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Liderança camponesa assassinada no Nordeste

companheiro_Elias

Encaminhamos denúncia enviada pela Liga dos Camponeses Pobres do Nordeste, que está sendo divulgada pela Associação Brasileira dos Advogados do Povo (ABRAPO).

Nós do MEPR reproduzimos essa denúncia com ódio proletário, ódio contra os algozes do povo que lançam mão diariamente do terror para tentar aplastar a sede de justiça do nosso povo brasileiro; ódio contra essa falsa democracia que nada mais é que um velho Estado reacionário burguês-latifundiário, semifeudal e semicolonial. Ou o que dizer de uma usina que montou um verdadeiro exército particular, com treinamento e armas próprias de um exército, para ameaçar e assassinar camponeses em luta pela terra, particularmente suas lideranças?

Mas enganam-se os que pensam que o sangue derramado cala a revolução e a revolta do povo. Ao contrário. Trata-se de mais uma lição, paga com sangue, de que somente com a organização das massas pobres de nosso país, particularmente dos camponeses, somente com justa e violenta rebelião é possível destruir esse velho Estado. Trata-se de mais uma lição do que é a “reforma agrária” do PT, e seus aliados do tipo Collor, Calheiros e asseclas. O povo tem o direito de lutar, de se rebelar, e de vingar todos seus malditos algozes. Seja cedo ou tarde, o dia em que justiça será feita é apenas questão de tempo!


COMPANHEIRO ELIAS! PRESENTE!

As 16h do dia 8 de dezembro, um grupo para-militar formado por jagunços da usina Utinga Leão, situada entre as cidades de Rio Largo e Messial-AL, invadiram por uma mata um acampamento organizado pela Liga dos Camponeses Pobres e tocaram o terror entre os acampados, gritaram nomes de lideranças camponesas da região e por um acaso neste havia uma grande liderança, o companheiro Elias Francisco Santos da Silva que foi morto com vários disparos de armas de grosso calibre e demais que a pericia identificou como de uso exclusivo das forças armadas, como a exemplo o fragmento de uma cápsula  do que seria uma escopeta de uso restrito das Forças Armadas Brasileiras.

O companheiro Elias era um homem simples, de uma família humilde, possuía hábitos comuns e trabalhava com muita dignidade. Dirigia há quase um ano a ocupação da área conhecida popularmente como Lageiro no município de Messias-AL. Não era de deixar se levar por falsas promessas, desta forma foi que se aproximou da Liga dos Camponeses Pobres, uma organização séria a qual Elias tinha orgulho de pertencer e defender. Casado, pai de 6 filhos, vivia e produzia com sua familia e tantas outras que estavam acampadas na área.

Existem inúmeras denuncias realizadas pelo movimento camponês alagoano de que há muito a usina Utinga Leão vem treinando seus vigilantes para servir como milícia no combate aos camponeses pobres. Mesmo após diversas denúncias, protestos e manifestações vimos nosso caro companheiro ser brutalmente assassinado pelas mãos do latifúndio. Os jagunços tinham, além das armas exclusivas, capuzes e coletes à prova de balas. Após assassinarem o companheiro Elias e expulsarem os demais camponeses do acampamento, os criminosos permaneceram por entre as árvores que cercam a área até a primeira guarnição da Policia Militar chegar, esta ao chegar foi recebida a bala pelos jagunços e foram obrigados a bater em retirada, depois com reforço, voltaram e mais uma vez houve combate, mas o comandante se viu obrigado a se retirar, pois segundo ele os PM's não estavam treinados para combater naquelas condições (na mata). Estes acontecimentos aliados ao fato de executarem apenas uma liderança da organização camponesa demonstra que este grupo teve treinamento tático-militar, de inteligência e combate em selva, uma verdadeira tropa de choque do latifúndio.

Na manhã do dia 9 de dezembro, por volta das 10h, quatro elementos (supostamente os mesmos criminosos do companheiro Elias) tentaram intimidar camponeses do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade - MTL. Mas estes já haviam armado seu esquema de segurança e conseguiram botar os jagunços pra correr.

O enterro foi simples e rápido. Os familiares queriam fazê-lo o mais rápido possível, pois a brutalidade fascista dos bandidos foi tamanha que alvejaram a queima roupa um tiro de espingarda calibre 12 na face do companheiro, impossibilitando de o caixão ser aberto durante o seu enterro. Mas isto não impediu de que fossem realizadas todas as honras e homenagens proletárias ao combativo defensor da classe trabalhadora. De inicio foi cantado o hino da Internacional, logo após cada companheiro e familiar expressou suas últimas palavras ao camarada. Sempre ao fim de cada fala todos vibravam: Companheiro Elias! Presente!

 

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