O povo quer terra, não repressão!

O governo Luiz Inácio prossegue sua política antipovo, atacando a luta dos camponeses e de todo o povo brasileiro para desviar a atenção da grave crise que abala o país. Para isto, desata campanha de prisões, perseguições e violência policial contra os camponeses em luta. O governo fala de uma “reforma-agrária” pacífica, mas no ano passado, segundo dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra) foram assassinados mais de 70 camponeses em luta pela terra em todo o país.

Viva a resistência camponesa da Bandeira Vermelha!

No início do mês de março, a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, e bando de jagunços a mando do latifúndio atacaram os camponeses da área “Bandeira Vermelha”, na cidade de Montes Claros. Estas terras foram tomadas do latifúndio conhecido como “Fazenda Guiné” no ano de 2002, por dezenas de famílias organizadas na Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas.

Já em 2002 os camponeses denunciaram as investidas do latifúndio que planejava um desfecho sangrento para aplastar a luta. A resistência das famílias garantiu sua permanência na área e tem desmascarado e derrotado uma a uma as tentativas do latifúndio de expulsá-los daquelas terras.

No dia 3 de março, foi desencadeada uma odiosa campanha militar-policial, com o intuito de expulsar as famílias da Bandeira Vermelha, promovendo cenas que revoltaram o povo da região, atiçando a resistência dos camponeses. A mando do latifúndio a PM mobilizou mais de 200 soldados para desalojar as famílias. Todas as entradas das roças e casas foram cercadas e ocupadas pelas tropas da polícia. Médicos solidários aos camponeses foram impedidos de atender a uma criança que passou mal durante o cerco policial. Barracos e cobertores foram queimados sob o vôo rasante ameaçador dos helicópteros.

Essa ação truculenta da polícia, que contou com um aparato de guerra, tinha objetivo de amedrontar os camponeses e expulsá-los da terra. Falharam em seu intento. Decididas a continuar na luta, as famílias transportaram seus pertences para uma área vizinha e organizaram a resistência. Novamente reunidos, os camponeses decidiram e reocuparam a Fazenda Guiné.

Na tarde do dia 25 de março, mais de 80 policiais atacaram novamente a Bandeira Vermelha. Com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, balas de borracha e helicópteros, lançaram-se como cães raivosos do latifúndio sobre as famílias. Nessa investida da PM foram cometidas atrocidades: camponeses baleados enquanto estavam rendidos no chão, outros receberam socos e pontapés quando já estavam algemados. A PM não permitiu a presença de equipes de reportagem. Querem esconder da população como tem sido aplicada a “reforma agrária” do governo.

A selvageria da PM não dobrou os camponeses da Bandeira Vermelha, que prosseguem firmes e decididos na luta pela posse da terra, o que fica expresso em seu último comunicado: “A dor vai passar. A revolta fica. E rapidamente se transforma em certeza de que este mundo está todo errado e precisa mudar. É muita injustiça, muita miséria, poucos com tanto, tantos sem nada! Tanta terra parada, tanta gente sem terra. A revolta vira certeza, devemos lutar! E vamos, com todo o povo, um dia triunfar!”

Companheiros, a resistência camponesa da Bandeira Vermelha é comprovação da grande efervescência no campo em nosso país. Somada ao crescente número de tomadas de terra em todo o país, é o prelúdio da grande luta que se avizinha, quando a luta camponesa varrerá de uma vez por todas, o latifúndio e suas atrasadas relações de produção, construindo um novo poder. Nada de promessas nem conversa fiada de “reforma-agrária” pacífica promovida por um Estado de burgueses e latifundiários. O povo quer terra, pão, justiça e uma nova democracia!

O Movimento Estudantil Popular Revolucionário saúda a resistência da Bandeira Vermelha e conclama os estudantes combativos de todo o país a apoiar a luta dos camponeses pobres pela conquista da terra e destruição do latifúndio.

Terra para quem nela vive e trabalha!

Abaixo o terror policial-militar do latifúndio!

Conquistar a terra, destruir o latifúndio!

Viva a revolução agrária!

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