Tarso Genro é vaiado por estudantes em aula inaugural na UFPR

“Tarso Genro, cara de pau, funcionário do Banco Mundial!”

A aula inaugural promovida todos os anos pela UFPR, sempre foi um evento formal e oportunista, cuja oratória demagógica de figuras supostamente representativas era aplaudida devido à desmobilização e apatia dos estudantes. Figuras como reitores, deputados e ministros já foram, por diversas vezes aplaudidos naquele auditório, tendo sua fala demagógica e mentirosa garantida por sindicatos pelegos, entidades estudantis governistas e demais puxa-sacos agregados ali presentes.

Porém, no dia 15 de março, na Universidade Federal do Paraná, essa cerimônia que foi presidida pelo Reitor Moreira e contou com a presença do Ministro da Educação Tarso Genro, o presidente da Itaipú Jorge Samek, vários deputados e vereadores do PT e demais representantes do governo foi transformada num grande protesto. Ao chegar no local, o ministro teve que engolir faixas com os seguintes dizeres: “Vende-se a UFPR. Tratar com Tarso Genro”, “Educação pública e gratuita é direito do povo. Essa reforma não passará! Venha e tente, senhor ministro!”, ou ainda “Abaixo a contra-reforma universitária do Banco Mundial!”. Além disso, os estudantes puxaram palavras de ordem, como: “Tarso Genro, cara de pau, funcionário do Banco Mundial!”, “Um, dois, três, quatro, cinco mil, ou pára essa reforma ou paramos o Brasil!”. Atônito com tamanha hostilidade e também com o nível de consciência dos estudantes ali presentes, o ministro se viu obrigado a mudar todo seu discurso. Começou pedindo: "Deixa eu falar primeiro, depois vocês vaiam". Mas foi respondido com uma imensa vaia que durou mais de 2 minutos. Engasgado, Tarso Genro iniciou sua fala lendo uma citação do filósofo alemão Theodor Adorno: "Ele (Adorno) foi questionado sobre aquilo que chamava de senso de provocação dos estudantes. E Adorno respondeu: creio que a reforma universitária, da qual ainda não sabemos no que vai dar (mais vaias, ao que o ministro disse: "Pessoal, não vaiem o Adorno, pelo menos"), nem sequer teria sido iniciada sem os estudantes.". Tendo caído no ridículo, teve que mudar o rumo de sua fala para não apanhar dos estudantes. Mas não adiantou nada, pois saiu dali escoltado por seguranças e PM’s e completamente desmoralizado.

Mesmo tentando articular um discurso supostamente radical, de enfrentamento com as políticas do Banco Mundial (segundo afirmou o ministro na maior cara de pau, a proposta do Banco Mundial para a reforma universitária no Brasil seria “inaceitável”), escorregou em dizeres como: “a constituição brasileira de 1988 precisa ser reformada”, ou ainda “o documento do Banco Mundial, juntamente com o documento do governo central (o que propõe a privatização das Universidades Públicas) será estudado, juntamente com os demais documentos das entidades representativas, para que o projeto seja elaborado”. Também afirmou que esta reforma seria implementada em benefício daqueles trabalhadores que recebem de 2 a 3 salários mínimos, dando a entender que os “privilegiados” das Universidades Públicas desviam dinheiro público que deveria ser direcionado às “políticas sociais” do governo. Também defendeu a estatização das vagas como forma de “publicizar” o ensino privado, afirmando que “o governo não tem nenhum gasto com a compra destas vagas”, ao que foi respondido com um só coro: mentiroso! Sobre as cotas para afro-descendentes, o ministro disse: “se temos um estudante negro e um estudante branco com uma mesma condição sócio-econômica disputando o vestibular, para qual devemos dar a vaga?”. Foi respondido por uma estudante: para os dois! Ao que respondeu: “Exatamente, para os dois!”. Mas se embananou todo para explicar como fará isso, já que estava defendendo uma política de cotas. A solução apresentada pelo ministro para resolver essa dicotomia foi: “vamos criar mecanismos de compensação.”, mas não falou um “A” sequer sobre a ampliação das vagas no ensino superior.

A reação a esse discurso totalmente contraditório, que foi embelezado pelo senhor ministro com palavras selecionadas cuidadosamente no dicionário demagogês, foi um imenso mar de vaias, protestos, denúncias e muitos gritos de “mentiroso, mentiroso!”.

Logo após afirmar que o processo de elaboração da reforma se daria da forma mais ampla e democrática possível, sendo discutido com todos os setores envolvidos, o ministro encerrou sua fala fechando as cortinas na cara dos estudantes que estavam próximos ao palco pedindo a palavra, demonstrando qual será na realidade o método utilizado para a implementação da reforma. Numa atitude totalmente anti-democrática, autoritária e arrogante, Tarso Genro deu a Aula Inaugural por encerrada sem ao menos ouvir o que a comunidade universitária tinha a dizer, saindo “à francesa” do palco protegido por seguranças e pela polícia militar que estava ao seu lado durante todo o discurso. Mais uma vez deram seu recado: “o pau vai comer”, e mais uma vez lhes respondemos na fuça: “Venha e tente, senhor ministro!”.

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