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Abaixo
a “reforma” universitária do Banco Mundial
O
principal debate hoje nas universidades e no movimento estudantil
se dá em torno da chamada “reforma” universitária
promovida pelo atual governo de plantão. O Ministério
da Educação, endossado pela governista Une, diz
estar fazendo uma reforma que amplia o acesso à universidade.
Mas na verdade a chamada “reforma” universitária
é a privatização do ensino superior. Esta
foi uma exigência feita ao governo pelo FMI para a renovação
do empréstimo em agosto de 2003. A partir daí, governo
e oportunistas, verdadeiros paus-mandados do imperialismo, iniciaram
uma série de medidas para aplicar esta falsa reforma. Em
novembro, o Banco Mundial organizou junto ao MEC um seminário
para apresentar as diretrizes da “reforma”. Ainda
naquele mês, o MEC defendeu o projeto de lei que retira
o artigo da constituição que garante a gratuidade
no ensino superior. Em dezembro, o Ministro da Casa Civil José
Dirceu ameaçou estudantes e professores dizendo que: “Para
esta reforma passar o pau vai comer”. Em janeiro, Tarso
Genro anunciou o projeto de compra de vagas nas universidades
privadas com dinheiro público. Em fevereiro, o Ministro
reuniu-se com a Une que em seguida lançou juntamente com
o MEC a campanha nacional “pela reforma universitária
já”, dizendo que esta representará uma grande
mudança para nosso país e a conquista da democratização
da universidade. Apresentar uma reforma exigida pelo FMI como
sendo a histórica democratização da universidade
é achar que os estudantes têm cara de palhaço.
Esta
“reforma”, isto é, a privatização
da universidade, vem sendo implementada desde o governo FHC através
do corte de verbas sistemático e do sucateamento do ensino.
Foram oito anos de arrocho salarial, redução brutal
no quadro de funcionários e professores efetivos e crescente
cobrança de taxas e mensalidades. Não é difícil
perceber que a política do atual governo para a educação,
assim como a política econômica, é a exata
continuação de FHC. A dita “prioridade para
a educação” é mais uma das surradas
promessas de campanha eleitoral. Vejamos como se deu esta “prioridade”
no governo Lula: em 2003 a verba do orçamento para as universidades
foi de 7 bilhões, 3.8 bi a menos do que o miserável
orçamento de FHC. Isto representou o corte de grande parte
das bolsas de trabalho e de pesquisa e a inviabilidade do funcionamento
deste e de outros setores. Faltam verbas para os hospitais universitários,
laboratórios, bibliotecas, bandeijões, moradias,
etc. Não existe dinheiro nem mesmo para o pagamento de
água, luz e telefone. É imoral e vergonhosa a situação
da universidade pública brasileira. Enquanto isto, em 2004
o governo aumentou o financiamento das universidades privadas
em 156 milhões, totalizando 829,2 milhões de reais
para os tubarões do ensino, recurso suficiente para manter
a Universidade Federal do Maranhão por quatro anos. Que
reforma universitária poderia se esperar de um governo
que trata com tanto desprezo a educação pública
e ao mesmo tempo entrega 145 bilhões de reais para banqueiros
internacionais?
“Universidade
para todos”, gratuidade para ninguém
O
denominado “Universidade para todos” (notem que não
se referem à universidade pública para todos) foi
apresentado pelo MEC como o principal projeto de sua contra-reforma.
Lançado numa jogada de marketing como sendo um programa
social e “inclusivo”, o governo anunciou a compra
de 100 mil vagas nas universidades privadas. O ministro Tarso
Genro afirmou que esta compra não custará nada,
pois preencheria supostas vagas ociosas. Grande mentira, já
que para isto o governo irá abater impostos das universidades
privadas, deixando de arrecadar 3 bilhões de reais. Este
projeto não tem nada de inclusivo, é uma verdadeira
vergonha falar em comprar 100 mil vagas nas particulares sendo
que nas universidades federais são oferecidas por ano somente
115 mil vagas. Com estes 3 bilhões seria possível
dobrar esta oferta nas públicas, reduzindo pela metade
a concorrência dos disputadíssimos vestibulares e
permitindo a universalização de todos os cursos
para o turno da noite.
Na
conclusão do citado Seminário Internacional MEC
- Banco Mundial, realizado em novembro, foi afirmado que “o
governo desvia verbas públicas para poucos privilegiados”.
Além de considerar as verbas destinadas à universidade
como gastos e não como um investimento estratégico
para o desenvolvimento nacional, se referem à educação
como privilégio e não como um direito do povo. Através
dos monopólios de comunicação o Banco Mundial
e o MEC procuram apresentar a universidade pública como
local completamente elitizado, isto para justificar que deva haver
aí cobrança de matrículas e mensalidades.
Para implementar estas cobranças o MEC declarou apoio a
PEC (projeto de emenda constitucional) da deputada Selma Schoms
(PT/PR) que suprime o artigo 206 da Constituição
Federal que garante a gratuidade nos estabelecimentos de ensino
superior. A cobrança de taxas é inadmissível
em qualquer circunstância, além do mais é
falso este argumento de que a universidade pública é
elitizada. 28% daqueles que se formam nas federais possuem renda
familiar inferior a 700 reais! Mais de 50% representam a primeira
geração da família que chega ao nível
superior de ensino. E aproximadamente 75% têm renda familiar
de até 2400 reais.
Para
implementar seus planos para a educação, o governo
articula suas ações em dois sentidos: por um lado
legalizar a cobrança de mensalidades dos “privilegiados”
das públicas e por outro financiar os “pobres”
tubarões do ensino. O resultado desta “reforma”
é um só: a privatização completa do
ensino superior. A universidade gratuita como instituição
deixa de existir e a gratuidade torna-se uma exceção,
somente possível através de bolsas concedidas de
maneira subjetiva e reguladas de acordo com a “boa vontade”
do governante de plantão.
O
FMI manda, o MEC obedece
Todo
o conteúdo antipovo desta contra-reforma vem sendo traçado
pelo governo Luiz Inácio desde seus primeiros passos, que
aprofundando FHC, sacramentou todos os abomináveis acordos
com o Fundo Monetário Internacional. Em primeiro lugar,
para não deixar dúvidas quanto à sua fidelidade
ao capital, fez questão de demonstrar que esse governo
está decidido a pagar rigorosamente, custe o que custar,
tire de onde tiver que tirar, mate de fome quantos for preciso
matar, as famigeradas dívidas externa e interna. E para
isso não tem poupado esforços. Em 2003 cobriu a
proposta de superávit primário do Fundo, fixada
em 4,5% do PIB, estabelecendo metas de inflação
e gigantesca redução de gastos para obter maior
elevação dessa taxa. E se por um lado o governo
tem cumprido à risca as políticas do imperialismo
para o financiamento de banqueiros, muito ao contrário
tem ocorrido com as promessas feitas ao povo, resumindo-as a metáforas
de campanha. Nosso país vive uma situação
calamitosa, ostentando a triste marca de quinto maior “risco
país”, com a impagável dívida que representa
57% do PIB e a maior taxa de juros do planeta. Diante desta triste
realidade, a educação pública não
sofreu qualquer alteração que não fosse a
sua piora. As instituições de ensino amargam uma
crise sem precedentes, com o sucateamento de toda sua estrutura
e crescente privatização.
A
aplicação desta falsa reforma, tem como objetivo
impedir qualquer tentativa de desenvolvimento nacional de nossas
forças produtivas, o que está expresso claramente
em seus pacotes como a Lei de Inovações Tecnológicas,
que transforma os laboratórios de pesquisa em balcões
de encomenda para multinacionais. O que o imperialismo quer é
uma universidade sem pesquisa autônoma, sem produção
nacional, sem pensamento nacional, sem identidade nacional. Esses
são os malditos planos do FMI para a universidade brasileira:
a culminação do famigerado acordo MEC-USAID sob
a batuta do Banco Mundial.
Contra-reforma
na universidade, o pau vai quebrar!
O
governo não mede esforços para aprofundar a exploração
sobre o povo. Diante da grave crise, repetem-se as denúncias
de corrupção e cresce a política de arrocho
contra o povo e o governo se atrapalha todo para se explicar.
As chamadas “reformas” (trabalhista, sindical, universitária
etc.), favorecem os ricos, a grande burguesia, o latifúndio
e o imperialismo e são para prejudicar os pobres. Aplicar
estas reformas mostra o caráter servil, submisso e capacho
do governo ao FMI e ao Banco Mundial.
Sonham
em impor goela abaixo mais esta contra-reforma, porém não
será tão fácil como quer o governo. Resistiremos
a este ataque à universidade pública!
Na
aula inaugural da Universidade Federal do Paraná o ministro
tentou enganar os estudantes com o projeto “universidade
para todos”, mas se surpreendeu com as faixas de protesto
e a grande vaia que levou. No final de abril os estudantes tomaram
as ruas de Curitiba em uma combativa manifestação.
Os estudantes de pedagogia com ativa e massiva participação
deram exemplo de organização e disposição
de barrar esta contra-reforma. Em Belo Horizonte o ministro e
o presidente da Une fugiram do debate com os estudantes na Faculdade
de Educação da UFMG. Também os secundaristas
organizados pela União Colegial de Minas Gerais levaram
faixas para o auditório: “Ministro cara de pau, esta
‘reforma‘ é do Banco Mundial!.
A
resistência dos estudantes contra a privatização
da universidade tem crescido. Em várias universidades do
país já estamos boicotando as taxas obrigatórias.
Estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade
de Formação de Professores de Petrolina, UVA-CE,
Universidade Estadual de Minas Gerais (Divinópolis e BH),
Unimontes (Montes Claros-MG), Universidade Federal de Goiás,
dizem não às taxas e mensalidades e não pagam.
Esta é a principal ação para pressionar o
governo contra seus planos de privatização. Agora
diante de todo ataque à universidade pública, devemos
levantar bem alto nossas bandeiras e a palavra de ordem “ABAIXO
A ‘REFORMA’ UNIVERSITÁRIA DO BANCO MUNDIAL!”.
Não
aceitamos este retrocesso histórico na universidade brasileira.
Que o governo pare de mandar verbas para as universidades privadas
e para os banqueiros e invista na universidade pública!
Vamos para as ruas e parar a universidade para barrar a contra-reforma
universitária!
Pela
abertura de 100 mil novas vagas nas universidades públicas!
Abaixo
Une/Ubes puxa-sacos do MEC e do Banco Mundial!
Esta
“reforma” não passará! Venha e tente
senhor ministro! |