| Abaixo
nota publicada pela Liga Operária, se solidariza com a
justa revolta do povo da Vila Bandeira Vermelha (Betim/MG) e exige
a punição para os mandantes e assassinos dos companheiros
Erionides e Elder, que lutavam junto com as outras 200 famílias
pobres pelo sagrado direito à moradia, em 26 de abril de
1999.
PT
começa a colher o fruto da demagogia eleitoreira: a ira
popular
Liga
Operária
O
ex-dirigente da CUT e atual ministro Olívio Dutra, a candidata
à prefeitura, Maria do Carmo, e mais 200 militantes petistas
e candidatos a vereadores do PT e Pecêdobê, que compunham
a caravana eleitoreira que percorreu ontem (09/08) a periferia
da cidade de Betim, MG, à cata de votos, foi apedrejada
pelo povo. Nessa mesma cidade ocorreu em 1999 o assassinato de
dois trabalhadores sem-casa durante operação policial
de despejo, onde uma tropa de mais de 600 policiais militares,
sob as ordens da administração da cidade que estava
a cargo do petista Jésus Lima, atacou violentamente as
200 famílias de operários desempregados e sem moradia
que tinham tomado um terreno abandonado da prefeitura e erguido
o acampamento da Vila Bandeira Vermelha.
Os
fatos ocorridos na segunda-feira, dia 9 de agosto, na Vila Bandeira
Vermelha, bairro Itacolomi, em Betim, retratam que a consciência
do povo está viva contra os mandantes e executores dos
assassinatos dos trabalhadores sem-casa de Betim e revelam o sentimento
de revolta do povo diante da insistência do sistema e políticos
hipócritas e opressores, em sobrepor a exploração
e a mentira em cima dos pobres. Está viva na memória
de todos a violenta ação policial ordenada pelo
então prefeito de Betim, o petista Jésus Lima, que
no dia 26 de abril de 1999, mandou uma tropa de mais de 600 policiais
militares invadir violentamente o acampamento da Vila Bandeira
Vermelha, causando ferimentos em mulheres, crianças e o
assassinato dos pais de família e operários desempregados,
Erionides Anastácio de Sousa e Elder Martins Gonçalves,
que lutavam junto com as outras 200 famílias pobres pelo
sagrado direito à moradia.
O
ex-dirigente da CUT e atual ministro das Cidades, Olívio
Dutra (PT), estava cumprindo determinação do governo
de que nos próximos 60 dias, cada um dos 16 ministros petistas,
terão que dedicar integralmente alguns dias à campanha
dos candidatos do partido. Os gastos com as viagens por todo o
país – incluindo despesas com passagens, alimentação,
hospedagem e pagamento de militantes, seguranças, etc –
serão cobertos pela máquina partidária hoje
alojada na gerência deste podre estado burguês-latifundiário,
serviçal do imperialismo.
Os
moradores se revoltaram ao ver a comitiva do ministro Olívio
Dutra junto com a candidata Maria do Carmo, percorrer as ruas
da Vila, em clara demonstração de propósitos
eleitoreiros, e que estavam ali para provocar uma situação
que chamasse a atenção para as candidaturas do PT.
Eram mais de 200 militantes uniformizados e candidatos a vereador
com a camisa do PT, que com gestos sinalizavam aos moradores suas
reais intenções. Mas não esperavam que a
resposta do povo fosse imediata, com exclamações
tipo “porque o ministro não estava aqui quando assassinaram
nossos companheiros?” Por que na época do ataque
aos sem-casa da Vila Bandeira Vermelha, a então deputada
federal Maria do Carmo, também membro do PT e que tinha
seu marido como secretário do governo municipal, não
impediu a chacina dos sem-casa e nem mesmo manifestou publicamente
contra o covarde crime cometido a mando do seu correligionário,
prefeito Jesus Lima. A população indignada com tal
afronta não mediu e nem pesou a quantidade de pedras atiradas
contra esta “comitiva”.
São
muito justas as ações e palavras de revolta dos
moradores: “O PT veio aqui nos afrontar. Mostrar uma coisa
que não fez. Dois companheiros nossos foram assassinados
em 1999 e hoje temos duas viúvas que passam necessidade
por culpa deles.” “O PT que se diz defensor dos trabalhadores,
na época da tomada do terreno para moradia pelo povo pobre
de Betim, nunca aceitou negociar. Mandou foi a policia para nos
reprimir e assassinar. Por que só agora o ministro vêm
nos visitar. Veio só para pedir votos. Cobramos a punição
dos mandantes e assassinos dos companheiros trabalhadores.”
É
a revolta do povo que cresce contra essa farsa que são
as eleições burguesas, que não mudam nada
na vida dos pobres e só aumenta, cada vez mais, a exploração
sobre os trabalhadores.
A
Liga Operária se solidariza com a justa revolta do povo
da Vila Bandeira Vermelha e também se soma na exigência
de punição para os mandantes e assassinos dos companheiros
Erionides e Elder, que permanecem acobertados pelo atual sistema
de opressão e exploração.
Belo
Horizonte, 10 de agosto de 2004 |