| Estudantes
de Pedagogia de todo o país reunidos no 24º ENEPe
definem
resistir e lutar contra a “reforma” universitária
do Banco Mundial
No
mês de julho acontece a maioria dos encontros nacionais
organizados pelas executivas de curso. Este ano, enquanto nos
encontros onde a UNE oficial e governista participava da organização,
os estudantes perdiam tempo debatendo se deviam ou não
ser a favor da “reforma” universitária do Banco
Mundial, no Encontro Nacional dos Estudantes de Pedagogia discutia-se
como organizar a luta contra mais este vil ataque aos direitos
do povo e como expulsar os agentes do MEC (UNE) de dentro das
universidades.
O
encontro, desde o início, encontrou muitas dificuldades
para se realizar. Com uma pauta que apontava na perspectiva de
discutir a luta contra a “reforma” universitária,
foi boicotado por reitores, secretaria de estado e governistas
de todas as laias, que na defesa da contra-reforma e do governo,
queriam impedir a realização do encontro. Mas não
conseguiram, e os estudantes de Pedagogia de todo o país,
reunidos durante 4 dias, discutiram e decidiram lutar contra esta
denominada “reforma” universitária que, na
realidade, é a culminação do processo de
privatização que se estendeu nas universidades públicas
nos últimos anos. Todas as posições da UNE
governista foram desmascaradas e repudiadas pelos estudantes.
Na mesa sobre movimento estudantil o representante desta entidade
falida foi vaiado por três vezes pelos estudantes e saiu
totalmente desmoralizado.
No
penúltimo dia do encontro, os participantes foram às
ruas manifestar contra a “reforma” universitária.
Levando faixas com os dizeres “Ministro, cara de pau, essa
“reforma” é do Banco Mundial!” e “Abaixo
a “reforma” universitária do Banco Mundial!”,
pararam a BR por quase uma hora, realizando uma combativa e vitoriosa
manifestação e impondo mais uma derrota à
todos aqueles a quem interessa privatizar nossas universidades.
A manifestação terminou no restaurante universitário
com uma atividade cultural de confraternização entre
as delegações, todos batucavam, cantavam o carimbo
(ritmo da cultura popular do Pará) e expressavam nos rostos
a alegria de ver renascer a organização estudantil
combativa e autônoma. Durante todo o encontro aconteceram
manifestações da cultura popular, em rodas os estudantes
cantavam, dançavam e resgatavam a verdadeira cultura de
nosso povo.
Na
quinta-feira, o MEPR organizou uma reunião para discutir
a Escola Popular e a Revolução Agrária que
contou com a participação de cerca de 50 estudantes
de diversas regiões do país. A reunião, iniciada
com a declamação de uma poesia sobre a criança
feita por um experiente combatente comunista presente no ENEPe,
desde o início emocionou a todos e muito nos orgulhou.
No debate, os estudantes demonstravam sua disposição
e satisfação de poder participar ativamente de uma
Escola que realmente se coloca a serviço da luta de nosso
povo e não de projetos assistencialistas, demagogos e eleitoreiros
como o Brasil alfabetizado e coisas do gênero.
Na
plenária final do encontro, os governistas de uma parte
da executiva nacional (UNE/PT), que não haviam participado
de todo o encontro (estavam ocupados em desmobilizar os estudantes
e levá-los para a praia) tentaram de todas as formas manobrar
para que suas propostas conciliatórias e entreguistas passassem.
Foram aprovadas, devido a isso, posições dúbeis
sobre a “reforma” universitária e o movimento
estudantil, mas nem por isso deixam de expressar a disposição
de luta dos estudantes presentes. Ficou latente na plenária
o ódio que todos os estudantes honestos e de luta sentem
dos governistas.
A
UNE começa a ser expulsa também do próprio
ENEPe. Não puderam este ano impedir que os estudantes decidissem
questões importantes sobre a luta contra a “reforma”
universitária, o movimento estudantil e a própria
organização da Executiva Nacional dos Estudantes
de Pedagogia: foi decidida a luta contra a “reforma”
universitária, através de manifestações,
paralisações, boicote às taxas e debates;
foi decidido o boicote às pseudo-audiências públicas
que o governo tenta realizar para legitimar sua contra-reforma;
decidiu-se que a luta contra a “reforma” deve se dar
por fora da UNE governista; decidiu-se que a eleição
dos representantes dos estados na executiva nacional passa a ser
realizada no encontro estadual e por chapas, afim de garantir
a unidade política da representação estudantil
de cada estado (com a eleição da executiva feita
nos encontros estaduais, os oportunistas da UNE/PT não
poderão mais reunir um grupo de 15 pessoas e indicar um
representante e certamente os estudantes não os elegerão
nos encontros estaduais por muito mais tempo). Estas foram importantes
vitórias dos estudantes e derrota para os governistas.
O
próximo encontro nacional dos estudantes de Pedagogia será
realizado no próximo ano em Minas Gerais, segundo a resolução
da plenária final do ENEPe. Os estudantes mineiros, com
larga experiência na luta contra a privatização,
que já vem há anos boicotando as taxas na UFMG e
UEMG, não decepcionarão e garantirão uma
pauta política para o ENEPe 2005, avançando também
na organização do encontro.
Viva
a luta independente e combativa dos estudantes de Pedagogia de
todo o país!
Abaixo
a UNE governista, oficial, pelega e reformista!
Abaixo
a “reforma” universitária do Banco Mundial! |