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Estado policial contra as massas no Complexo do Alemão

Conflito_em_bar_resulta_em_interveno_da_polcia_no_Complexo_do_Alemo Chegou realmente ao seu ponto culminante a política de criminalização e extermínio de pobres levada a cabo pelo Estado Policial no Rio de Janeiro nos últimos anos.

Todo o acúmulo prévio de odiosa campanha nos monopólios de imprensa, somado a vultosos recursos do governo federal (através de projetos como PRONASCI e PAC das Favelas) e ações e declarações assassinas e preconceituosas de Sérgio Cabral e seu cão-de-guarda José Mariano Beltrame, frutificou. Dele nasceu o monstro que assistimos nos últimos dias.

É bastante sintomático que aquela que pode ser considerada a maior operação de guerra desencadeada na cidade do Rio tenha ocorrido ainda no governo Luis Inácio. No seu ufanismo de “como nunca antes na história” já muito se assemelhava aos gorilas de 64. Os rasgados elogios a figuras como Geisel (a que foi dado o nome de uma usina nuclear em Angra dos Reis) e Romeu Tuma, assim como sua chamada “base de sustentação” no Congresso, também reforçavam as semelhanças. Assistimos agora o Exército atuando [mais uma vez] com poder de polícia, tanques nas ruas, helicópteros de combate e a volta da velha cantilena do regime militar-fascista: ou está conosco ou está contra nós.


O Povo sob fogo cerrado:

Casa_de_morador_da_Vila_Cruzeiro_destruda_por_policiais É isso o que temos visto e ouvido nos últimos dias. Apresenta-se como única alternativa à presença do tráfico a presença ostensiva das Forças Armadas e da polícia, particularmente da sua tropa de adestrados assassinos chamada BOPE. Aos que ousam criticar a violência policial, diz o monopólio da imprensa, babando sangue e euforia policialesca, notadamente a Rede Globo: “defensores do tráfico”...

É, em primeiro lugar, desnecessário repisar o fato de que o tráfico é o segundo ítem do comércio mundial, à frente inclusive do petróleo e perdendo únicamente para o tráfico de armas. Ora, o tráfico pé- de- chinelo que habita os morros são os reles varejistas, adolescentes viciados que nem sequer sobrevivem para administrar um negócio bilionário e regular, ininterrupto. Não é inegável que, apesar de prisões e execuções serem realizadas todos os dias, a rede do tráfico de drogas segue operando, numa prova inconteste de que essa ação policial atinge a ponta apenas do processo, deixando intactas as suas bases?

Jos_Pedreira_servente_foi_atingido_no_tornozelo Em segundo lugar, mesmo esses chefetes do varejo, no caso os principais gerentes do tráfico no Complexo do Alemão, não viverão sob o jugo da ocupação militar: fugiram antes...Restaram os “soldados”, apresentados como troféus e/ou executados no alto do morro e, principalmente, ficaram [porque não têm para onde ir] 200.000 trabalhadores, que continuam a viver sob cerco, humilhações e um estado de sítio que não foi decretado mas existe de fato. As denúncias de assassinatos, roubos e achaques se sucedem, e sabemos que apenas a ínfima parte vêm à tona. Aquela área, aliás, verdadeiro cemitério de indústrias, tem o pior IDH do Rio de Janeiro e 92% de sua população vive da chamada “informalidade”, ou seja, encontra-se virtualmente desempregada.

Rastro_de_morte_em_favela_carioca_durante_incurso_da_polcia Em terceiro lugar, a autoridade das massas não apenas não é reconhecida. Não é sequer cogitada. Às massas, dizem, resta se contentar a viver sob permanente vigilância e tutela armadas, seja diretamente pelos órgãos repressivos do Estado, seja por suas ramificações, facções de traficantes e/ou grupos paramilitares. A propósito: desde quando a Polícia Militar e as Forças Armadas reacionárias são defensoras da população trabalhadora? Por um acaso alguém ainda se lembra do caso do Morro da Providência, aonde a presença do Exército culminou no assassinato de três jovens e na rebelião da população local, que quase invadiu o Comando Militar do Leste? O exemplo do Haiti é agora evocado e já ninguém faz questão de esconder que os sucessivos massacres perpetrados contra a sua faminta população serviram e servem como laboratório de repressão a ser aplicada contra as massas trabalhadoras de nosso país. Dos 800 homens mobilizados pelo Exército para atuar no Complexo do Alemão, 60% já estiveram presentes no Haiti.

Dilma Roussef, por seu turno, já  adiantou que pretende manter as tropas nas ruas do Rio de Janeiro até a Copa do Mundo, em 2014!

Como disse o jornal “A Nova Democracia”, em seu editorial da edição 35, “As favelas, quando não vivem o clima de um campo de guerra, são uma imensa penitenciária”.

 

Quem lucra com as Unidades de Polícia Pacificadora?

O_trfico_que_a_TV_no_mostra O governo do Rio, em parceria com o governo federal, promete instalar uma nova Unidade de Polícia Pacificadora na Vila Cruzeiro dentro de sete meses. Esse fato, aliás, é apresentado pelos monopólios de imprensa como a própria “redenção” do Complexo do Alemão.

Ocorre que tais UPP’s, a título de “libertar” as populações do tráfico, submetem milhares de pessoas a toque de recolher, roubos, abuso por parte de policiais, achaques, torturas e assassinatos. Aliás, como quem mora em comunidades aonde foram instaladas essas Unidades sabe, o tráfico nessas localidades segue operando.

Como ocorreu durante o regime militar, existem grandes interesses econômicos e financeiros por detrás da repressão sistemática contra o nosso povo. No dia 24/08 último, Sérgio Cabral e José Mariano Beltrame, cujas mãos estão manchadas de sangue, anunciaram o chamado “fundo” para realização de obras nas UPP’s. Obras, aliás, voltadas não para a infra-estrutura das comunidades, mas para treinamento e alojamento dos policiais.

As empresas que firmaram o convênio são: Grupo EBX, Bradesco Seguros, Coca-Cola, Souza Cruz e, vejam só, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Somente o grupo EBX, do empresário Eike Batista, comprometeu-se a “doar” R$ 20 milhões por ano até 2014 para a implantação de UPP’s em todo o Estado. Alguém é capaz que esses grandes monopólios, ou diretamente de capital estrangeiro ou a ele associado, estejam interessados no “bem estar do povo”?

Passar_por_revista_policial__rotina_para_os_moradores_do_Complexo É claro que o que está em jogo é, por um lado, os poderosos interesses das empresas e especulação imobiliária em geral, uma vez que novas construções (para quem pode pagar caro) poderão ser feitas e, além disso, as antigas habitações nas favelas entram no circuito imobiliário em geral, pagam impostos, além do que os edifícios no asfalto sofrem valorização instantânea com a implantação de uma UPP no bairro. Por outro lado, é revelador que a CBF faça parte desse fundo: trata-se de militarizar a cidade para que ela possa oferecer todas as possibilidades de lucro máximo aos monopólios estrangeiros instalados no Brasil. Ora, no último mês o famigerado Congresso Nacional, numa das mais infames sessões de sua história (olhem que não são poucas!) aprovou a toque de caixa a “isenção fiscal” absoluta de todas as obras relacionadas com os Jogos Olímpicos e a Copa de 2014, totalizando uma capitalização dos monopólios de no mínimo R$ 340 milhões. Trocando em miúdos: são muitos, e altíssimos interesses em jogo.

Vila_Cruzeiro Também ganham, e muito, as facções criminosas rivais àquela que foi atacada no Complexo do Alemão e, também, as chamadas “milícias”, grupos paramilitares conformados por policiais e agentes repressivos em geral que se instalam num determinado território e, em nome de combater o tráfico, cobram dinheiro da população e impõem suas próprias leis de terror. Tudo indica que, além de tentar estabelecer o seu monopólio absoluto da violência, os grupos de poder alojados no aparelho de Estado no Rio buscam obter, também, o monopólio da venda de drogas na cidade (estabelecendo a existência de uma única facção, sob estrito controle) e da extorsão sobre a população das favelas.


Destruir o Estado reacionário e construir uma autêntica democracia!

Exrcito_atua_como_polcia_no_Complexo Não há qualquer democracia no Brasil! O velho Estado reacionário, que mancomunado com os monopólios de imprensa, insufla a cultura da violência contra as massas, mantém tropas cercando os honrados trabalhadores do Complexo do Alemão (mesmo após a retirada dos traficantes), é aquele que tem diariamente expulso de seus locais de moradia centenas e milhares de famílias, para construir estádios de futebol e estacionamentos visando a Copa do Mundo. É aquele que mantém no campo o secular latifúndio, sustentado no intocado poder de seus bandos armados. O que ajuda a manter no Haiti um regime tal que faz morrer de cólera homens, mulheres e crianças.

A “esquerda” oportunista, canalha, que apoiou Dilma numa suposta luta “contra a direita” (na verdade defendendo seus “lugarzinhos rendosos”) silencia de maneira criminosa sobre os crimes perpetrados no Rio. Vendem sonhos vazios de “paz e democracia”, quando todos vêem que mais e mais tudo na vida social se resolve crescentemente pela violência.

O maior criminoso do nosso país  é, isto sim, o velho Estado brasileiro, e o sistema de poder e as classes dominantes retrógradas que sustenta. É necessário, como nunca, denunciar os crimes perpetrados contra a população trabalhadora, não aceitar a polarização entre “mocinho x bandido”, importada do receituário ianque, e dizer em alto e bom som que “A Rebelião se Justifica”. A liberdade o povo só a pode obter com a Revolução, que ponha termo a uma sociedade caduca que necessita tanto das drogas como da escalada fascista que sua crise inevitavelmente gera.

 

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