Lenin
- 139 anos do nascimento do grande líder do proletariado
internacional
Para celebrar os 139º ano do
nascimento de Vladimir I. Lenin, publicamos um discurso do
grande comunista Stalin numa solenidade organizada pelos
estudantes da Escola Militar do Kremlin no ano de sua morte,
1924.
Nele, Stalin descreve toda a
simplicidade e humildade com que Lenin se comportava; todo o
profundo respeito e admiração que guardava pelas massas
operárias e populares; e a fé inabalável que Lenin tinha na
vitória da Revolução.
Nas palavras de Stalin, um
discurso sobre "certas particularidades de Lenin como homem
e como político"

Discurso de Stalin pronunciado na solenidade organizada pelos
alunos da Escola Militar do Kremlin, a 28 de janeiro de 1924.
Para ler na íntegra, clique aqui.
CAMARADAS: Comunicaram-me que haveis
organizado uma solenidade dedicada à memória de
Lênin e
que eu era um dos oradores que haviam sido convidados. Acho que
não é preciso fazer uma exposição sistematizada das atividades
de
Lênin.
Creio preferível limitar-me a uma serie de fatos que façam
ressaltar certas particularidades de
Lênin
como homem e como político. Talvez não haja relação interna
entre estes fatos, mas isto não pode ter uma importância
decisiva para quem queira formar uma idéia geral sobre
Lênin. Em
todo caso, apenas não tenho, neste momento, a possibilidade de
dar-vos mais do que acabo de prometer-vos.
A
ÁGUIA DAS MONTANHAS
CONHECI
Lênin
pela primeira vez em 1903. Certamente, este conhecimento não foi
pessoal, mas por correspondência. Deixou em mim, porém, uma
impressão indelével que não se apagou em todo o tempo em que
venho atuando no Partido. Encontrava-mo então na Sibéria,
deportado. Ao conhecer a atuação revolucionária de
Lênin nos
últimos anos do século XIX e, sobretudo, depois de 1901, depois
da publicação da
Iskra,
convenci-me de que tínhamos em
Lênin um
homem extraordinário. Não era então a meu ver, um simples chefe
do Partido; era seu verdadeiro criador, porque só ele
compreendia a própria natureza e as necessidades urgentes de
nosso Partido. Quando o comparava com os outros chefes do nosso
Partido, me parecia sempre que os companheiros de luta de
Lênin —
Plekhanov,
Mártov,
Axelrod e
outros — estavam cem furos abaixo dele; que
Lênin, em
comparação com eles, não era simplesmente um dos dirigentes, mas
um chefe de tipo superior, uma águia das montanhas, sem medo na
luta e conduzindo audazmente o Partido para diante, pelo caminho
ainda inexplorado do movimento revolucionário russo. Esta
impressão acabou por penetrar tão fundamente em meu espírito,
que senti a necessidade de escrever a respeito a um intimo amigo
meu, emigrado no estrangeiro, pedindo-lhe sua opinião. Ao cabo
de algum tempo, quando já estava deportado na Sibéria — era em
fins de 1903 — recebi uma resposta entusiasta de meu amigo, bem
como uma carta simples, mas profunda, escrita por
Lênin, a
quem meu amigo havia mostrado minha própria carta. A missiva de
Lênin era
relativamente curta, mas continha uma critica audaz e corajosa
das atividades práticas de nosso Partido, assim como uma
exposição magnificamente clara e concisa de todo o plano de
trabalho do Partido para o futuro próximo. Só
Lênin
sabia escrever sobre as questões mais complexas com tanta
simplicidade e clareza, concisão e audácia, que suas frases não
pareciam que falavam, mas que disparavam. Esta pequena carta,
simples e audaz, convenceu-me mais ainda de que tínhamos em
Lênin a
águia das montanhas de nosso Partido. Não posso perdoar-me o
haver queimado aquela carta de
Lênin,
assim como muitas outras, seguindo o costume do velho militante
na ilegalidade.
Datam daquele momento as minhas relações
com
Lênin.
A
MODÉSTIA
ENCONTREI-ME pela primeira vez com
Lênin em
dezembro de 1905, na Conferência bolchevique de Tamerfors
(Finlândia). Esperava ver a águia de nosso Partido, o grande
homem, grande não só do ponto de vista político, mas também, se
quiserdes, do ponto de vista físico, porque imaginava
Lênin
como um gigante de postura imponente e majestosa. Foi muito
grande a minha decepção quando vi um homem completamente
simples, de estatura menor que a mediana, e que não se
diferenciava em nada, absolutamente em nada, dos demais
mortais...
É costume que «um grande homem» deve
chegar tarde às reuniões, enquanto os assistentes esperam sua
aparição com o coração ansioso; que, quando o grande homem vai
aparecer, os membros da reunião avisem: Pss..., silêncio, já
vem! Parecia-me que este cerimonial não era supérfluo, que se
impunha, que inspirava respeito. Foi multo grande a minha
decepção quando soube que
Lênin
havia chegado a reunião antes dos delegados e que, afastado a um
canto, prosseguia, sem afetação alguma, a mais banal das
conversações com os delegados mais simples da Conferência. Não
nega que isto me pareceu então certa violação de algumas normas
imprescindíveis.
Só mais tarde compreendi que esta
simplicidade e esta modéstia de
Lênin,
que este desejo de passar desapercebido, ou, em todo caso, de
não chamar a atenção, de não salientar sua alta posição, eram
traços que constituíam um dos lados mais fortes de
Lênin,
como novo chefe das novas massas, das massas simples e comuns
das camadas mais baixas e profundas da Humanidade.
A
FORCA DA LÓGICA
MAGNÍFICOS foram os discursos que
Lênin
pronunciou nesta Conferência: sobre os problemas do momento e
sobre a questão agrária.
Infelizmente, não foram conservados. Foram
discursos inspirados, que acenderam clamoroso entusiasmo em toda
a Conferência. A extraordinária força de convicção, a
simplicidade e a clareza de argumentos, as frases breves e
inteligíveis para todos, a falta de afetação, de gestos teatrais
e de frases de efeito, ditas para produzir impressão; tudo isso
distinguia favoravelmente os discursos de
Lênin dos
discursos dos oradores «parlamentares» comuns.
Mas não foi este aspecto dos discursos de
Lênin o
que mais me cativou então, mas a força invencível de sua lógica,
que um pouco secamente, mas em troca a fundo, se assenhoreia do
auditório eletriza pouco a pouco e depois o cativa, como se diz,
sem reservas. Recordo que muitos delegados diziam:
«A lógica nos discursos de
Lênin é
como tentáculos poderosos que prendem a gente por todos os lados
e dos quais não há meio de livrar-se: é preciso render-se ou
sofrer um completo fracasso».
Creio que esta particularidade dos
discursos de
Lênin é o
aspecto mais forte de sua arte oratória.
[...]