| Greve
na UEPA sacode Conceição e confirma vitória
dos estudantes
Chegamos
ao fim da greve. Foram quarenta dias de um grande aprendizado
para todos os discentes e a comunidade de Conceição
do Araguaia. Aprendemos o verdadeiro poder da resistência,
da luta pelos direitos, num momento em que se diz justamente o
contrário: que é preciso ter calma, paciência!
Mostramos que agora, mais do que nunca, é a hora de resistir
às políticas de sucateamento e privatização
da educação. Este tem sido o caminho seguido pelos
estudantes do país inteiro, na luta contra a cobrança
de taxas, contra a reforma universitária, pelo passe-livre
nos transportes e pela educação pública.
Foram várias as conquistas que tivemos. As principais delas
foram a capacidade de organização dos estudantes
do núcleo,o apoio que toda comunidade da cidade deu à
greve, o desmascaramento do oportunismo do DCE e a defesa de nosso
núcleo com unhas e dentes. A tentativa da reitoria de tirar
vagas e não atender nossas reivindicações
fracassou porque impusemos respeito. Agora pensarão muito
antes de tentar ferir nossos interesses.
Esta
greve foi fruto de um grande descontentamento dos estudantes diante
do tratamento que tem recebido nosso núcleo. A paralisação
realizada em março deste ano pôs às claras
nossas exigências; vieram com falsas promessas e nada foi
cumprido: continuamos sem laboratórios, professores capacitados,
biblioteca e eleição para o núcleo. Quando
tivemos a notícia de que nos tirariam ainda mais ( 50 vagas
), a única forma encontrada para impedir esse desmando
foi organizar a greve. Hoje temos certeza que nossa decisão
foi acertada. As ações realizadas (interdição
da ponte, ocupação do núcleo, esclarecimento
à população, e outras) demonstraram que estávamos
dispostos à resistir até o fim. Foi por isso que
as negociações com a reitoria conseguiram êxito.
Em Redenção o pró-reitor chegou com promessas
sem garantias e a greve foi abortada pelos estudantes. Depois
de perceberem a farsa de que haviam sido vítimas, os companheiros
de Redenção tiveram que paralisar novamente e agora
seguem os mesmos passos de Conceição do Araguaia.
O
governo do estado encontra cada dia mais aliados em sua tentativa
de acabar de forma progressiva com a educação pública.
O oportunismo, sempre a serviço da reitoria, atuou de forma
descarada tentando vender o interesse dos estudantes. Em Conceição,
representados pela figura sinistra do Reginaldo-DCE (funcionário
do reitor), tentaram em vão vender a greve por míseros
quatro cumputadores. Além disso, esse traidor passava informações
para a diretoria dos planos do comando de greve. Depois de descorberto
e expulso do comando, passou a atuar no sentido de desmobilizar
a greve. Em uma de suas tentativas (na assembléia marcada
por ele), os estudantes perceberam sua traição e
foi votado “o não reconhecimento do DCE como representante
estudantil.”
Conquistamos
as vagas de pedagogia, a volta do curso de matemática para
2006, eleição para o núcleo, acervo bibliográfico,
conclusão da reforma da biblioteca e o laboratório
de ciências. Isto está documentado, mas para termo
de fato estas garantias precisamos manter nossa organização
e vigilância. Temos que continuar cobrando da reitoria.
Eles já estão avisados que caso tentem qualquer
tipo de manobra radicalizaremos novamente.
Ainda
temos muito à conquistar como, por exemplo, a vinda do
curso de enfermagem e os laboratórios de Letras e Matemática.
Para que isto se torne realidade precisamos fortalecer o DA e
organizar os CAs. É necessário compreendermos que
a defesa da educação pública se dá
cotidianamente. Não podemos arredar pé de nossos
direitos. Esta greve foi mostra de que quando estamos organizados
e decididos podemos conquistar tudo.
VIVA
A LUTA COMBATIVA DOS ESTUDANTES!
DEFENDER
A EDUCAÇÃO PÚBLICA COM UNHAS E DENTES! |