná definem se também cruzam os braços ou não em assembléia. No mesmo horário os estudantes realizam um teatro na Praça da Bíblia, centro de Ji-Paraná, onde explicam à população às suas reivindicações.
Nesta quinta-feira, os estudantes do campus de Vilhena realizarão Assembléia para decidir pela adesão à Greve, já que o curso de Letras daquele campus já aderiu ao movimento de Greve. Os estudantes do campus de Cacoal se reunirão nesta sexta-feira. Após 15 dias de greve, o quadro de greve na UNIR é:
QUADRO DA GREVE NA UNIR – EM 29/09/2011 – 15º dia de Greve
Campus de Porto Velho – Paralisação Total (Professores e estudantes)
Campus de Rolim de Moura – Paralisação Total (Professores e estudantes)
Campus de Guajará-Mirim – Paralisação Total (Professores e estudantes)
Campus de Ji-Paraná – Paralisação Total de Estudantes (Professores decidirão em Assembléia na segunda-feira)
Campus de Vilhena – Paralisação parcial – Curso de Letras – Hoje ocorrerá assembléia geral dos estudantes
Campus de Ariquemes – Paralisação parcial dos estudantes – Engenharia de Alimentos
Campus de Cacoal – Paralisaram por 01 dia em apoio à Greve – Assembléia na sexta-feira com estudantes.
NOTA DO COMANDO DE GREVE DOS ESTUDANTES
Porto Velho, 29 de setembro de 2011
1- No dia 27 de setembro, o Reitor da UNIR, Januário da Amaral, publicou nota no sítio da universidade, sob o título “UNIR reitera convite ao Comando de Greve para assembleia”, onde explicita que os professores se recusam a negociar e “reitera o convite ao Comando Geral de Greve dos Professores e Alunos para assembleia no auditório da UNIR-Centro amanhã, 28/09/2011, às 16 horas”.
2- Respondemos no ofício nº010/2011 confirmando presença na reunião convocada levando em conta os termos estabelecidos para a reunião pelo próprio Reitor, ou seja, que a reunião seria no formato de assembleia e aberta a todos. Porém, no horário e data marcada fomos impedidos de entrar na UNIR-CENTRO por cerca de 30 policiais(entre Polícia Federal e Polícia Militar). Repudiamos tal atitude fascista, covarde e antidemocrática!
3- Como se não bastasse o REItor retirou do sítio oficial da universidade a tal convocatória. Quem quiser conferir pode acessá-la no Blog do DCE(http://dceunir.blogspot.com/p/documentos-greve-geral-2011.html). Repudiamos as tentativas de ludibriamento da sociedade e da comunidade acadêmica ao retirar o comunicado do site oficial, evidenciando má-fé e uma clara intenção de se safar das negociações com os estudantes.
4- Repudiamos ainda o papel do governador Confúcio Moura(PMDB) em aceitar enviar a Polícia Militar armada para reprimir estudantes que lutam por seus justos direitos e na defesa da universidade.
5- Em Assembleia Geral os estudantes analisaram a resposta do REITOR às pautas de reivindicações e constataram que nada fora resolvido de fato. Não passava de novas promessas e novas tentativas de livrar-se da responsabilidade do caos instalado na instituição. Diante desta situação uma nova pauta foi aprovada e colocada como condição para retomada das negociações: Que o Prof. José Januário de Oliveira Amaral seja afastamento da Reitoria da UNIR e a Vice-Reitora assuma seu posto até que seja feito a apuração de todas as supostas irregularidades.
6 - Por esses e por muitos outros motivos exigimos o afastamento do REItor. Entre os estudantes ele não tem representatividade alguma e muito menos condições de permanecer como reitor da universidade.
7- Hoje ele nos acusa de estarmos fazendo política. Sempre fizemos política e em nenhum momento negamos isto, porém diferente do que estão acostumadas pessoas como ele que tem seus cargos nomeados, não defendemos interesses eleitoreiros de nenhum partido político ou grupo de poder, pelo contrário combatemos veementemente este tipo de prática canalhocrática. Não nos meçam por suas medidas!
8- Nosso movimento tem a característica do NOVO Movimento Estudantil que tem se espalhado pelo Brasil inteiro em resposta aos ataques do governo federal e seus fantoches reitores contra o ensino público. Somos do Movimento Estudantil independente e combativo, que luta por uma transformação profunda na estrutura das universidades e escolas, bem como de toda a sociedade e da vida do povo brasileiro. E assim permaneceremos! No caminho da luta e na defesa intransigente e incessante da universidade pública, gratuita, verdadeiramente democrática, de qualidade e que sirva aos interesses do povo.
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