| Em
Divinópolis, estudantes da UEMG dizem NÃO ÀS
MENSALIDADES!
O
discurso do MEC é o de que quem ingressa à universidade
pública é um privilegiado, e que por isso deve pagar
taxas e mais taxas para ter acesso ao ensino superior. Na UEMG,
universidade que de pública só tem ostentado o nome,
os estudantes do campus de Divinópolis - cidade localizada
na região Oeste do estado de Minas Gerais - organizados
pelo Diretório Acadêmico, tem com sua luta descoberto
muita sujeira por debaixo do tapete, com que o governo tenta justificar
a ilegal cobrança de taxas nas universidades.
A
universidade que tem sua unidade central da capital – Belo
Horizonte – ao longo dos últimos anos, sob a fachada
de fundações privadas, vem criando dezenas de campus
afastados no modelo privado. Nesses campi, a exemplo de Divinópolis,
são cobradas mensalidades exorbitantes.
No
início do ano, um aumento criminoso das mensalidades serviu
de estopim para uma importante luta que serve de exemplo a todos
os estudantes do país. Os
trechos a seguir são extraídos do boletim impresso
pelo Diretório Acadêmico durante a luta.
"Participe
do boicote pela redução da mensalidade"
"A
mensalidade é o ar que a instituição respira"
Diante
dos aumentos das mensalidades ocorridos no início de 2004,
das promessas não cumpridas pela Funedi, os alunos do turno
da manhã e noite decidiram em assembléia boicotar
as mensalidades. Diversos estudantes já entregaram o boleto
ao DA, e certamente isto se torna uma pressão maior na
luta para reduzirmos em 15% as mensalidades, e conquistarmos as
outras reivindicações. Prova de como a pressão
e força dos estudantes é o caminho, é que
já conquistamos a redução no valor do xerox.
A diretoria já tem tentado negociar por cursos com o intuito
de dividir o movimento, mas isto só demonstra como tem
dado frutos nossa pressão.
Em
várias faculdades os estudantes utilizaram o boicote para
reduzir as mensalidades. Enfrentaram as ameaças de cobrança
de juros e multas, mas persistiram na luta. Em 2001 os estudantes
da Faculdade de Ciências médicas em Belo Horizonte
não pagaram as mensalidades por meses até conseguirem
impedir o aumento e ainda conquistar a redução.
Chamamos
os estudantes a boicotarem as mensalidades até a diretoria
atender os nossas reivindicações. Qualquer conquista
nossa dependerá da nossa capacidade de organização
e luta. Deixe também a sua boleta no DA e participe das
reuniões e assembléias.”
“A
diretoria da FUNEDI-UEMG pode fingir não entender o porque
de tanta mobilização dos estudantes nas últimas
semanas. Mas claro, pois quem acaba ficando com todo o nosso salário
é ela mesma, e não sente na pele as dificuldades
que temos que enfrentar dia a dia para conseguirmos estudar. Foram
3 semanas de intensa mobilização: realizamos assembléias
e diante da intransigência da diretoria paramos as aulas
e fechamos a avenida em frente à faculdade por várias
vezes nos turnos da manhã e da noite. Toda a combatividade
e força colocadas nas manifestações demonstram
que podemos conquistar nossos direitos.”
"Algumas
das mentiras divulgadas pela FUNEDI":
“Os
estudantes do DA participaram do estabelecimento do valor do aumento
em reunião no final de 2003.” Não adianta
tentar legitimar as suas medidas contra os estudantes dizendo
que o DA participou da decisão do aumento. Jamais concordamos
com aumento de mensalidades, pelo contrário há tempos
temos exigido a sua redução.
“
O aumento do salário dos professores não foi totalmente
repassado para as mensalidades”. O aumento passado aos alunos
em 2004, em média 7%, ocasionam uma renda muito maior que
as despesas com os professores, que segundo a direção
sofreu um reajuste 8 % (são aproximadamente 2800 alunos
e cerca de 150 professores). Chega a ser cômico dizer que
a Funedi não tem lucros, pois além de mensalidades
de R$ 380,00 a R$ 700,00 pagamos taxas para tudo dentro da faculdade.”
"As
fundações de direito privado e a universidade pública:
a luta pela estadualização da UEMG".
Desde
1989 a FUNEDI (Fundação de Direito Privado) usufrui
vários benefícios e isenções de impostos
do Estado por terem se incorporado à UEMG - Universidade
Estadual de Minas Gerais. Apesar de ter o nome de universidade
pública, o governo nestes 14 anos nunca mandou verba suficiente
para garantir um mês se quer de gratuidade aqui em Divinópolis
e em outros campi. Muitos políticos eleitoreiros se elegeram
em torno da bandeira da UEMG e da luta dos estudantes, para no
final não fazerem nada pela sua efetiva estadualização.
Já realizamos várias manifestações
em busca da gratuidade na UEMG . Em 2001 derrubamos o veto do
Itamar que impedia o repasse de parte do orçamento do Estado
para os vários campi da UEMG no interior. A luta pela estadualização
continua, pois na prática muitos estudantes são
obrigados a abandonarem seus cursos por não terem condição
de pagar as abusivas mensalidades na Universidade pública
de Minas Gerais.
Hoje
estamos lutando contra a Funedi pela redução das
mensalidades, pois é esta que estabelece seus valores.
Lutarmos pela redução das mensalidades não
significa que desistimos da lutar pela estadualização
da UEMG, muito pelo contrário. A luta pela redução
das mensalidades nos fortalecerá para exigirmos do governo
a completa estadualização de nossa universidade.” |