Estadual Central completa 150 anos com luta

O Estadual Central é a maior escola estadual de Minas Gerais. Situado na capital mineira, por ela passam diariamente cerca de 5000 estudantes, e por seu porte e tradição de luta, é conhecido de todos.

Para comemoração dos 150 anos do Central, a grande imprensa, Secretaria de Educação e a diretoria da escola fizeram grande estardalhaço. Convidaram políticos ex-estudantes para uma solenidade no dia 16 de março, tudo para encobrir o que vem realmente acontecendo com a educação pública e com o Estadual Central.

A escola nos últimos anos sofre golpes seguidos: primeiramente a diretoria sem consultar os estudantes fez um acordo com o Minas Tênis Clube, vendendo o direito de uso das quadras aos atletas privando os estudantes desse direito, logo após, uma unidade inteira da escola teve suas turmas fechadas no turno da noite, negando aos estudantes que trabalham o direito à educação pública. A política do governo de repassar à prefeitura a obrigação do ensino fundamental provocou o fechamento de mais turmas. A diretoria antidemocrática, obrigou o fechamento do grêmio estudantil, abrindo as portas da escola para uma intervenção policial no ano de 1999 quando diversos membros da entidade foram presos e agredidos.

Assim a escola vem sofrendo mutilações seguidas. Mas o Estadual Central é uma escola que não se rende, tradicionalmente sempre foi nessa escola onde iniciaram-se as grandes lutas na capital mineira. Sempre foi grande referência de luta dos estudantes e professores em defesa do ensino público. E se tem sofrido esses rudes golpes é porque trata-se de um foco de resistência que os inimigos da educação pública tentam se livrar a todo custo.

Mas vamos à festa!

Primeiramente o perfil de alguns convidados:

Aécio Neves (PSDB), governador do estado. Governo que Há anos vem negando aumento aos trabalhadores do ensino, e aplica cortes sucessivos da educação.

Fernando Pimentel (PT), prefeito de Belo Horizonte. Responsável pela implantação do sistema de aprovação automática nas escolas municipais, projeto que tem como objetivo empurrar os estudantes fora das escolas o mais rápido possível sem aprender o conteúdo ministrado. Também no comando da prefeitura, nega o passe livre aos estudantes – BH é a única capital do país onde não existe passe para os estudantes.

Lúcia Poly, mais conhecida como Lúcia Pinochet, superintendente de educação do estado. Ex-diretora do Estadual Central, sua gestão é marcada pela aplicação à risca das políticas do governo contra a educação, foi ela quem deu ordem para a polícia entrar na escola e prender os diretores do grêmio, fechando assim a sala da entidade.

Portanto, bastam esses nomes para termos claro que os convidados ilustres para a cerimônia são justamente aqueles que aplicam as medidas contra as quais os estudantes e professores do Central tanto lutaram ao longo dos últimos anos.

Mas a resposta veio à altura. Quando o prefeito Pimentel começou seu discurso, os estudantes ergueram cartazes exigindo o passe livre, o que deixou o Sr. Prefeito engasgado.

Daí então foi uma maré de questionamentos. Imediatamente foi organizada uma comissão representando os estudantes do Estadual Central para ir até a prefeitura reivindicar o passe-livre.

A agitação tomou toda a escola e desembocou em uma manifestação na Avenida que passa ao lado da escola.

Assim, o Estadual Central volta a acender uma chama que os reacionários inimigos da educação pensavam estar apagada. No final da manifestação todos prometiam retomar a luta pelo passe livre na capital.

Assim completa-se um século e meio de história da Escola Estadual Governador Milton Campos, o “velho” Estadual Central, vanguarda das lutas estudantis na capital mineira.

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