Contribuição
à crítica da Filosofia e do Direito de Hegel (citações)
Karl
Marx
“A
critica da religião liberta o homem da fantasia, para que
possa pensar, atue e configure a sua realidade como homem que perdeu
as ilusões e reconquistou a razão, para que ele gire
em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A
religião é apenas o sol ilusório que gira em
volta do homem enquanto ele não circula em torno de si mesmo.”
“Mas
a própria teoria torna-se, da mesma forma uma força
material quando se apodera das massas. A arma da critica não
pode substituir, sem dúvida, a critica das armas; a força
material só será abatida pela força material.”
“Ser
radical é segurar tudo pela raiz. Mas, para o homem, a raiz
é o próprio homem. O que demonstra, sem dúvida,
o radicalismo da teoria alemã, e consequentemente o seu vigor
prático, é o fato de começar pela determinada
eliminação positiva da religião. A crítica
da religião termina com o princípio de que o homem
é para o homem o ser supremo.”
“A
religião não faz o homem, mas, ao contrário,
o homem faz a religião: este é o fundamento da crítica
irreligiosa. A religião é a autoconsciência
e o autosentimento do homem que ainda não se encontrou ou
que já se perdeu. Mas o homem não é um ser
abstrato, isolado do mundo. O homem é o mundo dos homens,
Estado, a sociedade. Este Estado, esta sociedade, engendram a religião,
criam uma consciência invertida do mundo, porque eles são
um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste
mundo, seu compêndio enciclopédico, sua lógica
popular, sua dignidade espiritualista, sua sanção
moral, seu complemento solene, sua razão geral de consolo
e de justificação. É a realização
fantástica da essência humana porque a humana carece
de realidade concreta. Por conseguinte a luta contra a religião
é, indiretamente, a luta contra aquele mundo que tem na religião
seu aroma espiritual.
A miséria religiosa é, de um lado, a expressão
da miséria real e, de outro, o protesto contra ela. A religião
é o soluço da criatura oprimida, o coração
de um mundo sem coração, o espírito de uma
situação carente de espírito. É o ópio
do povo. A verdadeira felicidade do povo implica que a religião
seja suprimida, enquanto felicidade ilusória do povo. A exigência
de abandonar as ilusões sobre suas condição
é a exigência de abandonar uma condição
que necessita de ilusões. Por conseguinte, a critica da religião
é o germe da critica do vale de lágrimas que a religião
envolve numa auréola de santidade. "
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